29.6.08

26.6.08

Buraco

Estes dias têm sido tão difíceis para mim. Nunca pensei voltar a ter problemas de saúde como tive o ano passado, sempre pensei que tinha aprendido a minha lição. Pelos vistos não.

Estou farta de ouvir "isso são nervos Sofia", "vai comer Sofia!", "já comeste hoje? O que comeste? Quando comeste?". Não é a comida que me vai pôr um sorriso na cara. Pensar que estou assim só por causa da escola não é suficiente. Os exames deixaram-me fisicamente esgotada, enquanto que a ida dele e muitas outras coisas me deixaram abalada do ponto de vista emocional. Devo andar tão mal que o meu pai até me tentou animar com uma ida a Lisboa durante uma semana. Não animou.

Foi preciso a "Sil" tirar-me de casa ontem para me poder rir a vontade e não me sentir miserável, pelo menos por uma noite.


Só quero ter a realidade colada nas minhas costas, e não ter medo de me sentir desiludida ao esperar muito por parte dos outros, que, inconscientes, conseguem quebrar os meus frágeis sonhos com uma simples palavra. A culpa não é minha.

A minha vida neste momento é tão silenciosa, mas eu gosto dela assim. A negatividade voou pela janela e fiquei com um buraco cá dentro que só ele pode preencher.

11.6.08

"Falas sem te conhecer de cor"

Hoje enquanto esperava o tempo sentada no sofá, tentei concentrar-me na minha visão. Tirei os óculos, pousei-os ao meu lado, quase nada via. Cruzei as pernas, parei para ouvir o que dizia a mim própria, abstraí-me e voei. Apercebi-me que nada restava sem ser os sorrisos diários para encobrir o medo que nem eu nem ninguém sabe explicar.
A minha vontade não é suficiente e o meu inconsciente faz-me recuar. Mas eu quero.
Se calhar não o quero com todas as minhas forças, se calhar existem muitos "ses" que ainda passeiam na minha cabeça. Pela primeira vez não sinto receio em dizer "não sei".
Só quero ver por mim própria, sentir a minha alma, sentir-me viva, tornar-me útil, arriscar, observar, reflectir e abrir a bolha à minha volta, conhecer o que ainda não conheci e que está dentro de mim, quero ter a certeza que não falo sem me conhecer de cor.