23.6.09

Vou fugir.

Supostamente eu devia estar feliz. Tê-la comigo é a única coisa que realmente importa. Pensava que o vazio que sinto era causado pela ansiedade, que o silêncio em que vivo era passageiro e que, quando os exames acabassem, iria sentir-me livre. Eu penso muito.
Vou culpar-me até ao fim dos meus dias por tudo o que me acontece, que ultimamente tem sido mau. Tenho tantas máscaras, para quê? Desde que ele me deixou, a Sofia desapareceu, sinceramente não sei quem ela é. Apercebi-me que, aqui, nesta vida que aparentemente é minha, sou apenas uma fase na vida dos outros, que passam rapidamente pela minha, deixando-me sem nada.
Mas eu não estou sozinha. Tenho vivido com um fantasma que se apoderou de todos os meus pensamentos. Bons, mas que já não são meus. Dou por mim a acordar de madrugada e a escrever sobre ele. Consigo sentir o seu cheiro mesmo quando não está por perto e consigo senti-lo dentro de mim. Tenho medo, não deste fantasma, mas de não o ter e de viver presa a algo que não consigo controlar e que veio para ficar. A minha vida está a girar à volta de algo que não percebo.
Eu quero ter a Sofia outra vez comigo. Quero construir a minha confiança e ter a certeza que não fiz nada de errado. Parece que, para ficar, tenho que partir.