Lisboa, Paris, Estrasburgo. Vou com duas das pessoas mais importantes do meu mundo. Vou-me embora, não sei se me vai fazer bem ou mal e não deixo nada atrás, tenho o meu coração comigo.
Ontem caiu uma bomba dentro da minha cabeça, mas estou calma, aprendi a controlar-me, tentei abstrair-me, fiquei aérea e silenciosa. Mas não estou sempre assim? Foi apenas uma bomba de verdade, que no fundo eu conhecia. Porquê? Porque apercebi-me que não acredito nas palavras das pessoas, não consigo. Quando só tenho as suas palavras e não as consigo observar, perco-me. Um simples desvio de olhar aliado a uma palavra solta pode dizer-me o tudo. É o constante problema do respeito, sinceridade e sensibilidade que dizem ter, mas não conseguem agir de acordo com os seus princípios. A Sofia perdeu a confiança em quem definitivamente não importa e não a conhece.
O dia de ontem foi apenas mais um dia, estava com os pés em terra mas não estava, não queria ir para casa, não queria estar onde estava, tinha fome mas não tinha, queria rir mas não tinha paciência para o fazer. Mas será que estava triste? Não. Desapontada e entre dois mundos.
E no meio de tanta verdade deixei a Silvana preocupada, e isso mata-me por dentro. Ela é-me tão importante que não a quero, nunca, magoar. A primeira coisa que vou fazer quando a vir no aeroporto é dar-lhe o abraço que ela merece.
Voltarei no Domingo. Ou não.