E que ano. Bati no fundo, acordei todos os dias a tentar convencer-me que era forte, que as escolhas que fiz eram as mais acertadas e, bem, se não foram aceitei-as e aprendi. Fiz quase tudo o que queria, vi as bandas que acompanho desde miúda, tive sete amigdalites e nenhuma gripe. O Eddie tornou-se parte da família, a casa ainda continua à venda, logo, ainda não me mudei definitivamente para Lisboa. Passei a todas as cadeiras com uma média razoável, consegui fazer todos os exames em primeira fase para ter mais tempo de férias, fartei-me de tudo e de todos e, mesmo assim, continuei a trabalhar este semestre, mesmo quando o que apetecia era ficar em casa. Tirei a carta de condução em dois meses sabe-se lá como e hoje sou a condutora mais distraída de sempre (quero acreditar que com a prática as pessoas deixam de ter medo de andar comigo no carro). Se em 2009 não percebia o que se passava comigo, em 2010 o problema não podia ser mais claro, admiti-o e procurei ajuda, pelo que em 2011 quero acreditar que vou ficar bem comigo própria. O estranho é que... faltam duas horas para 2011, e nessas duas horas recebi as melhores notícias de sempre... uma proposta de emprego e a bolsa de estudo. Isto aconteceu? Quer dizer, essas coisas acontecem, comigo? Parece que sim, parece que nem tudo é mau e se acordei a sentir-me uma merda por ter de passar o dia a estudar, agora estou quentinha quentinha. Estou curiosa em relação ao que aí vem, louca para acabar a fase de exames e enfiar-me em São Miguel para pôr a cabeça em ordem e saber o que vou fazer da vidinha daqui em diante. Posso ter escrito isto tudo, mas a ideia principal e a única coisa que me resta dizer é feliz ano novo, minha gente :)
31.12.10
30.12.10
16.12.10
Nothing seems to be right.
- Porque é que dizes isso?
- Não estou bem, outra vez. Só isso.
- Mas porquê?
- Pensei de mais.
- Não estou bem, outra vez. Só isso.
- Mas porquê?
- Pensei de mais.
11.12.10
O barquinho
4.12.10
Conversas ao acaso
- Tens a certeza que ele é o tal?
- Não sei. Mas estou a dar um passo no escuro, a saltar sem saber se vou, de certo, cair. O amor é isso não é? Sei que vou dar-lhe o meu coração, a minha atenção, aliás, vou dar-lhe tudo o que tenho sem saber se vou receber o mesmo em troca... Mas por ele sei que vou ao fim do mundo e não tenho medo de não voltar. Sei que por ele, vale a pena tentar.
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2.12.10
O melhor método de trabalho de todo o sempre
- Ih vá, toca a ligar o computador, vou ver os emails, ver as notícias no sapo. Já abri o caderno, epá que seca o que é que vou escrever sobre isto? Como é que vou começar o relatório, possas? Ai que giro só neve, só neve. A rapariga na mesa da frente já se calava mas pronto. Vou abrir o documento, a capa ficou bem fofa. Quebra de página, sim, vamos lá Sofia!
[5 minutos depois]
- Estou cansada bolas, mas acho que faz sentido. 4 linhas?! Só escrevi 4 linhas?! Vou ver vídeos no Youtube, para ver se arejo.
1.12.10
O que é que ela respondeu?
Entrei na casa de banho e tranquei a porta. Sabia que te ia acordar ao ouvires o som da água a cair em mim, sabia que ias tentar entrar para falar comigo. Preciso de relaxar, de saber que posso estar aqui e que não vais entrar, em mim. Porque é que haverias de ter feito aquilo? Peço-te um beijo e desvias a cara com um olhar de nojo como se nunca me tivesses visto, como se eu te fosse completamente estranha. O que é que te fiz afinal se estava tudo tão perfeito? Doeu, sei que doeu e não sei em que andar estamos agora. Agora? Agora estou a tomar um duche, sei que sim, e sei que quando desligar a água vou ouvir-te a bater à porta e que não posso ficar aqui fechada para sempre. Já estás a bater, o que é diferente.
