Há um mês, na minha última sessão, ergui a minha bolha novamente mal ela me perguntou sobre a minha vida amorosa. Logo agora que andava tão feliz não me ia pôr a pensar em puros desastres e, por isso, limitei-me a responder com sim's e não's secos... até que ela se fartou, penso eu.
- O que é que a Sofia quer?
- Como assim, o que é que eu quero?
- De uma relação, o que é que a Sofia quer? Quer dar ou receber?
- Quero dar e receber - disse com toda a convicção que tinha na altura, convicção que foi por água abaixo quando a vi torcer o nariz e lançar-me aquele olhar que faz sempre que sabe que estou a mentir.
- De certeza? A Sofia quer dar ou receber?
- Já disse... quero dar e receber.
Enquanto estava a ler o resultado do questionário do Values In Action que tive de realizar para uma cadeira, reparei que a minha força principal inclui generosidade, cuidado, compaixão, amor altruísta e delicadeza. Ai que interessante. E, atenção, das frases típicas que seleccionei destacam-se "os outros são tão importantes quanto eu; todos os seres humanos têm o mesmo valor; dar é mais importante que receber; eu não sou o centro do universo, faço parte de uma humanidade comum."
Perceber que ando a convencer-me do contrário custa. Quinta-feira vou dizer-lhe que já devia ter aprendido que mentir a mim própria é mau e quem cai sou sempre eu, mais ninguém.