20.4.10

The weirdest dreams

Será que vais dormir comigo hoje, também?
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.

15.4.10

Perdi o medo.

Rodrigo de Sá Nogueira Saraiva. Nunca tive coragem para lhe perguntar o que quer que fosse, não sei porquê. A verdade é que nunca tive um Professor que, de repente, falasse e respondesse a todas as questões em que há muito tempo penso e há muito me interessam. Hoje não me contive e, depois da aula, com as mãos a tremer, quis resolver o que tanto me tem perturbado e saiu algo, mais ou menos, parecido com isto:
- Professor... Se somos uma chave que consegue trancar-se por fora, que consegue eliminar o exterior quando precisa, então... Conseguimos trancar-nos por dentro? Conseguimos impedir o acesso à nossa mente? E mesmo que sim, se impedir o acesso à minha mente, a mim, o que é que eu sou?
A resposta? Guardei-a e vim a pensar nela no caminho para casa. É algo tão simples e talvez nunca lá cheguei porque tinha medo desses caminhos. Mas uma coisa é certa e óbvia, se eu não tiver um fio que me traga de volta à realidade, se desprender o meu corpo, se me desligar da mente sou... Silêncio, sou o nada.

12.4.10

Oh, shit.

Não me tinha passado pela cabeça que ia chegar a casa e não ia ter ninguém a quem dizer olá. Tenho saudades da minha mãe e ainda agora me despedi dela. Nem o Eddie está cá hoje, só volta na Quarta. Tenho saudades do pequeno coelhinho, do pequeno pedaço de vida que depende de mim.
*
Se não gostas de gostar de mim, em que andar ficas, afinal?

11.4.10

Outra vez?

Logo hoje que me vou embora não chove? Vou ter com a C. à Universidade, tenho de me despedir dela outra vez, quero ver uma cara conhecida antes de partir. Ai que dor na perna, será que foi da noite de Sexta? Toda a gente diz que não bati em nada, não caí, não levei nenhum pontapé, então porque é que acordei coxa ontem? Vá, tenta andar direito que ninguém repara. Oh boa, o portão do lado está fechado, vou dar a volta. São só mais dois meses provavelmente, o tempo passa rápido, é sempre a mesma conversa que no fundo só acalma. Não há lágrimas desta vez, não é preciso. Hum, já me despedi dos outros na Sexta, o que falta? Batatas fritas sim, vou andar mais um bocado até ao McDonald's, a perna aguenta. Já está mais frio, ficou vento de repente, estranho. Vazio, assim é que eu gosto, acho que tenho trocos suficientes. Batatas sem sal, ai tão bom, ai espera... está a chover. Espero? Não, vou a pé, devagarinho, comendo as minhas batatas, a pensar um bocadinho, a falar com os meus botões, a fazer a última caminhada. Pelo menos sinto-me bem nos dois sítios, nas duas casas que construi. Agora... agora está na hora de ir para o aeroporto, outra vez.

9.4.10

Where am I?,

É a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo. Claro que sei onde estou, lembro-me de quase tudo o que tenho feito, não consigo esquecer o que aconteceu, mas então... Porque é que tenho acordado desorientada?
Que dia é hoje? A Ana? Quem é a Ana? Eu disse isso? Tenho calor, dá-me aí o casaco que tenho frio.Falei contigo ontem? Pois, já não me lembrava.
Tenho-me concentrado tanto no problema que considero maior que me esqueço das pequenas coisas. Durmo para me calar, para o dia acabar rapidamente, para adormecer os pensamentos e para tentar anestesiar os sonhos. Anestesiar os sonhos? É impossível, claro.
Fartei-me de pensar na mesma coisa, de ler o bloquinho e ver sempre o mesmo tema, de olhar para a minha vida, ver tudo igual e não encontrar motivação minha para mudar. Não estou triste nem contente, estou...não sei, apenas estou e sinto-me bem com isso, mas não quero contaminar ninguém com o que quer que seja que se passa aqui dentro.

30.3.10

I give this part of me for you.

Já te dei uma parte de mim há muito tempo, tens vida no bloquinho.
Acendi uma vela hoje, para ti. Porque é que a chuva cai quando não queremos? Não há muita coisa que possa controlar, não há nada que queira fazer comigo mas sei o que quero em relação a ti. Será que... sou a tua casa também, quando estamos as duas em Lisboa a realizar o sonho?
Já tenho algo em que pensar a tarde toda, é o melhor que sei fazer. Hoje dominas-me a mente, Néné. Por mais que esteja lá em cima, completamente perdida aqui dentro sem vontade de pôr os pés no chão, tens a corda para me puxar para baixo, para me trazer de volta. Acho que és a única pessoa que a tem. Por isso é que acendi a vela. Por mais chuva que caia, acendi-te uma chama para subires bem alto. Vou estar aqui para segurar a tua corda, quero tentar tirar-te esse nevoeiro. É o mínimo que posso fazer.

28.3.10

Little C.

Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.

12.3.10

What's wrong Sophie?

Senta-te aqui, tenho algo para te contar. Já viveste de olhos fechados, todos os dias? O acordar deixa de ser o despertar para o mundo real, continua a ser um sonho desprovido de qualquer tipo de verdade. Se sim, diz-me como era esse teu sonho. Era cinzento como o meu? Nesse lugar onde estiveste, as coisas têm outro significado? E quando é que realmente, acordo? Já sei o que me vais responder e mesmo assim arrisco em bombardear-te com perguntas.
"Porque é que queres acordar, porque é que não aproveitas enquanto aí estás? Pára de pensar no fim".
Roubaste os meus verdadeiros olhos, lembraste? Foi o sonho mais estranho que já tive, nunca pensei sentir que tinhas contigo algo que me é tão precioso. Por isso é que está tudo cinzento aqui. Quando olho não consigo olhar verdadeiramente, estás a bloquear-me o caminho. Preciso de mim para saber se tu és realmente tu. Preciso de tudo o que tenho em mim para saber onde estás, agora.

15.2.10

As pessoas mudam sim. Eu não gosto da pessoa em que te tornaste, nada é como era. Já não há nada em comum. Vou esforçar-me para me dar bem por aqui porque o que deixei desse lado não é o mesmo. Acontece.