Estou há quatro dias a acordar com uma música que sempre significou muito para o meu suposto eu, mesmo quando sabia que ainda eras meu. Há vezes em que penso que a bomba que larguei em ti foi a melhor coisa que fiz, mesmo tendo-a atirado de olhos fechados. Afinal, sempre fui o teu porto seguro e vice-versa. Porque a Sofia é a Sofia, tirei o coração, engoli a seco e afastei a minha casa, afastei-te de mim. Se é o melhor então porque é que, quando todas as outras chamas se vão embora, a tua fica? Se é o melhor porque é que, após 655 dias do primeiro fim, ainda te quero, aqui? És a maior contradição, em mim.
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Quando olho para isto tudo só vejo negatividade elevada a três mil e quinhentos. Mas é isso que realmente vejo, tentar mudá-la de sítio quando é em mim que ela pertence e deve sempre pertencer é absurdo. Sim, este mundo da Sofia pode contaminar-vos a todos com o pior que há, mas não é essa verdade que observo. O que eu quero e espero, sempre, é que o mais íntimo pensamento, muitas vezes inconsciente, passe por aqui e vos toque. É esse pensamento transformado em palavras escritas que desperta as mais diversas emoções que quero transmitir e fazer passar, quase que puras. Por isso quando me dizem "Identifico-me com o que escreveste" fico feliz ou 'quentinha', como costumo dizer, porque é essa a prova, para mim, que o que está aqui escrito pode muito bem estar dentro de qualquer um.