- Sofia, abre a porta.
Vou ter de te ouvir... Porém, que verdade é que me podes oferecer que seja realmente a verdade? O que é que pode justificar tal comportamento? Nada, simplesmente nada. Acho que chegámos ao fim e não sei porquê.
Abri a porta e fiquei calada. Não tenho nada para dizer, o mínimo que posso fazer é ouvir e magoar-me mais, sentir o meu coração ficar cada vez mais pesado e frio.
Pôs as mãos na minha cara, senti-o quente, a ganhar coragem, e falou-me olhos nos olhos:
- Eu amo-te, sei que parece que é mentira, mas é verdade, sabes que é. Nunca senti tanto medo de perder alguém, sempre fui livre mas agora não o sou, sou teu, e tu és minha. Mas... e se um dia um de nós se for embora? E se um dia tiver de viver sem ti? Não consigo, pensei que talvez fosse melhor separar-me agora mas isso é simplesmente estúpido, se quero estar contigo, se sou feliz assim, é perto de ti que tenho de ficar. Fala, podes falar, estou aqui.
Abracei-o com toda a força que tinha. Espancá-lo, era o que devia fazer, mas este calor é nosso, sendo-me tóxico ou não.
- Eu...
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28.11.10
Dói-me a cabeça.
Quero ficar o dia todo a dormir enrolada no cobertor, aliás, quero ficar o dia de hoje, o de amanhã e até ao final do mês. Tanto trabalho para fazer e não adianto nada, não tenho paciência sequer. Falta de vontade é isso, é saber que tudo o que queria já passou, o saber que agora tenho de arranjar outra motivação para aguentar mais uma semana. Mas o que passou... soube bem, foi uma noite quente que já... passou.
When my heart stops
Will my wings unfold ?
Did you know that I had no one but you?
(...)
So I...
Sold my love
Forgot the vow
It feels like nothing comes to mind
I pull the weight and sing
That there's a new cloud over my grave
Now I know
That it'd kill me when I could not have you
Sold my heart
Sold my love
Forgot the vow
It feels like nothing comes to mind
I pull the weight and sing
That there's a new cloud over my grave
Now I know
That it'd kill me when I could not have you
Sold my heart
27.11.10
22.11.10
Inconscientemente, és. Parte II
A Sofia está, de facto, ansiosa para dormir hoje, sim! Há um final feliz para acabar nos sonhos. Há um novo inconsciente para viver todas as noites e hoje sim, estou curiosa para ver o que acontece porque tenho muitas palavras para te sussurrar em forma de frases. Se acordar vazia de novo não faz mal, é só mais um dia no meio de muitos. É isso, hoje sinto-me assim, que apenas sim.
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21.11.10
Inconscientemente, és. Parte I
Acordo com a mesma mensagem todas as manhãs a deambular na minha mente, com o peito frio, vazio, sem nada. Sei que quando adormecer a história é outra mas as personagens são as mesmas, tu e eu, no mesmo sonho, todas as noites, com o mesmo desprezo, dentro de mim. Acordo sempre antes de acontecer um final feliz, talvez porque ainda não tenha acontecido no mundo real. O meu inconsciente está tão vivo, a falar tão alto que só um surdo não o ouve. Até despir este medo e ficar somente com uma verdade destemida, tudo vai continuar assim. Sei que já me perdi em ti mas temo ir mais longe e não encontrar o caminho de volta até mim.
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20.11.10
13.11.10
Ora sigam lá o meu raciocínio,
Se eu durmo entre 10 a 13 horas por noite logo, sono é o que tenho para dar e vender, e tenho ataques de nervos durante o dia, porque é que o médico me manda tomar calmantes à noite para dormir melhor?
10.11.10
5.11.10
Ciclo.
