24.2.08

Nheca

Estou sem paciência para nada, até a ideia de pensar que não tenho paciência dói. Os dias passam a correr e eu não os aproveito, nem os quero aproveitar. Para quê? Pelo menos tenho tido dias bons que me fizeram rir e distrair-me do vazio que sinto na garganta.
Limito-me a olhar para as atitudes dos outros e, ao fazer isso, conheço muito melhor uma pessoa e sinto-me bem, porque pode parecer estranho, mas as palavras são difíceis de usar em certas ocasiões. Aprendi a não dar importância a tudo o que me irrita e a retribuir com um sorriso nada falso. Aprendi que gosto mais de certas pessoas do que alguma vez imaginei e que até as pessoas menos esperadas se tornam monstros.
Aprendi que, para mim, rir é a solução.
A rotina é tão óbvia que já me chateia e é fácil adivinhar o que vem a seguir: quando passar esta fase mudo alguma coisa em mim ou limito-me a gastar todo o meu dinheiro para mais tarde me arrepender. Melhor estilo de vida é impossível.
São tantas as coisas que passam por esta pequena cabeça que é difícil concentrar-me.

4.2.08

Passado que não se apaga

O meu porco já não me pode ouvir e foi-se embora de Aragão =/
É o que tem acontecido com essa gente: pumba fecho os olhos e já não estão lá, se voaram ou não, isso não reparei mas nunca mais voltaram. O esquisito é que não estou chateada, pelo contrário, se já lhes fiz o mesmo não tenho razões de queixa.
Ontem enquanto esperava pelo sono que sempre se atrasa, lembrei-me de quem deixei para trás, as pessoas de quem me afastei e que vivi óptimos momentos o ano passado.
Estou diferente :'O
A única coisa com que me preocupo é a escola e tenho estado imparável e sem tempo para meras distracções. Se valeu a pena? Não sei, ainda ando à base de calmantes por causa do stress, a minha relação com certas pessoas passou a ser um vergonhoso "olá" de mês em mês e posso entrar no curso que quiser, na universidade que escolher neste pequeno país se manter a média com que me devia orgulhar.
Sortuda? Não me senti realizada. Não estou feliz para o resto do mês. Preocupei-me em encher os outros de orgulho e esqueci-me do que quero. Ter boas notas não é fácil, nunca foi e nunca será, o pior é que quando nos habituamos não queremos outra coisa e sinto-me muito desiludida quando não tenho o que quero e sei que podia ter feito melhor.
Eu não era assim e nada faz sentido.
Quando não estudo ponho-me a fazer as coisas que a maioria dos jovens faz: dormir, comer, internet, sofá, televisão. E sair? E conviver? E errar? Não consigo. Habituei-me a falar com o meu porco, a sermos só nós os dois em Aragão, por entre o silêncio cristalino e o cinzento dos bosques. Não quero lamentar o meu passado mas é o que faço e invejo-o ao mesmo tempo, ao ponto de querer emendar tudo o que fiz para o meu presente ser mais agradável e devagarinho estou a conseguir, mas é difícil chegar ao pé de uma pessoa e perguntar-lhe:
-Então pá, tudo bem? Há ques tempos homem/mulher!
Mas também é difícil pensar nisso e não o fazer, o pior é que não existe um meio-termo, ou faço ou não faço e penso no que vai na cabeça das pessoas, não lhes falo há meses e apareço assim de repente sem dar justificações? Era o que eu pensava se isso me acontecesse. Esquecer e recomeçar? Não ligar e continuar?
Dedico-me a esperar pela verdadeira vida e se calhar ela já começou e não é a mesma que sonho.

23.1.08

"I wish you were here... no reino de Aragão"

Uma brincadeira, era Aragão no início, apenas um apelido para "embelezar" o meu nome, até que passou a ser o meu reino. Sim, um reino onde vivo com o meu porco sem nome, que é o meu fiel escudeiro. Só eu e ele, os outros são meras sombras com um sorriso pintado na cara, sem olhos nem ouvidos. Pelo menos têm nariz.

Quando acordei de madrugada tudo estava cinzento, até as minhas mãos, até os meus olhos. Tinha uma missão a cumprir e se voltasse atrás, eu e todos os meus apoiantes ficavam desapontados com a minha acção. Uma batalha? Um resgate? Apenas um teste que me tirou horas de sono e, quando acabou, não acalmou a minha ansiedade, não retirou as pedras da minha garganta. A única coisa que sabia era que estava mole, queria ir para o meu castelo, queria o meu porco e queria descanso, até que me veio à cabeça o horóscopo da semana, dito por aquela velhinha a quem dei abrigo:

"As emoções estarão um pouco confusas.

