23.1.08

"I wish you were here... no reino de Aragão"

Uma brincadeira, era Aragão no início, apenas um apelido para "embelezar" o meu nome, até que passou a ser o meu reino. Sim, um reino onde vivo com o meu porco sem nome, que é o meu fiel escudeiro. Só eu e ele, os outros são meras sombras com um sorriso pintado na cara, sem olhos nem ouvidos. Pelo menos têm nariz.

Quando acordei de madrugada tudo estava cinzento, até as minhas mãos, até os meus olhos. Tinha uma missão a cumprir e se voltasse atrás, eu e todos os meus apoiantes ficavam desapontados com a minha acção. Uma batalha? Um resgate? Apenas um teste que me tirou horas de sono e, quando acabou, não acalmou a minha ansiedade, não retirou as pedras da minha garganta. A única coisa que sabia era que estava mole, queria ir para o meu castelo, queria o meu porco e queria descanso, até que me veio à cabeça o horóscopo da semana, dito por aquela velhinha a quem dei abrigo:

"As emoções estarão um pouco confusas.

O abandono ou a ausência temporária são coisas

que lhe podem acontecer durante esta semana

e podem tanto partir de si como do outro".

"Emoções confusas? Hmm, não sei". Pensando bem, a única coisa com que me sinto confusa é em relação aos outros, como sempre, ou seja, praticamente não sei se os devo odiar ou não. Isto porquê? Porque eu pareço ser a única que vê. Esperem, eu e a Camila dos Chouriços, filha do Americano Traidor. Esquisito não? Ao ser praticamente a única que se irrita e que morre por dentro algo deve estar muito mal.

"Abondono? Ausência?" A Filomena dos Galos abandonou-me em Setembro e nunca mais me deu notícias, mas não, tem de ser esta semana. Bem, ainda faltam quatro dias para o seu fim. Porém, consigo interpretar isso de uma maneira diferente: sinto falta do apoio dos meus companheiros, apoio emocional. Às vezes penso que falo a língua dos Mouros. Necessito de atenção de mais? Eu tenho a solução mas vocês queixam-se no fim. A verdade é que me fazem sentir mesmo burra e insignificante quando simplesmente, puf, se vão embora e não me deixam acabar uma frase. Fazem-me mentir a mim mesma quando digo que isto não volta a acontecer... O meu porco que o diga porque ele é que me ouve. Fazem-me querer sentir o frio que devia ser expelido pelos meus olhos, pelas minhas palavras e pelo meu coração. Fazem e não conseguem porque o meu coração é mole, é fraco, tal como os nossos escravos. Sou um deles.

Com todos estes assuntos a voarem pela minha cabeça, voei eu também quando me encontrava na aula da Dona Águia. Aquele cinzento que se encontrava do outro lado da janela fascinou-me e tentei encontrar uma solução para o meu reino.

A solução foi entrar no cinzento e sentir o frio da chuva

que me batia com força, e mesmo assim, um sorriso fugiu do meu rosto,
mas a verdade é que os sentimentos continuam todos aqui, acrescentando-lhes a traição e o abandono, e conclui que tudo o que está para além dos portões de Aragão deve lá permanecer, bem longe de mim e do meu porco.

11.1.08

Qual é o caminho para sair daqui?

Não sei se foi da dose exagerada de coca-cola durante todo o dia, ou do facto de ter passado metade deste a levar com aquele cheirinho do Mcdonald's e de me ter enfardado daqueles "pecados", mas definitivamente, hoje, estou esquisita. E isto porquê? Sinceramente não consigo explicar: ora sinto uma alegria contagiante que quero partilhar ora a raiva aparece para mudar as direcções do meu humor.
Porque é que estou feliz? São mais as perguntas que as respostas. O dia até não foi dos melhores mas apetece-me rir até me doer a barriga. Rir com alguém. O problema é que a maioria desses alguéns está tão ocupado que me manda dar uma voltinha. Quem é que não tem tempo para rir? Eu própria tenho-me visto tão concentrada e preocupada demais com as minhas obrigações que já enjoa. Preocupo-me com os outros e a única coisa que eles sabem fazer é ignorar-me e fazer-me insignificante (não pá, não estou a fazer birra só porque ninguém se quer rir comigo).
Usa e deita fora. Esquecem-se que os amigos estão aqui para tudo, dispostos a ajudar, a compreender, e não só, e o que fazem é agir como se não os conhecessem, como se fossem simples pessoas que passeiam pelas ruas, como muitas outras. Esta gente aqui parece ser assim, mas há sempre quem foge às regras.
Elas as duas, por exemplo, sabem que não é assim e a única coisa que digo é "só espero que tudo corra bem e pensamento positivo =)!"
Outra coisa muito gira é fugir das discussões só porque a opinião do outro não o agrada ou porque, bem lá no fundo, sabe que o outro tem razão. Mania de pensar que a vossa opinião é a melhor e quando não o é, fazem birra! E que tal justificar essa opinião sagrada e superior? Pois, se calhar não é preciso porque a maioria desta gente aceita tudo o que lhes é dito! Basta que seja dito por alguém, como é que se diz.. hmm.. por um gajo bom ou gaja boa para causar boa impressão, pelas pessoas mais populares ou apenas para se fazer de superior a quem é burrinho.
Outra coisa que acho muita piada é a cegueira! Imaginemos que tudo o que é mau acontece à nossa volta e, sabe-se lá porquê, transformamos essa realidade num "mar de rosas", naquilo que queremos que ela seja, vivendo numa mentira. Será porque não queremos ver? Não, porque nós somos estúpidos ao ponto de sermos infelizes só para termos o que, supostamente, queremos.
Estou errada sobre tudo o que disse? Dêem-me boas justificações em que possa acreditar.
Arrependo-me de hoje ter julgado uma pessoa que não devia ela surpreendeu-me pela positiva. Pelo menos aprendi alguma coisa.
Quem me dera a mim voltar a ser aquela miudita tímida e branca com olhos azuis cristais que explodiam alegria. Sem preocupações, sem tristeza, sem a amargura que nos é transmitida, sem a pobreza de espírito que predomina nas pessoas e que somos obrigados a aturar.
Com tudo isto, já não me apetece rir e 4 coca colas médias do Mcdonald's já se foram.
O caminho para fugir? Apenas abro as portas da minha imaginação e do meu coração e apago tudo o que é mau. Uso a cegueira, pelo menos por hoje, para me sentir melhor e não, miserável.