Fui invisível. Agora não o sou. Porquê? Não posso apagar as pessoas, ou será que posso? Quando não estão presentes fisicamente estas tornam-se simples sombras no pensamento... mas estão presentes de certa forma, no nosso Eu. Não posso ignorar porque não posso deixar de ver, mas existem limites, certo? Apenas mostramos aquilo que queremos. Sempre fui o meu próprio advogado de acusação e ele agora diz-me que fiz o que estava certo. Há limites em todas as relações e, nunca mais, me entrego a ti.
Acho que ele está de volta à minha vida,
E eu não podia estar mais feliz com isso.
O peso no coração desapareceu,
A necessidade de pedir desculpa voou e,
Com uma chama renovada, o meu sono voltou.
Sou o teu fantasma agora, não me vou embora.
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3.11.10
1.11.10
Lazy Mondays (?)
Desligar o telemó
vel? Não, podes tentar falar comigo. Que disparate, mandei-te embora, corri com o teu coração, não ias falar comigo. Então... e se eu falar contigo? Não, não, não me ias querer ouvir. Largaste uma bomba e eu larguei outra, parece que gostamos de nos desfazer em pedaços. A diferença é que pediste desculpa e eu não. A diferença é que acordo todos os dias a pensar em como fazer com que oiças essa palavra da minha boca.
Vou desligar o telemóvel.
30.10.10
26.10.10
O Eddie está doente,
- Se um dia ele me falta, não sei o que vou fazer.
O bom é que continua com energia, a dar os pinotes, os mortais e a correr a meia-maratona, mas amanhã vai direitinho ao veterinário, mal eu acabe de apresentar o trabalho que supostamente devia estar agora a treinar.
O meu coelho é-me mais importante, e, se ele quer estar aqui a cheirar o ecrã do computador e a dar-me beijinhos, então é aqui que vou ficar... Ao pé dele. O trabalho pode esperar.
Sei que não sou louca quando não sou a única a ver algo profundamente irreal. Não me sinto sozinha, tenho quem veja o mesmo que eu, tenho quem sinta as mesmas frustrações, os mesmos medos. Assim, partilho uma loucura que aparentemente é normal e sei que não sou, mesmo, burra.
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17.10.10
Parece que cresci e me esqueci.
Estou cansada, acordo exausta.
Ao meu coração só me resta pedir desculpa, ando a esforçá-lo demais.
Não tenho um Sol para te avivar mas és meu, coração.
Quer eu queira ou não.
8.10.10
Suddenly life has no meaning.
Estou há quatro dias a acordar com uma música que sempre significou muito para o meu suposto eu, mesmo quando sabia que ainda eras meu. Há vezes em que penso que a bomba que larguei em ti foi a melhor coisa que fiz, mesmo tendo-a atirado de olhos fechados. Afinal, sempre fui o teu porto seguro e vice-versa. Porque a Sofia é a Sofia, tirei o coração, engoli a seco e afastei a minha casa, afastei-te de mim. Se é o melhor então porque é que, quando todas as outras chamas se vão embora, a tua fica? Se é o melhor porque é que, após 655 dias do primeiro fim, ainda te quero, aqui? És a maior contradição, em mim.
*
Quando olho para isto tudo só vejo negatividade elevada a três mil e quinhentos. Mas é isso que realmente vejo, tentar mudá-la de sítio quando é em mim que ela pertence e deve sempre pertencer é absurdo. Sim, este mundo da Sofia pode contaminar-vos a todos com o pior que há, mas não é essa verdade que observo. O que eu quero e espero, sempre, é que o mais íntimo pensamento, muitas vezes inconsciente, passe por aqui e vos toque. É esse pensamento transformado em palavras escritas que desperta as mais diversas emoções que quero transmitir e fazer passar, quase que puras. Por isso quando me dizem "Identifico-me com o que escreveste" fico feliz ou 'quentinha', como costumo dizer, porque é essa a prova, para mim, que o que está aqui escrito pode muito bem estar dentro de qualquer um.
30.9.10
A Sofia e as crianças
- Toiro, toiro, toirooo!
- Não Martim, é um coelho.
- Êlho?
- Coelho, sim. Chama-se Eddie. Chama-o que ele vem ter contigo.