O abandono ou a ausência temporária são coisas

que lhe podem acontecer durante esta semana

e podem tanto partir de si como do outro".

"Emoções confusas? Hmm, não sei". Pensando bem, a única coisa com que me sinto confusa é em relação aos outros, como sempre, ou seja, praticamente não sei se os devo odiar ou não. Isto porquê? Porque eu pareço ser a única que vê. Esperem, eu e a Camila dos Chouriços, filha do Americano Traidor. Esquisito não? Ao ser praticamente a única que se irrita e que morre por dentro algo deve estar muito mal.

"Abondono? Ausência?" A Filomena dos Galos abandonou-me em Setembro e nunca mais me deu notícias, mas não, tem de ser esta semana. Bem, ainda faltam quatro dias para o seu fim. Porém, consigo interpretar isso de uma maneira diferente: sinto falta do apoio dos meus companheiros, apoio emocional. Às vezes penso que falo a língua dos Mouros. Necessito de atenção de mais? Eu tenho a solução mas vocês queixam-se no fim. A verdade é que me fazem sentir mesmo burra e insignificante quando simplesmente, puf, se vão embora e não me deixam acabar uma frase. Fazem-me mentir a mim mesma quando digo que isto não volta a acontecer... O meu porco que o diga porque ele é que me ouve. Fazem-me querer sentir o frio que devia ser expelido pelos meus olhos, pelas minhas palavras e pelo meu coração. Fazem e não conseguem porque o meu coração é mole, é fraco, tal como os nossos escravos. Sou um deles.

Com todos estes assuntos a voarem pela minha cabeça, voei eu também quando me encontrava na aula da Dona Águia. Aquele cinzento que se encontrava do outro lado da janela fascinou-me e tentei encontrar uma solução para o meu reino.

A solução foi entrar no cinzento e sentir o frio da chuva

que me batia com força, e mesmo assim, um sorriso fugiu do meu rosto,
mas a verdade é que os sentimentos continuam todos aqui, acrescentando-lhes a traição e o abandono, e conclui que tudo o que está para além dos portões de Aragão deve lá permanecer, bem longe de mim e do meu porco.

11.1.08

Qual é o caminho para sair daqui?

Não sei se foi da dose exagerada de coca-cola durante todo o dia, ou do facto de ter passado metade deste a levar com aquele cheirinho do Mcdonald's e de me ter enfardado daqueles "pecados", mas definitivamente, hoje, estou esquisita. E isto porquê? Sinceramente não consigo explicar: ora sinto uma alegria contagiante que quero partilhar ora a raiva aparece para mudar as direcções do meu humor.
Porque é que estou feliz? São mais as perguntas que as respostas. O dia até não foi dos melhores mas apetece-me rir até me doer a barriga. Rir com alguém. O problema é que a maioria desses alguéns está tão ocupado que me manda dar uma voltinha. Quem é que não tem tempo para rir? Eu própria tenho-me visto tão concentrada e preocupada demais com as minhas obrigações que já enjoa. Preocupo-me com os outros e a única coisa que eles sabem fazer é ignorar-me e fazer-me insignificante (não pá, não estou a fazer birra só porque ninguém se quer rir comigo).
Usa e deita fora. Esquecem-se que os amigos estão aqui para tudo, dispostos a ajudar, a compreender, e não só, e o que fazem é agir como se não os conhecessem, como se fossem simples pessoas que passeiam pelas ruas, como muitas outras. Esta gente aqui parece ser assim, mas há sempre quem foge às regras.
Elas as duas, por exemplo, sabem que não é assim e a única coisa que digo é "só espero que tudo corra bem e pensamento positivo =)!"
Outra coisa muito gira é fugir das discussões só porque a opinião do outro não o agrada ou porque, bem lá no fundo, sabe que o outro tem razão. Mania de pensar que a vossa opinião é a melhor e quando não o é, fazem birra! E que tal justificar essa opinião sagrada e superior? Pois, se calhar não é preciso porque a maioria desta gente aceita tudo o que lhes é dito! Basta que seja dito por alguém, como é que se diz.. hmm.. por um gajo bom ou gaja boa para causar boa impressão, pelas pessoas mais populares ou apenas para se fazer de superior a quem é burrinho.
Outra coisa que acho muita piada é a cegueira! Imaginemos que tudo o que é mau acontece à nossa volta e, sabe-se lá porquê, transformamos essa realidade num "mar de rosas", naquilo que queremos que ela seja, vivendo numa mentira. Será porque não queremos ver? Não, porque nós somos estúpidos ao ponto de sermos infelizes só para termos o que, supostamente, queremos.
Estou errada sobre tudo o que disse? Dêem-me boas justificações em que possa acreditar.
Arrependo-me de hoje ter julgado uma pessoa que não devia ela surpreendeu-me pela positiva. Pelo menos aprendi alguma coisa.
Quem me dera a mim voltar a ser aquela miudita tímida e branca com olhos azuis cristais que explodiam alegria. Sem preocupações, sem tristeza, sem a amargura que nos é transmitida, sem a pobreza de espírito que predomina nas pessoas e que somos obrigados a aturar.
Com tudo isto, já não me apetece rir e 4 coca colas médias do Mcdonald's já se foram.
O caminho para fugir? Apenas abro as portas da minha imaginação e do meu coração e apago tudo o que é mau. Uso a cegueira, pelo menos por hoje, para me sentir melhor e não, miserável.

