5.6.10

Por onde andas, Sofia?


Esgotei todos os sítios possíveis para esconder o meu pequeno coração e agora que o tenho nas mãos não sei o que fazer com ele. Ouvi-lo tornou-se o mesmo que falar com um desconhecido que me sussurra ao ouvido e me conta histórias absurdas com palavras que não conheço. Pensar no que o meu coração era antes é o mesmo que nada, sei que tive uma chama, uma lareira que se tornou puro gelo. Não perdi a minha essência, sempre foi algo que nunca esteve muito claro, que variava consoante a minha disposição, tal como todas as minhas verdades puramente contaminadas com a maneira como me sinto no momento. Se pensar dessa forma, rapidamente chego à conclusão que tudo o que digo é mentira... mas não. Acredito que é nos sonhos que a verdade aparece, sem interferência de um único pensamento, de uma ideia, pessoa ou acontecimento para interromper o decurso de algo que pode ser absurdo. Talvez sejam os sonhos que me dão a minha matéria prima, algo em que pensar, de entre muitos outros assuntos, algo onde possa pôr alguma emoção. Pensar sem rumo e sem destino faz-me caminhar até todas as perguntas que provavelmente vão continuar sempre sem resposta.

21.5.10

Está na hora de ir para casa.
Preciso de ti.

19.5.10

Eddie.

Tens um coelho? A sério? O que é que te passou pela cabeça?
Não gosto de me sentir sozinha e sei que não consigo guardar tudo o que tenho para oferecer dentro de mim. Para quê se posso dar e cuidar? Na altura eu não sabia que o ia comprar, que o ia ver sequer... mas ainda bem que o encontrei. Quando chego a casa cansada, sem vontade de falar, de pensar, farta de tudo, de todos e até de mim, ele é o meu melhor remédio. Quando estou sozinha ponho uma almofada no chão, vou buscar uma manta e fico de olhos fechados, parada no nada, claro que não durante muito tempo.
"Eddie pára quieto, deixa-me estar aqui. Não, não roas as calças, pára! Ai sai de baixo da minha manta, tens ali a tua. Toma o rolo de papel higiénico, vá entretém-te. Eh, não se escava no tapete!"
Agora o meu Eddie mudou... tem uma namorada e não me liga nenhuma, está agressivo e até me morde se for preciso. A namorada do meu coelho é... uma manta térmica e ele adora fazer o amor com ela. Nunca senti tantas saudades das porcarias que fazia, dos rolos de papel higiénico espalhados pela sala, das corridas e dos pulos, dos rebolanços no tapete, de não me deixar ler o que quer que seja, que ele me roa os apontamentos de Estatística e que se deite em cima do meu teclado.
Acho que me vou deitar no sofá e esperar que ele venha ter comigo... esperar que me distraia e me ofereça um sorriso.

10.5.10

Oh...

Nunca vi um olhar que me cativasse tanto, que me pusesse a pensar tão rápido, que pusesse o meu pequeno coração quase em modo maratona.
Aterraste na minha mente e agora tentas encontrar um lugar em mim.
Devo deixar-te entrar?

Desce à Terra, Little Sophie. Desce à Terra.

20.4.10

The weirdest dreams

Será que vais dormir comigo hoje, também?
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.

15.4.10

Perdi o medo.

Rodrigo de Sá Nogueira Saraiva. Nunca tive coragem para lhe perguntar o que quer que fosse, não sei porquê. A verdade é que nunca tive um Professor que, de repente, falasse e respondesse a todas as questões em que há muito tempo penso e há muito me interessam. Hoje não me contive e, depois da aula, com as mãos a tremer, quis resolver o que tanto me tem perturbado e saiu algo, mais ou menos, parecido com isto:
- Professor... Se somos uma chave que consegue trancar-se por fora, que consegue eliminar o exterior quando precisa, então... Conseguimos trancar-nos por dentro? Conseguimos impedir o acesso à nossa mente? E mesmo que sim, se impedir o acesso à minha mente, a mim, o que é que eu sou?
A resposta? Guardei-a e vim a pensar nela no caminho para casa. É algo tão simples e talvez nunca lá cheguei porque tinha medo desses caminhos. Mas uma coisa é certa e óbvia, se eu não tiver um fio que me traga de volta à realidade, se desprender o meu corpo, se me desligar da mente sou... Silêncio, sou o nada.

12.4.10

Oh, shit.

Não me tinha passado pela cabeça que ia chegar a casa e não ia ter ninguém a quem dizer olá. Tenho saudades da minha mãe e ainda agora me despedi dela. Nem o Eddie está cá hoje, só volta na Quarta. Tenho saudades do pequeno coelhinho, do pequeno pedaço de vida que depende de mim.
*
Se não gostas de gostar de mim, em que andar ficas, afinal?

11.4.10

Outra vez?

Logo hoje que me vou embora não chove? Vou ter com a C. à Universidade, tenho de me despedir dela outra vez, quero ver uma cara conhecida antes de partir. Ai que dor na perna, será que foi da noite de Sexta? Toda a gente diz que não bati em nada, não caí, não levei nenhum pontapé, então porque é que acordei coxa ontem? Vá, tenta andar direito que ninguém repara. Oh boa, o portão do lado está fechado, vou dar a volta. São só mais dois meses provavelmente, o tempo passa rápido, é sempre a mesma conversa que no fundo só acalma. Não há lágrimas desta vez, não é preciso. Hum, já me despedi dos outros na Sexta, o que falta? Batatas fritas sim, vou andar mais um bocado até ao McDonald's, a perna aguenta. Já está mais frio, ficou vento de repente, estranho. Vazio, assim é que eu gosto, acho que tenho trocos suficientes. Batatas sem sal, ai tão bom, ai espera... está a chover. Espero? Não, vou a pé, devagarinho, comendo as minhas batatas, a pensar um bocadinho, a falar com os meus botões, a fazer a última caminhada. Pelo menos sinto-me bem nos dois sítios, nas duas casas que construi. Agora... agora está na hora de ir para o aeroporto, outra vez.

9.4.10

Where am I?,

É a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo. Claro que sei onde estou, lembro-me de quase tudo o que tenho feito, não consigo esquecer o que aconteceu, mas então... Porque é que tenho acordado desorientada?
Que dia é hoje? A Ana? Quem é a Ana? Eu disse isso? Tenho calor, dá-me aí o casaco que tenho frio.Falei contigo ontem? Pois, já não me lembrava.
Tenho-me concentrado tanto no problema que considero maior que me esqueço das pequenas coisas. Durmo para me calar, para o dia acabar rapidamente, para adormecer os pensamentos e para tentar anestesiar os sonhos. Anestesiar os sonhos? É impossível, claro.
Fartei-me de pensar na mesma coisa, de ler o bloquinho e ver sempre o mesmo tema, de olhar para a minha vida, ver tudo igual e não encontrar motivação minha para mudar. Não estou triste nem contente, estou...não sei, apenas estou e sinto-me bem com isso, mas não quero contaminar ninguém com o que quer que seja que se passa aqui dentro.