- Eddie! Eddie! - Dizia ele aos pulos e eu fiquei feliz da vida porque consegui que distinguisse o Eddie de um toiro. Fiquei feliz sim, porque segundos depois:
- Eddie... Toiro, toiro!
É verdade que não tenho muita paciência para as crianças, aliás, nunca tive. Mas nem todas são iguais e de certo modo, dão-me gozo, deixam-me quente. Com o quê? Gosto da espontaneidade e de observar uma criatividade que parece que não tem fim. Têm aquilo que eu gostava de ter agora... Energia para dar e vender, sorrisos puros e, simplesmente, a verdade.
23.9.10
Estás triste?
Duas semanas sem contacto, de desintoxicação de alguém que, até hoje, foi o meu maior vício. Triste? Não.
21.9.10
Dia longo
Acordar às 8 para apanhar o comboio às 9 e conseguir tratar dos papéis para a Bolsa de Estudo pelas 10 da manhã. Boa, sou a senha número 34 e o ecrã tem um 2 e um 0. Já passa das 11, corrida até Santa Apolónia para conseguir ir almoçar com a Mãe e descontrair na Graça. 12:30, tomar café à Baixa? Sim, soa-me bem, é só apanhar o metro e encontramo-nos no Brown's dentro de 15 minutos (o caraças, 15 minutos é igual a meia hora de atraso). "Epá, há uma loja na Graça que tem brincos e colares lindos. Vamos?" Acabei de vir de lá, mas vamos sim, ainda são 13:30, só que tenho aula às 15, não nos podemos demorar. Porra que o eléctrico está cheio, e agora? Autocarro sim. 14:00 e a loja é linda, o paraíso e merda que estou em contenção de despesas. Vamos andando para Santa Apolónia para apanhar o metro? Sim sim, mas para onde fica Santa Apolónia? Boa questão, de facto. 14:30 e vamos a pé da Graça até à Baixa, é sempre a descer não é verdade? Claro que cheguei atrasada à Faculdade, amarela e com securas. Com o coração a bater a mil à hora para nada porque hey, não houve aula. E agora? Agora Sofia vais apanhar o metro, para apanhar o comboio e depois o autocarro para chegares a casa e finalmente, mais tarde, descansares a cabeça. Óbvio que não aconteceu. Tive de correr atrás do coelho para lhe arrancar fita-cola dos bigodes (Sim sim, fita-cola bem colada sabe-se lá como e onde é que ele enfiou o focinho), o que se revelou ser uma tarefa quase que impossível.
*
Têm sido raros os dias mais atarefados. Quando finalmente paro sussurro "quero silêncio, preciso de não fazer nada"... e quando estou a fazer o nada grito "preciso de ter uma vida para viver e deixar de pensar". Incrível como algo tem de estar sempre mal, para mim.
19.8.10
As if by magic...

- Se a magia funcionasse, fazia com que me desses a mão.
- Só isso?
- Só isso?
- Se isso acontecesse significava que estavas ao meu lado, e que ia sentir-te, ia sentir alguma coisa, pelo menos.
- Isso fazia com que ficasses feliz?
- Por agora, sim.
16.8.10
My dear heart,
Nunca deixes de sentir o fogo como se fosse quente, deixa de confundir a chama com gelo. Se um sorriso fugir quando ele te toca, não o escondas, deixa-o sair, puro. Se ainda rodopias por entre estrelas quando o vês, está na hora de pensar em tornar verdade todos os pensamentos que foram durante anos reprimidos. Está na hora, meu pequeno coração.
3.8.10
Screaming in the dark, I howl when we're apart.

Tenho todas as melodias comigo quando acordo, mesmo quando não estás comigo. Viver é o sonho, pelo menos é o que dizem. Aqui a lua brilha de dia e o sol à noite. Ao andar por estes caminhos nada é o mesmo, há um frio que me aquece através de todos os seres vivos, de tudo o que respira. Os mais puros diamantes estão no sorriso de cada um, são uma força comum. Mas... Se tudo é assim, porque é que os pássaros morrem à minha porta? Ela não está fechada, nunca esteve, para ti.
