31.7.08

Entre dois mundos

- Alô?
- Sim?
- Sofia? Estás viva!? Porque não atendias o telefone?
- Não sabia onde o tinha deixado.
- Fiquei preocupada. Pensava que te tinha ensinado a nunca o largares, tal como o teu coração.
- Mas sabes que podes sempre falar com o meu coração. Está sempre aberto para ti.
- Eu sei.
- Basta olhares para o céu todas as noites e sentires o vento.
- Regaste a minha rosa?
- Acalma-te.
- Regaste?
- Sim. Fiz tudo o que me pediste e apenas tentei fechar a rotina. Tentei fazer algo por mim.
- Conseguiste?
- Consegui. Comecei a pensar por mim novamente, a chegar a novas conclusões.
- Onde chegaste?
- Ao princípio de tudo, ao princípio do meu mundo.

24.7.08

Descobri o segredo

Viajei sozinha. Posso nunca mais conseguir voltar a fazê-lo, esta pode ser a última vez, mas consegui navegar directamente para dentro do meu coração, iluminando lugares onde nunca estive antes. Bastou-me ter vontade de sentir, e descobri que o meu coração é diferente. É meu.

22.7.08

Aprendi.

Tudo o que escrevo é tão vago, tão simples mas ao mesmo tempo tão completo. Sempre pensei que nunca conseguia escrever tudo o que sentia. Agora sei que não consigo mesmo.
Parece que obrigo os pensamentos a organizarem-se e saírem-me pelas mãos em forma de palavras. Já não consigo olhar para dentro de mim, quanto mais entrar no meu coração. Pensar passou a ser algo confuso sem saída, sem um caminho certo que eu possa tomar e orgulhar-me de o ter feito.
Mas quem é que consegue parar de pensar? Quem é que não pensa? Há pessoas que pensam de mais. Eu sou uma dessas pessoas. Mas porquê?
Se calhar é por causa da minha infância. Desde cedo me habituei a estar sozinha, a brincar sozinha, a ser a Sofia. Lembro-me que me fechava no quarto horas a fio, lembro-me que passava os dias a ler porque estava sozinha. Tinha de me ocupar com alguma coisa. Se calhar foi por estar sozinha que nunca fui muito sociável. Era eu. Mas sou eu? Não. Apesar da minha infância me ter influenciado, aprendi a ser diferente. O meio onde estou inserida modificou-me. Eu estou em constante mudança.

20.7.08

"Tu és a metade do vocês"

Nunca me tinha apercebido disso. O Helder diz coisas acertadas.
Agora faço parte de algo, que apesar de poder não existir, me conforta.

11.7.08

Resposta

Encontrei a flor que tanto procurava.
Encontrei-a no paraíso.
Estou em paz.

10.7.08

Novos factos:

- Sou feita de pedra.
- Ando confusa e a minha cabeça não pára.
- Os meus pensamentos parecem aviões a jacto.
- Do que gosto? Não sei. Não sei nada, não sei quem realmente sou.
- Tudo o que me dizem entra por um ouvido e sai pelo outro.
- Sonhar só me faz mal, pôr mãos à obra ainda pior.

Resumindo: estou num estado espectacular! Sempre disse que se não tiver futuro, não tenho presente, e agora não sei qual é o meu futuro, se sei, está bem longe. Sou tão nova e dão-me decisões que são impossíveis tomar de cabeça leve... decisões que não consigo tomar.
É tudo tão estúpido que culpo-me por me deixar levar nestas marés.

29.6.08

26.6.08

Buraco

Estes dias têm sido tão difíceis para mim. Nunca pensei voltar a ter problemas de saúde como tive o ano passado, sempre pensei que tinha aprendido a minha lição. Pelos vistos não.

Estou farta de ouvir "isso são nervos Sofia", "vai comer Sofia!", "já comeste hoje? O que comeste? Quando comeste?". Não é a comida que me vai pôr um sorriso na cara. Pensar que estou assim só por causa da escola não é suficiente. Os exames deixaram-me fisicamente esgotada, enquanto que a ida dele e muitas outras coisas me deixaram abalada do ponto de vista emocional. Devo andar tão mal que o meu pai até me tentou animar com uma ida a Lisboa durante uma semana. Não animou.

Foi preciso a "Sil" tirar-me de casa ontem para me poder rir a vontade e não me sentir miserável, pelo menos por uma noite.


Só quero ter a realidade colada nas minhas costas, e não ter medo de me sentir desiludida ao esperar muito por parte dos outros, que, inconscientes, conseguem quebrar os meus frágeis sonhos com uma simples palavra. A culpa não é minha.

A minha vida neste momento é tão silenciosa, mas eu gosto dela assim. A negatividade voou pela janela e fiquei com um buraco cá dentro que só ele pode preencher.

11.6.08

"Falas sem te conhecer de cor"

Hoje enquanto esperava o tempo sentada no sofá, tentei concentrar-me na minha visão. Tirei os óculos, pousei-os ao meu lado, quase nada via. Cruzei as pernas, parei para ouvir o que dizia a mim própria, abstraí-me e voei. Apercebi-me que nada restava sem ser os sorrisos diários para encobrir o medo que nem eu nem ninguém sabe explicar.
A minha vontade não é suficiente e o meu inconsciente faz-me recuar. Mas eu quero.
Se calhar não o quero com todas as minhas forças, se calhar existem muitos "ses" que ainda passeiam na minha cabeça. Pela primeira vez não sinto receio em dizer "não sei".
Só quero ver por mim própria, sentir a minha alma, sentir-me viva, tornar-me útil, arriscar, observar, reflectir e abrir a bolha à minha volta, conhecer o que ainda não conheci e que está dentro de mim, quero ter a certeza que não falo sem me conhecer de cor.