Entro todos os dias com a esperança de ver alguma satisfação,
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.
Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".
Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.
Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.
25.3.08
24.3.08
Dias.
"Poderão ocorrer crises profundas; os altos e baixos são cíclicos e esta semana apresenta-se pouco auspiciosa no caminho do bem-estar pessoal"
Desde a última semana que um astrólogo diz a mesma coisa sobre os meus dias. Às vezes pergunto-me se é verdade, pois estes assuntos deixam-me extremamente confusa: "como é que uma descrição destas serve para todas as pessoas do meu signo?". Pergunta frequente, porém, acho que encontrei uma resposta que me satisfez, pelo menos por agora: sempre que leio faço a minha interpretação, e, supostamente é o que toda a gente faz, de modo a que a descrição se ajuste a esse momento. Por mais que não queira acreditar no que uma pessoa, que desconheço, por completo, diz, devo louvar o seu trabalho porque, epá, é verdade.
Enquanto dormia, senti-me feliz e confortável durante o sonho, até que, quando acordei, estava tão irritada que limitei-me a dizer: "não saio de casa para não me chatear". Claro que fiz exactamente o contrário. Sai, ri-me por umas horas até que pequenas conversas inconscientes me deixaram raivosa, sabe-se lá porquê. Mais tarde, quis ir apoiar o meu irmão no treino e senti uma paz dentro de mim que não consigo explicar, senti-me bem onde estava, senti-me ligada à minha família, tal como tenho sentido nestes últimos dias. Agora? Bem, estou sozinha comigo de novo e os pensamentos voltam. A confusão, a impaciência, o ódio, a preguiça, a negatividade. Percebi que estar de férias, para mim, é péssimo e tenho de me manter em actividade, por mais que me custe, de modo a evitar pensamentos e atitudes indesejadas.
Vou limitar-me a estudar nestes últimos dias que me faltam e a apreciar o sorriso de que gosto no rosto da minha família, que por mais me irrite, fazem-me sentir bem, fazem-me sentir normal, fazem-me sentir completa.
P.S.: Foram precisas duas semanas de férias para perceber que a verdade está nelas as duas.
19.3.08
- Chegas-te?
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.
14.3.08
Perdida em Pensamentos
Tenho medo que as palavras sejam escritas, que tudo o que está guardado seja revelado. Tenho sido egoísta, tenho medo de quem diz que me conhece, que prevê as minhas atitudes, que sabe o que vou responder. Depois, penso em tudo o que sei e que ninguém sabe, como podem dizer que me conhecem? Tenho estado aérea de mais, fútil de mais, burra de mais, a esconder o passado que me deixou memórias que tenho de carregar e suportar para o resto da vida. Foi preciso ouvir aquela música para uma memória bem escondida, bem escura e longínqua me lembrar de quem sou, de quem sempre quis ser, daquilo que quero e tenho tentado não querer, dos estranhos olhares no dia-a-dia que me partem por dentro, dos julgamentos, da chama, das borboletas no estômago. A chama está novamente acesa, amor? Sim. Amor pelo que tenho, amor por mim própria, pelas minhas acções, por ser forte, por me manter fiel às minhas promessas, por me sentir mais segura do que estava. É impossível amar um ser humano se não tenho amor para dar, já que ele está reservado para mim, para as minhas necessidades ou crises. A minha força interior espantou-me, pois sou capaz de resistir a qualquer tentação ou imposição feita por quem quer que seja, sou capaz de dizer que não, mesmo que seja julgada por uma convicção minha. Não preciso de provar nada a ninguém para ser aceite ou me dar a conhecer. As coisas não são assim, pelo menos para mim. Não preciso de contar todos os meus problemas, todos os meus gostos, os meus defeitos e qualidades de uma vez só para receber um mero sorriso. E as atitudes? E a beleza do silêncio e do sorriso? A beleza do desconhecido, da curiosidade em conhecer, do interessante? Se despejar tudo o que sei isso acontece? Não.
O saber que não posso interpretar o que vai na mente de uma pessoa fascina-me. Ninguém sabe no que penso enquanto adormeço, ninguém sabe se tenho medo ou não do escuro, ninguém sabe das promessas que faço a mim mesma. Ninguém sabe e sinto-me lisonjeada por ser a única a saber e perceber, já que por mais que fale cada um interpreta o que digo de uma maneira diferente e nunca chegam ao meu ponto de vista.
Tenho evitado estar sozinha para não pensar em coisas sérias, mas é impossível controlar a mente e pôr as emoções de parte.
"Afraid that everything remains unchanged In this fragile dream, Ashamed of the shattered remains Of promises made". HIM, Sweet Pandemonium
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