Imagem daqui.
15.7.10
Liars and lovers
- És um amante ou um mentiroso?
- Sabes a resposta, porque é que perguntas?
- Não consigo sentir se és sincero o suficiente.
- Sou um mentiroso porque nunca te disse que te amava e sempre me convenci do contrário. Sou os dois ao mesmo tempo, pelo que parece.
- Sabes a resposta, porque é que perguntas?
- Não consigo sentir se és sincero o suficiente.
- Sou um mentiroso porque nunca te disse que te amava e sempre me convenci do contrário. Sou os dois ao mesmo tempo, pelo que parece.
14.7.10
7.7.10
Mountains,
"Lets dive, I want to dive to the bottom of the ocean.
I took a ride, I took a ride, I wouldn't go there without you.
Lets take a ride, we'll take a ride. I wouldn't leave here without you.
Não me vou embora sem ti, mas... consegues ir sem mim?
I think I'm losing where you end and I begin.
É difícil não me viciar quando algo é mútuo, é difícil enxotar um pensamento quando o sinto. Tudo começou rápido de mais e sei que depressa acabará, nunca vi o contrário. Porém, se sei que há um fim, devo apreciar-te ainda mais?
Sempre gostei de me perder em ti.
19.6.10
5.6.10
Por onde andas, Sofia?

Esgotei todos os sítios possíveis para esconder o meu pequeno coração e agora que o tenho nas mãos não sei o que fazer com ele. Ouvi-lo tornou-se o mesmo que falar com um desconhecido que me sussurra ao ouvido e me conta histórias absurdas com palavras que não conheço. Pensar no que o meu coração era antes é o mesmo que nada, sei que tive uma chama, uma lareira que se tornou puro gelo. Não perdi a minha essência, sempre foi algo que nunca esteve muito claro, que variava consoante a minha disposição, tal como todas as minhas verdades puramente contaminadas com a maneira como me sinto no momento. Se pensar dessa forma, rapidamente chego à conclusão que tudo o que digo é mentira... mas não. Acredito que é nos sonhos que a verdade aparece, sem interferência de um único pensamento, de uma ideia, pessoa ou acontecimento para interromper o decurso de algo que pode ser absurdo. Talvez sejam os sonhos que me dão a minha matéria prima, algo em que pensar, de entre muitos outros assuntos, algo onde possa pôr alguma emoção. Pensar sem rumo e sem destino faz-me caminhar até todas as perguntas que provavelmente vão continuar sempre sem resposta.
21.5.10
19.5.10
Eddie.
Não gosto de me sentir sozinha e sei que não consigo guardar tudo o que tenho para oferecer dentro de mim. Para quê se posso dar e cuidar? Na altura eu não sabia que o ia comprar, que o ia ver sequer... mas ainda bem que o encontrei. Quando chego a casa cansada, sem vontade de falar, de pensar, farta de tudo, de todos e até de mim, ele é o meu melhor remédio. Quando estou sozinha ponho uma almofada no chão, vou buscar uma manta e fico de olhos fechados, parada no nada, claro que não durante muito tempo.
"Eddie pára quieto, deixa-me estar aqui. Não, não roas as calças, pára! Ai sai de baixo da minha manta, tens ali a tua. Toma o rolo de papel higiénico, vá entretém-te. Eh, não se escava no tapete!"
Agora o meu Eddie mudou... tem uma namorada e não me liga nenhuma, está agressivo e até me morde se for preciso. A namorada do meu coelho é... uma manta térmica e ele adora fazer o amor com ela. Nunca senti tantas saudades das porcarias que fazia, dos rolos de papel higiénico espalhados pela sala, das corridas e dos pulos, dos rebolanços no tapete, de não me deixar ler o que quer que seja, que ele me roa os apontamentos de Estatística e que se deite em cima do meu teclado.
Acho que me vou deitar no sofá e esperar que ele venha ter comigo... esperar que me distraia e me ofereça um sorriso.
10.5.10
Oh...
Nunca vi um olhar que me cativasse tanto, que me pusesse a pensar tão rápido, que pusesse o meu pequeno coração quase em modo maratona.