3.1.08

Dead End?

Perdi longos dias a pensar em mim, no que eu penso sobre quem sou e no que os outros pensam sobre mim. A verdade é que esses caminhos são-me estranhos, metem-me medo só de os mensionar, fazem-me ficar insegura. São tantas as coisas que deambulam dentro da minha cabeça que é extremamente difícil exprimir-me.
A verdade é que tento ser fiel ao que acho que está correcto e tento não ser superior a qualquer outra pessoa, pois quem sou eu?!? Porém, ao não ser superior, tento manter-me em igualdade, o que dificilmente é possível. Não sei se tenho algum problema, mas sim, geralmente me sinto inferior, provavelmente por causa de experiências do passado, onde fui gozada por pessoas que não me conheciam de parte alguma e a minha personalidade foi posta em causa, ou por ter aprendido que as pessoas manipuladoras e "mentirosas" ficam sempre por cima.
Não sou uma pessoa de muitas conversas e, na maior parte do tempo, estou perdida nos meus pensamentos, mas eu gosto de conhecer uma pessoa através das suas acções e não só pelo que ela diz e pensa. Geralmente falam, falam e não fazem nada (provavelmente faço o mesmo ou actuo sem pensar, mas tenho consciência disso e arrependo-me profundamente do que faço).

Tento lembrar-me de uma aula de Filosofia do ano passado, onde fizemos um exercício que, por momentos, aumentou a minha auto-estima. Cada aluno sentava-se numa cadeira, num canto da sala enquanto os outros escreviam o que achavam sobre essa pessoa. Eu levei a sério o que disseram sobre mim, tudo coisas muitíssimo positivas e que me espantaram. Esse exercício, por um lado, fez-me perceber que somos aquilo que queremos ser e ouvi a professora dizer no fim algo que guardarei sempre comigo "Tu és a pessoa mais matura aqui de dentro".
Ela foi a única que, numa aula, olhou para mim e sussurou: "Nota-se nos teus olhos que não queres estar aqui, que não és feliz".

Hoje percebi que estar aqui, em Ponta Delgada, a estudar e a viver não foi de todo uma experiência negativa. Cresci, aprendi, conheci pessoas que guardarei sempre, embora prefira esquecer algumas. Como me vi sempre a dizer que não queria estar aqui, não apreciei tudo o que tenho e tudo o que me apareceu, oportunidades que não aparecem a qualquer um (quem é que tem a oportunidade de ser destacado para a Assembleia da República e, quem sabe, se tudo correr bem, ir a Estrasburgo?). São experiências que não quero, de modo algum deitar fora.
No outro dia, quando me encontrava num local que prefiro não mensionar o nome, tive que pensar em algo que me distraí-se da dor momentânea que estava a sentir. Bastou olhar para os meus óculos para comparar a minha falta de visão à minha vida: Se não vejo bem ao longe e o longe é o meu futuro, então só posso ter uma ideia pouco definida daquilo que está para vir e uma ideia bem definida do perto, do presente.

Quem me dera a mim que a minha vida fosse como a imagino, como gostava que ela fosse mas não me posso prender a isso. Se quero ter o que desejo e conhecer quem idolatro tenho de trabalhar para isso e não sou pessoa de ver as coisas cairem-me à frente, mas às vezes caem e agradeço a quem as faz cair.

