21.7.12

O meu mundo

Anda perdido. Não é bem perdido, mas anda por aí, a fazer o nada. Anda a existir sem pensar, a agir por impulso e a aproveitar as percepções que normalmente passam despercebidas, sabe-se lá bem porquê.  Existem férias para a mente? Não, mas quero pensar que sim.

20.6.12

#15

Sinto que não tenho casa, nada é meu. Nem o meu corpo consigo habitar. Sei que quero sair, não sei é para onde ir.

4.6.12

#14


Eu hoje precisava de um abraço. De saber que estou a fazer tudo certo, de saber que existo. O mais interessante nessas constatações existenciais é que descobrimos que existimos para as pessoas mais inesperadas, que reparam que não estamos bem. Pessoas com quem não temos grande afinidade e cortam caminho só para saberem se precisamos de alguma coisa ou para nos darem uma energia positiva, sem palavras. E isto ao contrário daqueles a quem damos tudo, várias hipóteses porque hey, não existem pessoas assim tão narcísicas, todos temos algo de bom. Isso não sei sinceramente, mas sei o que não sei. Não sei como é possível ver alguém triste e não tentar dar-lhe um sorriso, não sei como é possível ver alguém de lágrimas nos olhos e não lhe dar a mão, não sei como é possível não ligar à tristeza dos outros porque a nossa felicidade é que é mais importante. Hoje vi todos os meus defeitos, medos e inseguranças virem ao de cima e, mesmo assim, continuo a acreditar que isto não é uma utopia. Querer ver os outros felizes não pode, nunca, ser uma utopia.

2.6.12

Falta-me um filtro,

Ou talvez paciência para guardar as coisas todas cá dentro. O que entra e cai mal sai logo, tem de sair para que não se torne num peso desnecessário. Essa espontaneidade é que pode não cair bem nos outros, mas existem desculpas que justifiquem a burrice consciente, a estupidez? Não, existe é paciência para as tolerar. É pena ainda não terem inventado o botão off para a audição, era algo de genial.

20.5.12

#13

Quando dizemos que as coisas vão ficar bem, que tudo vai ficar bem, nós sabemos o que é preciso para que fiquem bem? Sabemos o que é ficar bem? E se descobrirmos todos os ingredientes e, mesmo assim, nada estiver bem, dentro de nós? O que é isso?

19.5.12

Não gosto do que a maioria das pessoas gosta,

E não devia sentir-me mal por isso. Talvez também não devia ser julgada por isso. Como é que podemos mudar algo que não gostamos mesmo? Há limites nesse sentido? Acho que sim. Se não gostamos de chuva não vamos para o meio da rua apanhá-la na cara só para ver se passamos a gostar. Se nunca gostámos de cebola não a vamos comer às colheres até não pudermos com o cheiro ou com o simples pensamento de uma simples cebola. Ou seja, há coisas que são e simplesmente são, gastamos demasiada energia a tentar mudá-las para que os outros gostem mais de nós. Devíamos focar-nos no que temos em comum, talvez isso baste. O rumo das coisas poderia ser completamente diferente, se se focassem no que eu tenho em comum, porque já me cansei de tentar mudar diferenças que não têm mal nenhum.

16.5.12

Há sempre coisas que preferimos não saber

Mas será que preferimos mesmo? Não consigo, a curiosidade mata-me, há sempre uma esperança em ouvir o que queremos, as coisas boas. Mas respostas que mais temo em ler teimam em sair, de ti. No fundo quero ser mais do que te sou agora. No meio de tantas fantasias e devaneios, não consigo distinguir o que foi real do que eu própria imaginei. Será que vi mal? Será que te senti como não devia? Mas eu lembro-me de te observar quando não estavas a olhar, lembro-me de negar conscientemente os sinais, as coisas boas que me davas, porque eram boas de mais para mim. Eras perfeito de mais, para uma mulher como eu. Tudo o que me querias transmitir foi transformado. Agora o que eu vejo de nós é o quê? O que vi, vi mesmo ou distorci? E vou acreditar em que imagem afinal? Com tudo isto, duvido que me queiras. Logo a mim. Não sei, não sei se me vês da mesma maneira, essa mesma que eu não consigo provar que seja verdade. Porque para isso teria de te perguntar, e não quero ler mais aquelas tais respostas que mais temo em ler, de ti.

20.4.12

Certo?

Tenho saudades do que éramos, todos, das pessoas que éramos. Agora não tem piada. Agora cada um tem a sua vida e não há tempo para querer saber como corre a dos outros. Eu gostava de saber, a sério que gostava, mas quando é que as tentativas acabam? Quando não há vontade de receber silêncio em troca. Primeiro desculpa-se, depois começa a magoar, e no fim a burrice é nossa. Neste caso, minha. É só com a minha vida que tenho de me preocupar. Certo? Não, tudo menos certo, estou revoltada com a burrice, com tudo, com o ter que ser assim. Não tem. Nunca teve, nunca foi e não quero que seja. O que é que mais uns silêncios me podem fazer afinal? Mal.

24.3.12

Perfeição, sim ou não?

Não quero ser uma daquelas mulheres amarguradas, que vive sempre com o coração partido. Porque quando o começo a juntar e a fazer planos, quando começo a andar sem ajuda e a acreditar que sou capaz, que consigo e que de burra não tenho nada, ele parte-se. Porque não percebo o que é que falta no meu Eu para que quem eu quero repare em mim. Ou quem eu antes quis, ou quem eu quererei. Acredito que falta qualquer coisa, tem de faltar, e se for esse o caso acho que me vou matar à procura do ingrediente que me torne perfeita, pelo menos aos meus olhos, tenho de ser perfeita. Quero ser perfeita. Quando o conseguir, talvez consiga aceitar melhor todos estes buracos. Quando chegar à perfeição, conseguirei viver sozinha, comigo.