Aterraste na minha mente e agora tentas encontrar um lugar em mim.
Devo deixar-te entrar?
Desce à Terra, Little Sophie. Desce à Terra.
20.4.10
The weirdest dreams
Será que vais dormir comigo hoje, também?
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.
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15.4.10
Perdi o medo.
Rodrigo de Sá Nogueira Saraiva. Nunca tive coragem para lhe perguntar o que quer que fosse, não sei porquê. A verdade é que nunca tive um Professor que, de repente, falasse e respondesse a todas as questões em que há muito tempo penso e há muito me interessam. Hoje não me contive e, depois da aula, com as mãos a tremer, quis resolver o que tanto me tem perturbado e saiu algo, mais ou menos, parecido com isto:
- Professor... Se somos uma chave que consegue trancar-se por fora, que consegue eliminar o exterior quando precisa, então... Conseguimos trancar-nos por dentro? Conseguimos impedir o acesso à nossa mente? E mesmo que sim, se impedir o acesso à minha mente, a mim, o que é que eu sou?
A resposta? Guardei-a e vim a pensar nela no caminho para casa. É algo tão simples e talvez nunca lá cheguei porque tinha medo desses caminhos. Mas uma coisa é certa e óbvia, se eu não tiver um fio que me traga de volta à realidade, se desprender o meu corpo, se me desligar da mente sou... Silêncio, sou o nada.
12.4.10
Oh, shit.
Não me tinha passado pela cabeça que ia chegar a casa e não ia ter ninguém a quem dizer olá. Tenho saudades da minha mãe e ainda agora me despedi dela. Nem o Eddie está cá hoje, só volta na Quarta. Tenho saudades do pequeno coelhinho, do pequeno pedaço de vida que depende de mim.
*
Se não gostas de gostar de mim, em que andar ficas, afinal?
11.4.10
Outra vez?
Logo hoje que me vou embora não chove? Vou ter com a C. à Universidade, tenho de me despedir dela outra vez, quero ver uma cara conhecida antes de partir. Ai que dor na perna, será que foi da noite de Sexta? Toda a gente diz que não bati em nada, não caí, não levei nenhum pontapé, então porque é que acordei coxa ontem? Vá, tenta andar direito que ninguém repara. Oh boa, o portão do lado está fechado, vou dar a volta. São só mais dois meses provavelmente, o tempo passa rápido, é sempre a mesma conversa que no fundo só acalma. Não há lágrimas desta vez, não é preciso. Hum, já me despedi dos outros na Sexta, o que falta? Batatas fritas sim, vou andar mais um bocado até ao McDonald's, a perna aguenta. Já está mais frio, ficou vento de repente, estranho. Vazio, assim é que eu gosto, acho que tenho trocos suficientes. Batatas sem sal, ai tão bom, ai espera... está a chover. Espero? Não, vou a pé, devagarinho, comendo as minhas batatas, a pensar um bocadinho, a falar com os meus botões, a fazer a última caminhada. Pelo menos sinto-me bem nos dois sítios, nas duas casas que construi. Agora... agora está na hora de ir para o aeroporto, outra vez.
9.4.10
Where am I?,
É a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo. Claro que sei onde estou, lembro-me de quase tudo o que tenho feito, não consigo esquecer o que aconteceu, mas então... Porque é que tenho acordado desorientada?
Que dia é hoje? A Ana? Quem é a Ana? Eu disse isso? Tenho calor, dá-me aí o casaco que tenho frio.Falei contigo ontem? Pois, já não me lembrava.
Tenho-me concentrado tanto no problema que considero maior que me esqueço das pequenas coisas. Durmo para me calar, para o dia acabar rapidamente, para adormecer os pensamentos e para tentar anestesiar os sonhos. Anestesiar os sonhos? É impossível, claro.
Fartei-me de pensar na mesma coisa, de ler o bloquinho e ver sempre o mesmo tema, de olhar para a minha vida, ver tudo igual e não encontrar motivação minha para mudar. Não estou triste nem contente, estou...não sei, apenas estou e sinto-me bem com isso, mas não quero contaminar ninguém com o que quer que seja que se passa aqui dentro.
