20.2.11

Apenas é.

Hoje entalei um dedo ao abrir a janela. Está inchado e vermelho. Dói. Há uns tempos entalei-o enquanto fechava uma gaveta. Sabe-se lá porquê não me lembrei de tirar a mão enquanto a fechava. Nunca fui boa a medir as distâncias. Isso fez com que uma vez partisse uns óculos acabadinhos de comprar porque me virei demasiado cedo na esquina do corredor. Fiquei com a testa dorida. Ter nódoas negras nos joelhos é normal. Tropeçar nas escadas também. Torcer os pés é um ritual. Quando saio sozinha tenho de estar mais atenta que o habitual. No fundo tento mas não consigo. Se sei que quero apanhar o metro no sentido de Santa Apolónia dou por mim e estou a ir em direcção a Amadora Este. No início achava engraçado mas perder tempo a trocar de sentido ou de linha porque não estava com atenção já não tem piada nenhuma. Antes de sair de casa verifico várias vezes se tenho tudo o que preciso. Esqueço-me sempre de alguma coisa. Confiro pelo menos três vezes se coloquei o despertador na hora certa. Tomar medicamentos a horas é um sonho. Mas acho que é isso que faz de mim a Sofia, esquecida, aérea. Perdida algures. Há uns dias disseram-me que estava menos surda. Sei que não é uma questão de estar a ouvir melhor, mas sim de estar mais atenta ao que me dizem, a tudo. E gosto disso.