Irrita-me profundamente que alguém me peça para desabafar. Irrita-me.
A iniciativa não deve partir só dos outros, até porque sentiria que me estavam a arrancar os sentimentos. Mas há coisas que nunca se deve dizer. Sempre houve. Há coisas que são só nossas e que as outras pessoas não têm o direito de saber. Para quê? Será que me iria sentir mais leve? Pelo contrário. Tornar algo público que é privado chega a ser uma falta de respeito para com nós mesmos.
Sinto-me mal por guardar tudo, mas quando não se confia a cem por cento em alguém, que se pode fazer? Posso contar a uma pessoa mas essa pessoa conta a outra e assim sucessivamente. O que era privado perde agora o seu valor e todas as pessoas nos conhecem, o interesse perde a cor.
É tão fácil culparmos os outros por estarmos em baixo, quando a culpa também é nossa. Estamos assim porque queremos. Nestas alturas nada é mais difícil que tentar ser feliz a dois. O meu único desejo é que a minha vida seja um globo de neve: eu e ele fechados lá dentro. Cá fora fica tudo o resto, quem não interessa e que não pode entrar.
Sinto falta dela. Agora sim percebo tudo o que fez e sinceramente acho que fazia o mesmo sem pensar duas vezes. Arrependo-me dos dias em que dizia que não a percebia, e é pena os seus chamados amigos não a entenderem. Apenas uma... aquela de quem nunca esperei ouvir "quem somos nós para a julgar?".
Depois de tanto tempo a escrever este post acalmei-me. Muita coisa vai mudar... a partir de agora.
She changes every time you look. By summer it was all gone - now she's moved on. She called you every other day so savour it, it's all gone - now she's moved on.
Porcupine Tree, She's Moved On