30.3.10
I give this part of me for you.
Já te dei uma parte de mim há muito tempo, tens vida no bloquinho.
Acendi uma vela hoje, para ti. Porque é que a chuva cai quando não queremos? Não há muita coisa que possa controlar, não há nada que queira fazer comigo mas sei o que quero em relação a ti. Será que... sou a tua casa também, quando estamos as duas em Lisboa a realizar o sonho?
Já tenho algo em que pensar a tarde toda, é o melhor que sei fazer. Hoje dominas-me a mente, Néné. Por mais que esteja lá em cima, completamente perdida aqui dentro sem vontade de pôr os pés no chão, tens a corda para me puxar para baixo, para me trazer de volta. Acho que és a única pessoa que a tem. Por isso é que acendi a vela. Por mais chuva que caia, acendi-te uma chama para subires bem alto. Vou estar aqui para segurar a tua corda, quero tentar tirar-te esse nevoeiro. É o mínimo que posso fazer.
28.3.10
Little C.
Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.
12.3.10
What's wrong Sophie?
Senta-te aqui, tenho algo para te contar. Já viveste de olhos fechados, todos os dias? O acordar deixa de ser o despertar para o mundo real, continua a ser um sonho desprovido de qualquer tipo de verdade. Se sim, diz-me como era esse teu sonho. Era cinzento como o meu? Nesse lugar onde estiveste, as coisas têm outro significado? E quando é que realmente, acordo? Já sei o que me vais responder e mesmo assim arrisco em bombardear-te com perguntas.
"Porque é que queres acordar, porque é que não aproveitas enquanto aí estás? Pára de pensar no fim".
Roubaste os meus verdadeiros olhos, lembraste? Foi o sonho mais estranho que já tive, nunca pensei sentir que tinhas contigo algo que me é tão precioso. Por isso é que está tudo cinzento aqui. Quando olho não consigo olhar verdadeiramente, estás a bloquear-me o caminho. Preciso de mim para saber se tu és realmente tu. Preciso de tudo o que tenho em mim para saber onde estás, agora.
15.2.10
5.2.10
How cold is the sun?
Congelei. Sei que não consigo viver de outra maneira e estou cansada de duvidar, dói mesmo aqui no meio, no peito. Sonho em conseguir estagnar por um pouco, parar os medos, os receios, o puro pensar. Talvez parar tudo. Fazer os exames de novo na 2ª fase é simplesmente estúpido quando as cadeiras já estão feitas... mas assim matava o tempo com algo produtivo e não com viagens ao passado. Tenho medo de abrir a primeira gaveta ao lado da minha cama, é lá que estão todos os textos, o antigo bloquinho, as palavras que gritam por saudades tuas, que descrevem o que és para o meu possível eu. Acho que vou dar-te tudo, um dia. Não quero estas coisas comigo, são perigosas de mais para mim, na minha cabeça não aceito que tudo já passou e acabou, não se anda para trás. Hoje reparei que não consigo ler as primeiras folhas do novo bloquinho ou o texto que escrevi antes, isso seria o mesmo que lembrar-me a cada minuto que estou longe, o mesmo que me queimar repetidamente. O mesmo que ser burra, talvez. Mas ao mesmo tempo ler estas coisas trazem-te para ao pé de mim, Shilo. Acho que finalmente percebi tudo, talvez demasiado tarde mas percebi. És a dona do novo bloquinho porque és a única que me dá a luz de que tanto falo.
Espera... Tu é que me dás a essência. "Porque todos os momentos felizes pertencem a ti".
Vou dormir. A cabeça dói, e não é pouco.
24.1.10
9.1.10
De volta?
