3.4.08

Pensamentos

Há uns dias, enquanto subia as escadas, deparei-me subitamente com um reflexo nos vidros manchados, uma rapariga que tomou a minha atenção com o seu cabelo escuro e olhar vago. Dei por mim a perguntar "quem é esta? Eu conheço-a de algum lado..." Segundos depois apercebi-me que era eu e lamentei a burrice da minha pergunta, burrice que preferi esquecer mas nunca me saiu da cabeça. Como é que não me consegui reconhecer? Vejo-me num espelho todos os dias, porque é que não me conheci? Ainda estou à procura da resposta.



P.S.: Sinceramente, uma das melhores maneiras de nos sentirmos livres nesta sociedade é não pensar e caminharmos lado a lado com a chuva, não sentindo medo do nosso cabelo ficar monstruoso, dos nossos pés ficarem frios que nem gelo ou de chegarmos ensopados a casa. Não ter medo dos relâmpagos, da trovoada que se fazia ouvir, da chuva ou de apanhar uma gripe. Tirei os óculos, guardei-os na mala e passei a não conhecer ninguém, apenas vi as suas caras enevoadas. Não via nada, ouvia bem alto os meus pensamentos e cada vez que uma gota de água me tocava sentia-me feliz.

25.3.08

9 da noite

Entro todos os dias com a esperança de ver alguma satisfação,
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.

Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".

Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.

Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.

24.3.08

Dias.

"Poderão ocorrer crises profundas; os altos e baixos são cíclicos e esta semana apresenta-se pouco auspiciosa no caminho do bem-estar pessoal"
Desde a última semana que um astrólogo diz a mesma coisa sobre os meus dias. Às vezes pergunto-me se é verdade, pois estes assuntos deixam-me extremamente confusa: "como é que uma descrição destas serve para todas as pessoas do meu signo?". Pergunta frequente, porém, acho que encontrei uma resposta que me satisfez, pelo menos por agora: sempre que leio faço a minha interpretação, e, supostamente é o que toda a gente faz, de modo a que a descrição se ajuste a esse momento. Por mais que não queira acreditar no que uma pessoa, que desconheço, por completo, diz, devo louvar o seu trabalho porque, epá, é verdade.
Enquanto dormia, senti-me feliz e confortável durante o sonho, até que, quando acordei, estava tão irritada que limitei-me a dizer: "não saio de casa para não me chatear". Claro que fiz exactamente o contrário. Sai, ri-me por umas horas até que pequenas conversas inconscientes me deixaram raivosa, sabe-se lá porquê. Mais tarde, quis ir apoiar o meu irmão no treino e senti uma paz dentro de mim que não consigo explicar, senti-me bem onde estava, senti-me ligada à minha família, tal como tenho sentido nestes últimos dias. Agora? Bem, estou sozinha comigo de novo e os pensamentos voltam. A confusão, a impaciência, o ódio, a preguiça, a negatividade. Percebi que estar de férias, para mim, é péssimo e tenho de me manter em actividade, por mais que me custe, de modo a evitar pensamentos e atitudes indesejadas.
Vou limitar-me a estudar nestes últimos dias que me faltam e a apreciar o sorriso de que gosto no rosto da minha família, que por mais me irrite, fazem-me sentir bem, fazem-me sentir normal, fazem-me sentir completa.
P.S.: Foram precisas duas semanas de férias para perceber que a verdade está nelas as duas.

19.3.08

- Chegas-te?
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.