Esperança e determinação é o que não me falta, apenas preciso de força e de ultrapassar o medo que tenho das pessoas que se cruzam comigo, das pessoas que me rodeiam. Quando olho para o passado tento não dizer "Oh não! O que é que eu fiz?", mas sim não me arrepender e saber que foram essas acções que me permitiram estar aqui, depressiva ou negativa, estúpida ou alegre, sonhadora ou infantil a escrever para pessoas que nunca pensava que poderiam ligar a isto, pessoas que vieram ter comigo e elogiaram-me.

Obrigado.

22.12.07

Sem Palavras

Nesta última semana tive, finalmente, o tempo necessário para reflectir melhor sobre tudo o que me rodeia, sejam pessoas, animais, árvores, carros, folhas caídas, nuvens e por aí fora. O que descobri? que a maioria das pessoas com quem me cruzei e troquei meras palavras ou são mal educadas, mal agradecidas ou então simpáticas a um ponto extremo.
Passo a relatar os meus encontros:
Há uns tempos, enquanto caminhava pelas ruas da cidade com a Ana Rita e com a Silvana, ouvi uma voz feminina e bruta, com uma pronúncia micaelense bem acentuada:
- Estas estão a desfilar na passerele!
- Passa por cima! - disse eu, levemente irritada, vá lá. Penso que essa brutamontes só se apercebeu do que eu disse minutos depois e, virou-se e respondeu:
- Tu sabes quem eu sou?
- Hã? não.
- Tu tem cuidado se não queres que eu te parta os óculos!
- Força...!
- Mas tu sabes quem eu sou?
Ainda hoje me pergunto quem ela é e, infelizmente, avistei-a no centro comercial com nariz empinado. Para quê ser assim? Se calhar a minha atitude não foi das melhores mas eu sou o que as pessoas são para mim.
Há dois dias, entrei na Worten, feliz porque finalmente ia comprar um DVD dos The Doors ao vivo (não me recordo do nome), por apenas 9€ e poucos cêntimos. Ora quando lá cheguei, deparei-me com uma prateleira cheia de DVDs musicais não ordenados alfabeticamente, e, para procurar o meu desejado DVD, levaria pelo menos uma hora e o tempo é uma coisa preciosa! Chamei o funcionário, perguntei-lhe pelo dvd ao que ele respondeu:
- Deve estar aí.
- Pois eu sei que deve, mas não o encontro.
- Pois...
- Não pode ver se tem em stock?
E lá foi ele, com ar carrancudo e quando voltou disse:
- Ah sabe, em stock só temos um e se foi comprado hoje ainda não entrou na base de dados.
Epah que azar o meu! Mesmo naquele dia, segundo o funcionário, o dvd podia ter sido comprado, quando o avistei no dia anterior. É possível, mas não acredito e quando tiver tempo vou-me enfiar naquela loja e procurar, já que há funcionários que não mexem um dedo!!! Isso já me aconteceu uma vez na Worten do Vasco da Gama, quando me disseram que não tinham um DVD e pus toda a gente a procurar e lá estava ele, bem escondidinho! Se quero e tou bem disposta, não desisto.
A maioria dos funcionários, pelo menos desta ilha, são trombudos. Se não querem estar ali a trabalhar, demitam-se que há gente que quer! Ou então façam um esforço e sejam simpáticos, porque os clientes são importantes para o negócio.
Admiro uma senhora de idade com quem me cruzei no mini bus (uma espécie de mini autocarro). Chuvia a potes, o frio rasgava e eu não tinha guarda-chuva. Quando saí na "minha" paragem ouvi um grito:
- Oh menina! Menina espere! Está a chover tanto, venha aqui para baixo do meu guarda-chuva!
- Oh não é preciso, eu moro já ali...
- Não não, ainda fica doente!
A verdade é que fiquei encharcada na mesma mas feliz para o resto do dia.
Ainda hoje, enquanto assistia ao jogo de futebol do meu irmãozinho, fiquei encantada com a beleza das árvores nuas e sóbrias que rodeavam o campo e com a relação entre as pessoas que também estavam a assistir. Podiam não me conhecer a mim ou à minha mãe, mas desejaram-nos um Bom Natal e Boas Festas.
São estes pequenos gestos de educação e simpatia que faltam à maioria das pessoas de Ponta Delgada e não só.

