24.2.09

I'm leaving

Lisboa, Paris, Estrasburgo. Vou com duas das pessoas mais importantes do meu mundo. Vou-me embora, não sei se me vai fazer bem ou mal e não deixo nada atrás, tenho o meu coração comigo.

Ontem caiu uma bomba dentro da minha cabeça, mas estou calma, aprendi a controlar-me, tentei abstrair-me, fiquei aérea e silenciosa. Mas não estou sempre assim? Foi apenas uma bomba de verdade, que no fundo eu conhecia. Porquê? Porque apercebi-me que não acredito nas palavras das pessoas, não consigo. Quando só tenho as suas palavras e não as consigo observar, perco-me. Um simples desvio de olhar aliado a uma palavra solta pode dizer-me o tudo. É o constante problema do respeito, sinceridade e sensibilidade que dizem ter, mas não conseguem agir de acordo com os seus princípios. A Sofia perdeu a confiança em quem definitivamente não importa e não a conhece.
O dia de ontem foi apenas mais um dia, estava com os pés em terra mas não estava, não queria ir para casa, não queria estar onde estava, tinha fome mas não tinha, queria rir mas não tinha paciência para o fazer. Mas será que estava triste? Não. Desapontada e entre dois mundos.
E no meio de tanta verdade deixei a Silvana preocupada, e isso mata-me por dentro. Ela é-me tão importante que não a quero, nunca, magoar. A primeira coisa que vou fazer quando a vir no aeroporto é dar-lhe o abraço que ela merece.

Voltarei no Domingo. Ou não.

17.2.09

Nova página

- Toma, é para ti, não os quero mais, faz o que quiseres com tudo isto.
- O que é?
- A minha vergonha, a minha insegurança, a minha tristeza, o meu medo.
- Mas… isto és tu.
- Não. Eu sou muito mais.

13.2.09

Sim, tu

Podes entrar. Entra e tira-me daqui, leva-me para onde quiseres, para um espaço vazio. Tens 365 dias para me mostrar tudo aquilo que nunca vi, para me ensinares tudo o que nunca aprendi, para atirares todos os meus pensamentos para o chão ou para cantá-los comigo.

2.2.09

Tu és... o quê?

Não digo coisas com sentido, tenho medo de me deixar ir. Para onde vou? Nem sei a direcção que tomar com os meus pensamentos, quanto mais com as acções.
"Sofia estás a dar em maluca, pareces uma doente mental".
Eu estou a fazer remodelações, só isso. Estou a transformar a minha mente num lar outra vez, mas não me sinto confortável em lugar nenhum. Já não gosto de estar sozinha. É um pesadelo, e por isso preciso da mosca cinzenta e amarela. Posso dizer-lhe a maior barbárie que ela percebe de uma maneira bela, e isso nunca me tinha acontecido com ninguém.
Mas continuo a ser uma mosca preta que tem medo de ficar colorida.