14.3.08

Perdida em Pensamentos

Tenho medo que as palavras sejam escritas, que tudo o que está guardado seja revelado. Tenho sido egoísta, tenho medo de quem diz que me conhece, que prevê as minhas atitudes, que sabe o que vou responder. Depois, penso em tudo o que sei e que ninguém sabe, como podem dizer que me conhecem? Tenho estado aérea de mais, fútil de mais, burra de mais, a esconder o passado que me deixou memórias que tenho de carregar e suportar para o resto da vida. Foi preciso ouvir aquela música para uma memória bem escondida, bem escura e longínqua me lembrar de quem sou, de quem sempre quis ser, daquilo que quero e tenho tentado não querer, dos estranhos olhares no dia-a-dia que me partem por dentro, dos julgamentos, da chama, das borboletas no estômago. A chama está novamente acesa, amor? Sim. Amor pelo que tenho, amor por mim própria, pelas minhas acções, por ser forte, por me manter fiel às minhas promessas, por me sentir mais segura do que estava. É impossível amar um ser humano se não tenho amor para dar, já que ele está reservado para mim, para as minhas necessidades ou crises. A minha força interior espantou-me, pois sou capaz de resistir a qualquer tentação ou imposição feita por quem quer que seja, sou capaz de dizer que não, mesmo que seja julgada por uma convicção minha. Não preciso de provar nada a ninguém para ser aceite ou me dar a conhecer. As coisas não são assim, pelo menos para mim. Não preciso de contar todos os meus problemas, todos os meus gostos, os meus defeitos e qualidades de uma vez só para receber um mero sorriso. E as atitudes? E a beleza do silêncio e do sorriso? A beleza do desconhecido, da curiosidade em conhecer, do interessante? Se despejar tudo o que sei isso acontece? Não.
O saber que não posso interpretar o que vai na mente de uma pessoa fascina-me. Ninguém sabe no que penso enquanto adormeço, ninguém sabe se tenho medo ou não do escuro, ninguém sabe das promessas que faço a mim mesma. Ninguém sabe e sinto-me lisonjeada por ser a única a saber e perceber, já que por mais que fale cada um interpreta o que digo de uma maneira diferente e nunca chegam ao meu ponto de vista.
Tenho evitado estar sozinha para não pensar em coisas sérias, mas é impossível controlar a mente e pôr as emoções de parte.
"Afraid that everything remains unchanged In this fragile dream, Ashamed of the shattered remains Of promises made". HIM, Sweet Pandemonium

24.2.08

Nheca

Estou sem paciência para nada, até a ideia de pensar que não tenho paciência dói. Os dias passam a correr e eu não os aproveito, nem os quero aproveitar. Para quê? Pelo menos tenho tido dias bons que me fizeram rir e distrair-me do vazio que sinto na garganta.
Limito-me a olhar para as atitudes dos outros e, ao fazer isso, conheço muito melhor uma pessoa e sinto-me bem, porque pode parecer estranho, mas as palavras são difíceis de usar em certas ocasiões. Aprendi a não dar importância a tudo o que me irrita e a retribuir com um sorriso nada falso. Aprendi que gosto mais de certas pessoas do que alguma vez imaginei e que até as pessoas menos esperadas se tornam monstros.
Aprendi que, para mim, rir é a solução.
A rotina é tão óbvia que já me chateia e é fácil adivinhar o que vem a seguir: quando passar esta fase mudo alguma coisa em mim ou limito-me a gastar todo o meu dinheiro para mais tarde me arrepender. Melhor estilo de vida é impossível.
São tantas as coisas que passam por esta pequena cabeça que é difícil concentrar-me.

4.2.08

Passado que não se apaga

O meu porco já não me pode ouvir e foi-se embora de Aragão =/
É o que tem acontecido com essa gente: pumba fecho os olhos e já não estão lá, se voaram ou não, isso não reparei mas nunca mais voltaram. O esquisito é que não estou chateada, pelo contrário, se já lhes fiz o mesmo não tenho razões de queixa.
Ontem enquanto esperava pelo sono que sempre se atrasa, lembrei-me de quem deixei para trás, as pessoas de quem me afastei e que vivi óptimos momentos o ano passado.
Estou diferente :'O
A única coisa com que me preocupo é a escola e tenho estado imparável e sem tempo para meras distracções. Se valeu a pena? Não sei, ainda ando à base de calmantes por causa do stress, a minha relação com certas pessoas passou a ser um vergonhoso "olá" de mês em mês e posso entrar no curso que quiser, na universidade que escolher neste pequeno país se manter a média com que me devia orgulhar.
Sortuda? Não me senti realizada. Não estou feliz para o resto do mês. Preocupei-me em encher os outros de orgulho e esqueci-me do que quero. Ter boas notas não é fácil, nunca foi e nunca será, o pior é que quando nos habituamos não queremos outra coisa e sinto-me muito desiludida quando não tenho o que quero e sei que podia ter feito melhor.
Eu não era assim e nada faz sentido.
Quando não estudo ponho-me a fazer as coisas que a maioria dos jovens faz: dormir, comer, internet, sofá, televisão. E sair? E conviver? E errar? Não consigo. Habituei-me a falar com o meu porco, a sermos só nós os dois em Aragão, por entre o silêncio cristalino e o cinzento dos bosques. Não quero lamentar o meu passado mas é o que faço e invejo-o ao mesmo tempo, ao ponto de querer emendar tudo o que fiz para o meu presente ser mais agradável e devagarinho estou a conseguir, mas é difícil chegar ao pé de uma pessoa e perguntar-lhe:
-Então pá, tudo bem? Há ques tempos homem/mulher!
Mas também é difícil pensar nisso e não o fazer, o pior é que não existe um meio-termo, ou faço ou não faço e penso no que vai na cabeça das pessoas, não lhes falo há meses e apareço assim de repente sem dar justificações? Era o que eu pensava se isso me acontecesse. Esquecer e recomeçar? Não ligar e continuar?
Dedico-me a esperar pela verdadeira vida e se calhar ela já começou e não é a mesma que sonho.