Há dias que estou a tentar arranjar pelo menos uma hora para escrever e desentupir a cabeça. Voltei Terça-feira passada com 12 horas de viagem até Lisboa, puro stress e ai que o avião só chega daqui a quatro horas agora, e ai que lá vai ele para a Terceira primeiro sabe-se lá porquê, e toma mais duas horas de espera no aeroporto e porra que o voo vai levar três horas porque o tempo está uma treta. Quis perceber o que perdi nas aulas e tentei estudar para a frequência de Estatística que me tirou horas de sono e quilos de paciência, deixando-me anoréctica nesse sentido. Mas voltando à viagem, aos dias que por tanto esperei,
Tudo o que pensei que podia acontecer não aconteceu e correu tudo ao contrário, porém pelo melhor, penso.
- Anima-te, é Ano Novo! Estás muito paradinha, muito murcha.
- Porque é que haveria de estar feliz?
Naquela noite só me vinha à cabeça a essência, aquilo de que eu era feita e aquilo que eu precisava para poder viver. Talvez não fosse a noite certa para me pôr a pensar nessas coisas, mas não consigo controlar o que penso e prefiro revirar um assunto na minha cabeça para ter as conclusões pelas quais anseio rapidamente. Qual é a minha essência, afinal? Às vezes procuramos o que não tem de existir, aceitei que ainda não a conheço e não posso ter a essência que quero, a essência não é algo que se escolha, é algo que está no ser, que simplesmente o é. A minha visão em relação a mim é tão distorcida e desproporcional que não consigo ver o meu eu apesar de saber as potencialidades que possuo. Para mim, eu sou confusão e na confusão não se consegue ver a essência.
Já me tinham avisado que ia estranhar tudo quando voltasse, as pessoas e os sítios, que ia caminhar quase que com outros pés e que as recordações iam ser uma constante. Agora reparo que a primeira coisa que fiz foi ir ter contigo, Sil. Pelo caminho procurei caras conhecidas mas já não conhecia ninguém. Reparei que cresci, que agora tenho que me baixar para passar pela árvore ao pé da minha casa. A minha casa... Uma nova família está a crescer nela neste momento, um novo ciclo. Foram emoções fortes enquanto ia ao teu encontro. És o meu porto seguro e mesmo que vivamos em melodias diferentes, algo está lá para unir a minha luz à tua. Guardei uma mensagem que te enviei no Verão, talvez porque sabia que o que te disse ia servir para todas as situações em que estivessemos longe uma da outra:
"It's weird, like... Other days I know that you are ten minutes away but now you are an ocean away. I'm just thinking that our friendship is so strong (I hope) and wishing that it will stay that way forever"
Aconteceram tantas coisas em 6 dias que me deixaram silenciosa, aérea, que vieram deitar abaixo relações que pensava que tinha com os outros, que vieram deitar abaixo concepções que pensava que tinha como certas. No meio de tantas quedas ajudaste-me a subir, titia Silvana... I miss you.
*
Estava relutante quanto ao regresso à não vida, à rotina que mata qualquer tipo de motivação, mas ao mesmo tempo ansiosa e feliz por saber que algures aqui, deste lado do oceano tinha alguém à minha espera, tinha o abraço da Néné mal entrei na faculdade. Sabe bem levantar-me de manhã e saber que és a minha companhia.
Ah é verdade, voltei para a lareira. Estou mais quentinha e menos angustiada, de certo modo estou mais... feliz(?). Sei que o meu mundo mudou de rumo naquela noite, girou por completo há precisamente uma semana. E nada foi forçado, aconteceu porque ambos o quiseram, o foram e sentiram. Tal como a essência. Talvez a consiga encontrar contigo ao meu lado. Sinto-me bem e com a luz aqui dentro. Talvez seja para durar... espero que sim.
Agora? Duas semanas de estudo intensivo e de paciência anoréctica.
1.1.10
...
Eu tive o amanhã. Tive tudo o que queria. Fiquei feliz? Não. O problema é de quem? Meu. Não estou feliz aqui, não estou feliz em Lisboa, não o estou em lado nenhum. Não estou feliz comigo, talvez.
P.S. Nunca mais vou ser uma Cinderela abandonada. Nunca mais.
P.S. Nunca mais vou ser uma Cinderela abandonada. Nunca mais.
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