Acordar às 8 para apanhar o comboio às 9 e conseguir tratar dos papéis para a Bolsa de Estudo pelas 10 da manhã. Boa, sou a senha número 34 e o ecrã tem um 2 e um 0. Já passa das 11, corrida até Santa Apolónia para conseguir ir almoçar com a Mãe e descontrair na Graça. 12:30, tomar café à Baixa? Sim, soa-me bem, é só apanhar o metro e encontramo-nos no Brown's dentro de 15 minutos (o caraças, 15 minutos é igual a meia hora de atraso). "Epá, há uma loja na Graça que tem brincos e colares lindos. Vamos?" Acabei de vir de lá, mas vamos sim, ainda são 13:30, só que tenho aula às 15, não nos podemos demorar. Porra que o eléctrico está cheio, e agora? Autocarro sim. 14:00 e a loja é linda, o paraíso e merda que estou em contenção de despesas. Vamos andando para Santa Apolónia para apanhar o metro? Sim sim, mas para onde fica Santa Apolónia? Boa questão, de facto. 14:30 e vamos a pé da Graça até à Baixa, é sempre a descer não é verdade? Claro que cheguei atrasada à Faculdade, amarela e com securas. Com o coração a bater a mil à hora para nada porque hey, não houve aula. E agora? Agora Sofia vais apanhar o metro, para apanhar o comboio e depois o autocarro para chegares a casa e finalmente, mais tarde, descansares a cabeça. Óbvio que não aconteceu. Tive de correr atrás do coelho para lhe arrancar fita-cola dos bigodes (Sim sim, fita-cola bem colada sabe-se lá como e onde é que ele enfiou o focinho), o que se revelou ser uma tarefa quase que impossível.
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Têm sido raros os dias mais atarefados. Quando finalmente paro sussurro "quero silêncio, preciso de não fazer nada"... e quando estou a fazer o nada grito "preciso de ter uma vida para viver e deixar de pensar". Incrível como algo tem de estar sempre mal, para mim.