5.1.09

Porque é que tenho vergonha?

- Sofia, vem jantar.
- Não quero.
- Porquê?
- Não tenho fome, não me apetece.
- Tens vergonha do quê? Somos a tua família, não tens que ter vergonha.

Os momentos felizes e positivos são tão escassos que nunca tinha pensado em escrevê-los antes. Às vezes passam a correr e nem reparo, mas prefiro guardá-los. Mas guardar o quê?
O gozo que me dá encher o meu irmão de cócegas e a alegria de o ver rir. Tentar cozinhar algo comestível e esperar por um bom elogio da minha mãe. Sair com o meu tio e admirá-lo, sabendo que ele vai estar sempre aqui para me fazer sorrir. Ver o meu pai bem disposto. Ir beber um chá de palhinha com a Carolina e a Silvana e rir-me quando a Carolina se engasga sem saber porquê. Ah e as nossas paranóias , os nossos sonhos de adolescentes e as histórias que temos para contar quando nos juntamos. Ter conversas que me inspiram com o André. Passear com as Gémeas e falar sobre tudo e mais alguma coisa. Chatear o João e chamá-lo de Cagalhão (desculpa). Ouvir as teorias da Matias e estar feliz porque ela está feliz. As tardes de Verão que passava a falar com o Helder que me consegue animar sempre.
Só? O resto está bem guardado dentro de mim.