30.3.10

I give this part of me for you.

Já te dei uma parte de mim há muito tempo, tens vida no bloquinho.
Acendi uma vela hoje, para ti. Porque é que a chuva cai quando não queremos? Não há muita coisa que possa controlar, não há nada que queira fazer comigo mas sei o que quero em relação a ti. Será que... sou a tua casa também, quando estamos as duas em Lisboa a realizar o sonho?
Já tenho algo em que pensar a tarde toda, é o melhor que sei fazer. Hoje dominas-me a mente, Néné. Por mais que esteja lá em cima, completamente perdida aqui dentro sem vontade de pôr os pés no chão, tens a corda para me puxar para baixo, para me trazer de volta. Acho que és a única pessoa que a tem. Por isso é que acendi a vela. Por mais chuva que caia, acendi-te uma chama para subires bem alto. Vou estar aqui para segurar a tua corda, quero tentar tirar-te esse nevoeiro. É o mínimo que posso fazer.

28.3.10

Little C.

Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.

12.3.10

What's wrong Sophie?

Senta-te aqui, tenho algo para te contar. Já viveste de olhos fechados, todos os dias? O acordar deixa de ser o despertar para o mundo real, continua a ser um sonho desprovido de qualquer tipo de verdade. Se sim, diz-me como era esse teu sonho. Era cinzento como o meu? Nesse lugar onde estiveste, as coisas têm outro significado? E quando é que realmente, acordo? Já sei o que me vais responder e mesmo assim arrisco em bombardear-te com perguntas.
"Porque é que queres acordar, porque é que não aproveitas enquanto aí estás? Pára de pensar no fim".
Roubaste os meus verdadeiros olhos, lembraste? Foi o sonho mais estranho que já tive, nunca pensei sentir que tinhas contigo algo que me é tão precioso. Por isso é que está tudo cinzento aqui. Quando olho não consigo olhar verdadeiramente, estás a bloquear-me o caminho. Preciso de mim para saber se tu és realmente tu. Preciso de tudo o que tenho em mim para saber onde estás, agora.