21.4.09

Step one

Paiva: Como é que foste capaz?
Eu: Ai... Não sei.
Paiva: Eu não descanso até o encontrares de novo.
Eu: A sério?
Paiva: E não te perdoo se o deixares fugir outra vez.

Eu estava sossegada. Estava. Em paz, assim cá dentro. Sabia tudo o que queria e não queria, estava sozinha e completa. Agora falta-me aquele bocado. Faltas tu.

19.4.09

Nunca acreditar no para sempre

Noites mal dormidas dão para pensar em muita coisa. Sinto-me sozinha, nada é o que era antes. Tenho medo de falar porque não existe a confiança que existia, nem a certeza que está tudo bem. Será que pensar de mais é um problema? Numa madrugada cheguei à resposta e não, não tem nada de mal. No fim sei que faço o que é o mais correcto. E é o que quero fazer, agora. Preciso de me afastar para poder salvar o que resta. Porquê? Vejo algo que muita gente não vê. Observar de mais dá nisso. E dói. Muito.

15.4.09

Coisas que nunca te direi

Estou a dar muito nas vistas? Espero que não... mas não consigo parar de olhar para ti. Estou lá, dia sim dia não, à tua espera e eu sei que é infantil, eu sei. Sei que é uma perda de tempo. Passo horas à espera que olhes na minha direcção e fico vermelha quando o fazes enquanto finjo que leio um livro. Nunca consegui olhar um estranho nos olhos, mas tu és diferente. Não sei porquê. És diferente de todas as pessoas que vejo, tens algo mais, algo que eu não consigo ver em ninguém. Quando tento aproximar-me de ti escondes-te atrás da primeira pessoa que vês ou desvias o olhar, tímido. E nunca falei contigo. Por mais que queira, prefiro observar-te de longe, descobrir quem és, sem palavras.

13.4.09

Tenho a mania das mudanças e...

Mudei de quarto. Foi como mudar de casa. Graças a Deus o meu irmão não se importou e trocámos de quarto, no meu caso, construí um novo refúgio. Desde as 9 da manhã até agora, valeu a pena o trabalho e esforço. Tenho uma varanda só para mim, de onde tenho vista para a cidade e onde me posso sentar a escrever, pensar ou apenas admirar tudo. Tenho pouca arrumação, metade dos meus livros estão no meio do chão, mas não me importo. Gosto deste meu quarto que serve para tudo. Quero começar a construir novas memórias dentro desta minha nova bolha. As primeiras começaram quando ainda estava a fazer as mudanças.
Tive um mal entendido com ela. Sim, fiquei chateada, ela também. Ficámos sem falar um bocado. Esse bocado foi o tempo suficiente para eu começar a pensar a mil à hora. E se um desses mal entendidos for o último, for o fim de tudo? Eu sei que ainda vamos ter muitas discussões e desilusões, mas e se tudo acabar? Ela é como uma irmã. E nesse bocado sem ela, percebi que não tenho mais ninguém com quem partilhar o meu eu, o meu tudo.
Mas já passou. Acho eu.

9.4.09

"Deus" protege, versão número dois

- Levanta maluca! Já! 'Tamos na tropa e eu sou o cadete anti pain, so get the fuck out of your bed! Não tenho nenhuma autoridade sobre ti mas tenho um poder autoritário superior: friendship! E nisso sou como Deus!

Ela mistura o Inglês e o Português quando dá ordens. E depois do que ela disse levantei-me e preparei-me psicologicamente para sair de casa e ver pessoas.
A preguiça fugiu. Remédio santo.

7.4.09

Noites

Quanto mais me conheço mais gosto de cães. Ou outro animal qualquer.
Não tenho conseguido dormir. Os sonhos são muitos e não fazem sentido, os pensamentos voam, ontem a televisão explodiu às 5 da manhã, o sono foge e eu espero e espero. Hoje vou tentar fazer algo produtivo enquanto ele não chega. Se for como o outro nunca virá.
Deus queira que chegue. Cedo.

6.4.09

Miss Simpatia

Foi o que o meu director de turma disse. Porque ah e tal os professores acham-me uma rapariga muito simpática, exemplar. E eu a pensar que era arrogante. É uma perspectiva completamente diferente. Gosto de ouvir os dois lados já que me inclino sempre para o mais escuro. Por um lado é bom, mesmo que tudo esteja bem eu tento que fique perfeito. E isso faz-me bem. Digo sim a tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo. Quando voltei de Estrasburgo disse "nunca mais me meto em nada, acabou". Entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
- Quem é que quer participar numa palestra na Universidade sobre as Aprendizagens em Filosofia e Áreas de Integração?
- Eu quero!
- Eu também!
- Eu também.
Fui uma das três.
O próximo desafio é participar na peça de teatro de comemoração do 25 de Abril. Onde é que me fui meter? É nestas alturas que me apetecia ter dito não.
Para quem gosta de estar sempre atrás, escondida, ando diferente. Falo sem pensar. Ainda no outro dia ofereci um supositório na aula de História a uma colega, e o Professor, que devia ter ficado chateado, ainda me perguntou o nome do dito cujo. Sou a desastrada que, durante a apresentação oral de uma colega a Português, deixou cair a garrafa de água no chão três vezes e levou com um livro na cabeça da Professora.
Quando me dizem "Olá" sei responder com um sorriso. Há dias e dias.

4.4.09

Eu sempre soube

Tu prometeste, prometeste que voltavas
E que o amor ia encontrar-nos novamente.
Foi o que sempre pensei, acreditei.
Até lá, continuo de olhos fechados,
Adormecida e com a culpa de saber
Que isso nunca vai acontecer.
Conheço-te bem de mais.


- Não compreendo as mulheres bastante bem - respondeu.
- Meu caro Geraldo - disse - as mulheres estão feitas para serem amadas e não para serem compreendidas.
- Não posso amar sem ter confiança absoluta - replicou.
A Esfinge Sem Segredo por Oscar Wilde

1.4.09

O círculo perfeito

Apercebi-me da sorte que tenho, hoje. As típicas tardes passadas numa esplanada, com as pessoas do círculo, trazem ao de cima tudo aquilo que, no fundo, sabemos mas tentamos esconder:
- Olha para as pessoas à tua volta. São as mesmas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Vivem das aparências, do querer mostrar, vivem sem respeito ou um pingo de honestidade. E o que fazem? Falam, falam, falam ou antes, fingem, fingem, fingem.

A Carolina voltou. Com ela perto de nós sinto que tudo está como devia ser ou estar. O tempo também ajudou, muita reflexão, muitas coisas entaladas na garganta que tive que aprender a engolir. Reconstruí as bases, plantei de novo a chama. Hoje senti-me completa. A casa da Silvana, o refúgio perfeito das três, tão apaixonadas pelo "pouco" que têm e sem vergonha de expor os tão diferentes pensamentos.

Vou vivendo aos bocadinhos, dia após dia, sem criar grandes expectativas. Para quê? E não, não sou assim tão negativa, não estou sempre deprimida, eu não o sou. Vejo apenas o lado negativo, consigo exprimi-lo e deitá-lo fora por uns segundos enquanto escrevo. Este mundo é outra vida que crio, uma vida que vou tentar viver, de novo. O engraçado? Acabei de o anunciar no dia das mentiras.

Vamos ver no que dá.