Antes
"Nunca poderei atrair o amanha".
Era escrava do dia-a-dia.
Perguntava-me se no fim do Outono estarias lá para me ir buscar.
A esperança foi-se.
A força de vontade foi-se.
Os motivos foram-se.
Mudaste-me.
As memórias estavam sempre presentes.
A estupidez apoderou-se das minhas palavras.
Tentava preservar apenas o que não me parecia contaminado em mim.
Caminhava sempre pelo mesmo passeio.
As mentiras preenchiam o vazio.
"Afastem-se, não se aproximem".
Depois
Fechei os buracos, tapei o poço.
Tento cobrir o que aconteceu.
Vivo para quem me é importante.
Vivo porque não tenho outro remédio.
Vivo para cuidar dos meus cds, caso contrário, quem cuidaria?
Objectivos? Não, só o presente. O futuro? Logo se vê.
Não faço o que eles fazem PONTO FINAL.
Já mudei, não vou mudar outra vez, apenas vou "limar-me".
"Porque ela é isto e ela é assado, é esquisita". Sou.
Também tenho pavor a multidões. E não consigo ser sociável.
Sou assim.
Sou feliz com estes dias lindos de Outono, cinzendos e frios.
Sou feliz dentro do meu círculo de protecção silencioso.
Ainda olho para todas as fotos perto da minha cama com esperança.
Tudo isto não vai durar muito tempo.
Apenas vou tentando ultrapassar.