30.11.09

9:30 pm

Hoje quis ficar na faculdade para não vir para casa. Hoje preferia ter mais oito horas de aulas seguidas, preferia ter feito uma frequência. Hoje quis que a viagem de comboio para casa demorasse, quis perder o autocarro. Hoje fiz de tudo para não me sentir sozinha. Hoje não quis ser fraca, mas parece que o fui e sou.

Ah. Viciei-me na poesia de William Blake.

26.11.09

Nada, acho eu.

Há tempo para tudo, há. Se antes olhava para o espelho à noite, agora tento entrar dentro da minha cabeça enquanto vou no comboio, por exemplo. Nunca pensei gostar tanto de andar de comboio, sentada ao pé da janela, especialmente quando é noite, a ver Lisboa iluminada. Tantas pessoas diferentes, cada uma a pensar em coisas opostas, provavelmente. Tal como eu. Nunca pensei que tivesse de dar um bocado de mim involuntariamente todos os dias. Nunca pensei estar sempre a pensar no passado, estar com constantes interrogações na minha cabeça e a querer controlar o futuro.
Onde é que encontro as sementes para plantar a minha motivação? Onde?

12.11.09

Pull yourself together back, Sophie

Todos os dias entro no blog e ponho-me a ler a página inicial. Leio e lamento a falta de coragem para escrever e deitar tudo cá para fora. Às vezes enquanto estou no comboio de manhã tenho uma ideia e penso "talvez seja melhor apontar no meu bloquinho para mais tarde desenvolver no blog". Mas não. O bloquinho não chega a ser aberto e a ideia não chega a sair da minha cabeça. E o engraçado é que acabei de entornar verniz vermelho em cima do meu edredom branco. Acho que isto já não sai. Acho que por mais que queira, não me vais sair da cabeça esta noite.
Hoje perguntaram-me, "Estás igual?". Respondi que sim sem pensar, mas provavelmente não estou, sei que a Sofia está aqui dentro, torta e distorcida com tanta coisa nova para assimilar. Sei que a Sofia tem voado muito alto e que hoje acabou de perder e apagar a lareira, acabou de perder todo o potencial para o que sempre acreditou poder ter com alguém. A Sofia pode agora sentir o Inverno que se aproxima.

Mas não quero apenas sentir as emoções. Quero pensar sobre elas e no que me leva a senti-las, no medicamento que me pode conduzir ao nada, que me pode levar ao apenas pensar.
Quero dar vida a este mundo que criei mesmo estando a viver esta não-vida, quero devolver a chama ao The World of Fia, ao meu mundo.

1.10.09

Lies.

Nunca mais quero pensar que a minha lareira é um ar condicionado em pleno Inverno. Não, não. Tenho que aceitar o que ela é para mim e aceitar que eu sou algo para ela. Está tudo aqui, um sentimento tão forte guardado dentro do meu peito. Não tem palavras, mas sei que, quando o sinto dentro de mim, um sorriso aparece automaticamente.

Aparte da lareira e das paredes da minha casa, descobri a minha almofada, que quero que seja sempre sincera. Será a minha almofada que estará algures, perto e longe.
Mas parece que tenho um "problema". Vou sempre duvidar de tudo o que me dizem, e só vou acreditar naquilo que sinto, depois de talvez analisar de mais o que não pode ser analisado. Um teste? Habituei-me a ser assim. Só quero ver, ouvir, sentir, saborear e respirar a verdade. Sempre, a verdade.

Vai estudar, Sofia. Deixa de pensar na verdade.

image from here.

28.9.09

At the day that I almost died*,

Tu estavas lá. Não foi a minha nova lareira, não. Foste tu. A pessoa com quem tenho a relação mais esquisita de sempre. A pessoa que me disse "às vezes acho que a nossa história ainda vai a meio." Gostando ou não, querendo ou não, acho que a tua presença não é controlada, por mim. Não sei se isso é bom ou mau, tenho essa dúvida bem presente. Mas estás aqui, porque sim.

We all want the same things don't we
To find the one who opens channels to our hearts
A path you never found upon your own.
Forever Can Be, Ashes Divide


*Chuva? Óleo na estrada? Acontece.

19.9.09

Look, it's the goodbye train.


- Vá... o comboio já vem aí.
O reencontro que durou tão pouco tempo. A distância não apagou nada, a verdade continua intacta. Os minutos de espera pelo comboio foram quase silenciosos. Não sei quando te volto a ver, mas sei que vais estar sempre aqui. Sei que quando passar sozinha pelos sítios por onde caminhámos vou ter um grande sorriso estampado na cara. Boas recordações.
- Adeus.

16.9.09

A casa.

Acendo o incenso, apago as luzes. O portátil já está em cima da cama. Afinal, era isto que sempre precisei para relaxar e deixar de pensar. Tento não me esquecer do que quero escrever, tenho ganhar coragem para o escrever. Acho que ainda não encontrei a minha casa, aqui. Lembro-me que uma vez lhe disse "a tua casa é onde estão as pessoas que fazem parte da tua vida."
Parte-me o coração saber que não estou contigo. Parte-me o coração ouvir-te dizer que passas pela minha antiga casa, desejosa de me encontrar lá. Custa-me saber que tenho uma vida completamente nova e não estás right here, with me. Vou perguntar-te se queres ser as paredes da minha casa. E acho que já encontrei uma lareira que parece não se apagar. Gosto dela.

- Se te desse um fósforo, acendias a chama?
- Acendia.
- E acendias-me?
- Achas que devia?
- Acender a minha chama? Depende do que entendes por ser o fogo dentro de alguém.
- Então eu sou o teu fogo.
- Se te der a mão somos "o" fogo.

27.8.09

This heart, it beats.

Quando o vento rodopia à minha volta, é porque finalmente, chegaste.
- Acorda, estou aqui. Fica com tudo.
Não precisei de falar, consegues perceber todas as minhas expressões. É por isso que me assustas. "Fecha os olhos outra vez", pensei. "Ele não te escolheu e tu não o escolheste". E vi a verdade nos seus olhos:
- Apaga a luz.
- Não quero ir contigo.

15.8.09

Paz

Ahm... Eu não consigo escrever como antes, esforço-me de mais. Nem no meu bloco de notas as palavras correm com naturalidade. Quero ver se compro outro antes de me ir embora. Nova etapa, nova vida. Continuo na mesma. Encontrei o que quero mas o que quero não me quer a mim. A vida não acaba aí. Não sinto remorsos, não me arrependo de nada. Estou feliz, em paz, mesmo sem aquilo que mais desejo.
Custa. Não quero que me digam que falta menos de uma semana para deixar tudo o que construí. Sim, vou ter metade das pessoas que estão na minha vida comigo, em Lisboa e em menos de um mês, mas não é a mesma coisa. Estou pronta para o desafio.
P.s.: O fantasma voltou. Ele encontra sempre o caminho até casa, o desgraçado.