9.4.10

Where am I?,

É a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo. Claro que sei onde estou, lembro-me de quase tudo o que tenho feito, não consigo esquecer o que aconteceu, mas então... Porque é que tenho acordado desorientada?
Que dia é hoje? A Ana? Quem é a Ana? Eu disse isso? Tenho calor, dá-me aí o casaco que tenho frio.Falei contigo ontem? Pois, já não me lembrava.
Tenho-me concentrado tanto no problema que considero maior que me esqueço das pequenas coisas. Durmo para me calar, para o dia acabar rapidamente, para adormecer os pensamentos e para tentar anestesiar os sonhos. Anestesiar os sonhos? É impossível, claro.
Fartei-me de pensar na mesma coisa, de ler o bloquinho e ver sempre o mesmo tema, de olhar para a minha vida, ver tudo igual e não encontrar motivação minha para mudar. Não estou triste nem contente, estou...não sei, apenas estou e sinto-me bem com isso, mas não quero contaminar ninguém com o que quer que seja que se passa aqui dentro.

30.3.10

I give this part of me for you.

Já te dei uma parte de mim há muito tempo, tens vida no bloquinho.
Acendi uma vela hoje, para ti. Porque é que a chuva cai quando não queremos? Não há muita coisa que possa controlar, não há nada que queira fazer comigo mas sei o que quero em relação a ti. Será que... sou a tua casa também, quando estamos as duas em Lisboa a realizar o sonho?
Já tenho algo em que pensar a tarde toda, é o melhor que sei fazer. Hoje dominas-me a mente, Néné. Por mais que esteja lá em cima, completamente perdida aqui dentro sem vontade de pôr os pés no chão, tens a corda para me puxar para baixo, para me trazer de volta. Acho que és a única pessoa que a tem. Por isso é que acendi a vela. Por mais chuva que caia, acendi-te uma chama para subires bem alto. Vou estar aqui para segurar a tua corda, quero tentar tirar-te esse nevoeiro. É o mínimo que posso fazer.

28.3.10

Little C.

Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.

12.3.10

What's wrong Sophie?

Senta-te aqui, tenho algo para te contar. Já viveste de olhos fechados, todos os dias? O acordar deixa de ser o despertar para o mundo real, continua a ser um sonho desprovido de qualquer tipo de verdade. Se sim, diz-me como era esse teu sonho. Era cinzento como o meu? Nesse lugar onde estiveste, as coisas têm outro significado? E quando é que realmente, acordo? Já sei o que me vais responder e mesmo assim arrisco em bombardear-te com perguntas.
"Porque é que queres acordar, porque é que não aproveitas enquanto aí estás? Pára de pensar no fim".
Roubaste os meus verdadeiros olhos, lembraste? Foi o sonho mais estranho que já tive, nunca pensei sentir que tinhas contigo algo que me é tão precioso. Por isso é que está tudo cinzento aqui. Quando olho não consigo olhar verdadeiramente, estás a bloquear-me o caminho. Preciso de mim para saber se tu és realmente tu. Preciso de tudo o que tenho em mim para saber onde estás, agora.

15.2.10

As pessoas mudam sim. Eu não gosto da pessoa em que te tornaste, nada é como era. Já não há nada em comum. Vou esforçar-me para me dar bem por aqui porque o que deixei desse lado não é o mesmo. Acontece.

5.2.10

How cold is the sun?

Congelei. Sei que não consigo viver de outra maneira e estou cansada de duvidar, dói mesmo aqui no meio, no peito. Sonho em conseguir estagnar por um pouco, parar os medos, os receios, o puro pensar. Talvez parar tudo. Fazer os exames de novo na 2ª fase é simplesmente estúpido quando as cadeiras já estão feitas... mas assim matava o tempo com algo produtivo e não com viagens ao passado. Tenho medo de abrir a primeira gaveta ao lado da minha cama, é lá que estão todos os textos, o antigo bloquinho, as palavras que gritam por saudades tuas, que descrevem o que és para o meu possível eu. Acho que vou dar-te tudo, um dia. Não quero estas coisas comigo, são perigosas de mais para mim, na minha cabeça não aceito que tudo já passou e acabou, não se anda para trás. Hoje reparei que não consigo ler as primeiras folhas do novo bloquinho ou o texto que escrevi antes, isso seria o mesmo que lembrar-me a cada minuto que estou longe, o mesmo que me queimar repetidamente. O mesmo que ser burra, talvez. Mas ao mesmo tempo ler estas coisas trazem-te para ao pé de mim, Shilo. Acho que finalmente percebi tudo, talvez demasiado tarde mas percebi. És a dona do novo bloquinho porque és a única que me dá a luz de que tanto falo.
Espera... Tu é que me dás a essência. "Porque todos os momentos felizes pertencem a ti".
Vou dormir. A cabeça dói, e não é pouco.