3.1.08

Dead End?

Perdi longos dias a pensar em mim, no que eu penso sobre quem sou e no que os outros pensam sobre mim. A verdade é que esses caminhos são-me estranhos, metem-me medo só de os mensionar, fazem-me ficar insegura. São tantas as coisas que deambulam dentro da minha cabeça que é extremamente difícil exprimir-me.
A verdade é que tento ser fiel ao que acho que está correcto e tento não ser superior a qualquer outra pessoa, pois quem sou eu?!? Porém, ao não ser superior, tento manter-me em igualdade, o que dificilmente é possível. Não sei se tenho algum problema, mas sim, geralmente me sinto inferior, provavelmente por causa de experiências do passado, onde fui gozada por pessoas que não me conheciam de parte alguma e a minha personalidade foi posta em causa, ou por ter aprendido que as pessoas manipuladoras e "mentirosas" ficam sempre por cima.
Não sou uma pessoa de muitas conversas e, na maior parte do tempo, estou perdida nos meus pensamentos, mas eu gosto de conhecer uma pessoa através das suas acções e não só pelo que ela diz e pensa. Geralmente falam, falam e não fazem nada (provavelmente faço o mesmo ou actuo sem pensar, mas tenho consciência disso e arrependo-me profundamente do que faço).

Tento lembrar-me de uma aula de Filosofia do ano passado, onde fizemos um exercício que, por momentos, aumentou a minha auto-estima. Cada aluno sentava-se numa cadeira, num canto da sala enquanto os outros escreviam o que achavam sobre essa pessoa. Eu levei a sério o que disseram sobre mim, tudo coisas muitíssimo positivas e que me espantaram. Esse exercício, por um lado, fez-me perceber que somos aquilo que queremos ser e ouvi a professora dizer no fim algo que guardarei sempre comigo "Tu és a pessoa mais matura aqui de dentro".
Ela foi a única que, numa aula, olhou para mim e sussurou: "Nota-se nos teus olhos que não queres estar aqui, que não és feliz".

Hoje percebi que estar aqui, em Ponta Delgada, a estudar e a viver não foi de todo uma experiência negativa. Cresci, aprendi, conheci pessoas que guardarei sempre, embora prefira esquecer algumas. Como me vi sempre a dizer que não queria estar aqui, não apreciei tudo o que tenho e tudo o que me apareceu, oportunidades que não aparecem a qualquer um (quem é que tem a oportunidade de ser destacado para a Assembleia da República e, quem sabe, se tudo correr bem, ir a Estrasburgo?). São experiências que não quero, de modo algum deitar fora.
No outro dia, quando me encontrava num local que prefiro não mensionar o nome, tive que pensar em algo que me distraí-se da dor momentânea que estava a sentir. Bastou olhar para os meus óculos para comparar a minha falta de visão à minha vida: Se não vejo bem ao longe e o longe é o meu futuro, então só posso ter uma ideia pouco definida daquilo que está para vir e uma ideia bem definida do perto, do presente.

Quem me dera a mim que a minha vida fosse como a imagino, como gostava que ela fosse mas não me posso prender a isso. Se quero ter o que desejo e conhecer quem idolatro tenho de trabalhar para isso e não sou pessoa de ver as coisas cairem-me à frente, mas às vezes caem e agradeço a quem as faz cair.

Esperança e determinação é o que não me falta, apenas preciso de força e de ultrapassar o medo que tenho das pessoas que se cruzam comigo, das pessoas que me rodeiam. Quando olho para o passado tento não dizer "Oh não! O que é que eu fiz?", mas sim não me arrepender e saber que foram essas acções que me permitiram estar aqui, depressiva ou negativa, estúpida ou alegre, sonhadora ou infantil a escrever para pessoas que nunca pensava que poderiam ligar a isto, pessoas que vieram ter comigo e elogiaram-me.

Obrigado.