Há uns dias, enquanto subia as escadas, deparei-me subitamente com um reflexo nos vidros manchados, uma rapariga que tomou a minha atenção com o seu cabelo escuro e olhar vago. Dei por mim a perguntar "quem é esta? Eu conheço-a de algum lado..." Segundos depois apercebi-me que era eu e lamentei a burrice da minha pergunta, burrice que preferi esquecer mas nunca me saiu da cabeça. Como é que não me consegui reconhecer? Vejo-me num espelho todos os dias, porque é que não me conheci? Ainda estou à procura da resposta.
P.S.: Sinceramente, uma das melhores maneiras de nos sentirmos livres nesta sociedade é não pensar e caminharmos lado a lado com a chuva, não sentindo medo do nosso cabelo ficar monstruoso, dos nossos pés ficarem frios que nem gelo ou de chegarmos ensopados a casa. Não ter medo dos relâmpagos, da trovoada que se fazia ouvir, da chuva ou de apanhar uma gripe. Tirei os óculos, guardei-os na mala e passei a não conhecer ninguém, apenas vi as suas caras enevoadas. Não via nada, ouvia bem alto os meus pensamentos e cada vez que uma gota de água me tocava sentia-me feliz.