24.1.10

- Quando voltas?
É a pior pergunta que alguma vez me poderias fazer. Talvez porque me magoa não estar contigo, talvez porque, simplesmente, não tenho resposta para te dar.
Posso não voltar, para já.
<3

9.1.10

De volta?

Há dias que estou a tentar arranjar pelo menos uma hora para escrever e desentupir a cabeça. Voltei Terça-feira passada com 12 horas de viagem até Lisboa, puro stress e ai que o avião só chega daqui a quatro horas agora, e ai que lá vai ele para a Terceira primeiro sabe-se lá porquê, e toma mais duas horas de espera no aeroporto e porra que o voo vai levar três horas porque o tempo está uma treta. Quis perceber o que perdi nas aulas e tentei estudar para a frequência de Estatística que me tirou horas de sono e quilos de paciência, deixando-me anoréctica nesse sentido. Mas voltando à viagem, aos dias que por tanto esperei,
Tudo o que pensei que podia acontecer não aconteceu e correu tudo ao contrário, porém pelo melhor, penso.
- Anima-te, é Ano Novo! Estás muito paradinha, muito murcha.
- Porque é que haveria de estar feliz?
Naquela noite só me vinha à cabeça a essência, aquilo de que eu era feita e aquilo que eu precisava para poder viver. Talvez não fosse a noite certa para me pôr a pensar nessas coisas, mas não consigo controlar o que penso e prefiro revirar um assunto na minha cabeça para ter as conclusões pelas quais anseio rapidamente. Qual é a minha essência, afinal? Às vezes procuramos o que não tem de existir, aceitei que ainda não a conheço e não posso ter a essência que quero, a essência não é algo que se escolha, é algo que está no ser, que simplesmente o é. A minha visão em relação a mim é tão distorcida e desproporcional que não consigo ver o meu eu apesar de saber as potencialidades que possuo. Para mim, eu sou confusão e na confusão não se consegue ver a essência.

Já me tinham avisado que ia estranhar tudo quando voltasse, as pessoas e os sítios, que ia caminhar quase que com outros pés e que as recordações iam ser uma constante. Agora reparo que a primeira coisa que fiz foi ir ter contigo, Sil. Pelo caminho procurei caras conhecidas mas já não conhecia ninguém. Reparei que cresci, que agora tenho que me baixar para passar pela árvore ao pé da minha casa. A minha casa... Uma nova família está a crescer nela neste momento, um novo ciclo. Foram emoções fortes enquanto ia ao teu encontro. És o meu porto seguro e mesmo que vivamos em melodias diferentes, algo está lá para unir a minha luz à tua. Guardei uma mensagem que te enviei no Verão, talvez porque sabia que o que te disse ia servir para todas as situações em que estivessemos longe uma da outra:
"It's weird, like... Other days I know that you are ten minutes away but now you are an ocean away. I'm just thinking that our friendship is so strong (I hope) and wishing that it will stay that way forever"
Aconteceram tantas coisas em 6 dias que me deixaram silenciosa, aérea, que vieram deitar abaixo relações que pensava que tinha com os outros, que vieram deitar abaixo concepções que pensava que tinha como certas. No meio de tantas quedas ajudaste-me a subir, titia Silvana... I miss you.
*

Estava relutante quanto ao regresso à não vida, à rotina que mata qualquer tipo de motivação, mas ao mesmo tempo ansiosa e feliz por saber que algures aqui, deste lado do oceano tinha alguém à minha espera, tinha o abraço da Néné mal entrei na faculdade. Sabe bem levantar-me de manhã e saber que és a minha companhia.

Ah é verdade, voltei para a lareira. Estou mais quentinha e menos angustiada, de certo modo estou mais... feliz(?). Sei que o meu mundo mudou de rumo naquela noite, girou por completo há precisamente uma semana. E nada foi forçado, aconteceu porque ambos o quiseram, o foram e sentiram. Tal como a essência. Talvez a consiga encontrar contigo ao meu lado. Sinto-me bem e com a luz aqui dentro. Talvez seja para durar... espero que sim.

Agora? Duas semanas de estudo intensivo e de paciência anoréctica.

1.1.10

...

Eu tive o amanhã. Tive tudo o que queria. Fiquei feliz? Não. O problema é de quem? Meu. Não estou feliz aqui, não estou feliz em Lisboa, não o estou em lado nenhum. Não estou feliz comigo, talvez.

P.S. Nunca mais vou ser uma Cinderela abandonada. Nunca mais.