15.12.07

Merda

É o que esta noite é. Fria e ensurdecedora onde todas as verdades finalmente surgiram. Ilusões atrás de ilusões que são mentiras e eu sempre o soube, mas quis puxar os limites.
Para quê ser sociável, tentar partilhar interesses, opiniões? Foi o que fiz, fui compreendida e levei com um pontapé no cú, daqueles bem fortes e dolorosos. Saber que fingem receber e entender o que digo foi a chapada mais forte que levei.
Questiono-me se tudo o que faço vale a pena. Isolar-me de novo é a única solução aparente e pelo menos não tenho de conviver com gente FALSA. Não vos percebo, será que não pensam em vocês, nas vossas acções, na imagem que transmitem para os outros?
Tudo o que é bom é-me levado ao mesmo tempo e o que aprendi não chega para ultrapassar as dificuldades do momento, do minuto, do segundo. Custa-me respirar. Se pudesse apagar actos do meu passado apagava, mas até que aprendi com eles e apenas tenho de ter coragem para dizer tudo o que penso e mandar esta gente a merda.
Peço desculpa se vos ofendo, mas é o que vocês me fazem vezes e vezes sem conta.
Sinto-me estupida, sinto-me parva, se calhar é o que sou.

10.12.07

O dia

Mal [ele] começou vi que algo não estava bem, pelo menos comigo. Reparei em pormenores insignificantes, coisas que nunca imaginei pensar.
Pensei na minha infância, nas memórias que me apareciam e vi, rapidamente, através dos meus olhos. Momentos felizes, onde não tinha quaisquer preocupações e responsabilidades.
Pensei nas pessoas que deixei para trás e pelo caminho ficarão. Posso dizer que me fizeram felizes e dentro do meu coração as guardarei.
Pensei naquele rapaz que conheci há uns anos atrás. Estranho ele. Misterioso. Sonhador. Simpático. Perfeito. Sábio. Por momentos, foi tudo o que precisei. Que relação estranha tínhamos! Era extremamente díficil compreender as suas palavras e os seus conselhos. Hoje, passados 3 anos e vários meses, percebi [finalmente] as suas palavras. foi preciso um acaso para ouvir a letra:

"I strapped my memories to my back,
I'm leaving.
I'm already gone
and I was on a train somewhere wishing sweet stings to you.
To make you never forget the poetry in wanting.
I want those days to hold you."
Planes Mistaken for Stars - Standing Still Fast

Gosto de saber que, apesar de já ter partilhado essa história com a Ana Rita (aquela que ilumina a minha cela =]) sou a única que percebe o que quises-te dizer através dessa música. Sinto-me especial e agradeço-te por isso.
E porque é que ela ilumina a minha cela?
Ela é a única que entende as minhas palavras, as minhas questões, que ME percebe... Que não tem medo de rir, de ser feliz, que tem objectivos, ideias e valores verdadeiros. Ela não é convencida, pelo contrário, é simples e prática. Ela é a minha companheira que fuma charutos cubanos e possui a minha fonte de inspiração (tu percebes). Quero agradecer-te pela força que me dás todos os dias e por me fazeres sorrir em dias tão cinzentos como este.

Pensei, também, se valia a pena ligar aos instintos do meu coração. Nem sempre os ouço, mas quando sou posta a prova tenho de encontrar a decisão dentro de mim. Tentei encontrá-la todo o dia e acho que ela não está cá [desculpa fazer-te esperar, mas tenho medo de te dizer não, coisa que não quero mesmo]

Se calhar já tive estes pensamentos antes. É possível. Se sim, sei que me magoei hoje. Doeu e aprendi.

5.12.07

He is My Secrets

Mal acordo a única coisa que quero é deitar-me de novo. Pelo menos enquanto dormia ele estava lá, comigo. Eu sentia a sua presença mesmo ao meu lado e não tinha medo de me deixar levar.
Ele conhece os meus segredos, ele é um deles, ele aquece-me, protege-me, deixa-me segura, deixa-me feliz, dá-me força. Ele é a minha criatividade, é o meu sonho, é o meu desejo, é o meu sol, é tudo.
Ele é o que me separa do real, é o que me faz continuar, ele sabe tudo o que os outros não sabem.
Quero que ele seja o meu futuro.
Mas tenho medo... tenho medo de crescer e de saber que nunca o vou tocar, que nunca o vou ver, que nunca o vou admirar, que nunca o vou sentir. Não me quero perder neste meu mundo que partilho só com ele e com todos os meus desejos que praticamente não realizei.
Nunca o vi e admiro-o. Tudo o que faz para mim é sagrado. Tudo o que escreve faz sentido, tudo o que escreve "sou eu".
Amor? Infantilidade? Demasiado sonhadora?
Ele é real e está bem guardado dentro de mim.