23.1.08

"I wish you were here... no reino de Aragão"

Uma brincadeira, era Aragão no início, apenas um apelido para "embelezar" o meu nome, até que passou a ser o meu reino. Sim, um reino onde vivo com o meu porco sem nome, que é o meu fiel escudeiro. Só eu e ele, os outros são meras sombras com um sorriso pintado na cara, sem olhos nem ouvidos. Pelo menos têm nariz.

Quando acordei de madrugada tudo estava cinzento, até as minhas mãos, até os meus olhos. Tinha uma missão a cumprir e se voltasse atrás, eu e todos os meus apoiantes ficavam desapontados com a minha acção. Uma batalha? Um resgate? Apenas um teste que me tirou horas de sono e, quando acabou, não acalmou a minha ansiedade, não retirou as pedras da minha garganta. A única coisa que sabia era que estava mole, queria ir para o meu castelo, queria o meu porco e queria descanso, até que me veio à cabeça o horóscopo da semana, dito por aquela velhinha a quem dei abrigo:

"As emoções estarão um pouco confusas.

O abandono ou a ausência temporária são coisas

que lhe podem acontecer durante esta semana

e podem tanto partir de si como do outro".

"Emoções confusas? Hmm, não sei". Pensando bem, a única coisa com que me sinto confusa é em relação aos outros, como sempre, ou seja, praticamente não sei se os devo odiar ou não. Isto porquê? Porque eu pareço ser a única que vê. Esperem, eu e a Camila dos Chouriços, filha do Americano Traidor. Esquisito não? Ao ser praticamente a única que se irrita e que morre por dentro algo deve estar muito mal.

"Abondono? Ausência?" A Filomena dos Galos abandonou-me em Setembro e nunca mais me deu notícias, mas não, tem de ser esta semana. Bem, ainda faltam quatro dias para o seu fim. Porém, consigo interpretar isso de uma maneira diferente: sinto falta do apoio dos meus companheiros, apoio emocional. Às vezes penso que falo a língua dos Mouros. Necessito de atenção de mais? Eu tenho a solução mas vocês queixam-se no fim. A verdade é que me fazem sentir mesmo burra e insignificante quando simplesmente, puf, se vão embora e não me deixam acabar uma frase. Fazem-me mentir a mim mesma quando digo que isto não volta a acontecer... O meu porco que o diga porque ele é que me ouve. Fazem-me querer sentir o frio que devia ser expelido pelos meus olhos, pelas minhas palavras e pelo meu coração. Fazem e não conseguem porque o meu coração é mole, é fraco, tal como os nossos escravos. Sou um deles.

Com todos estes assuntos a voarem pela minha cabeça, voei eu também quando me encontrava na aula da Dona Águia. Aquele cinzento que se encontrava do outro lado da janela fascinou-me e tentei encontrar uma solução para o meu reino.

A solução foi entrar no cinzento e sentir o frio da chuva

que me batia com força, e mesmo assim, um sorriso fugiu do meu rosto,
mas a verdade é que os sentimentos continuam todos aqui, acrescentando-lhes a traição e o abandono, e conclui que tudo o que está para além dos portões de Aragão deve lá permanecer, bem longe de mim e do meu porco.

11.1.08

Qual é o caminho para sair daqui?

Não sei se foi da dose exagerada de coca-cola durante todo o dia, ou do facto de ter passado metade deste a levar com aquele cheirinho do Mcdonald's e de me ter enfardado daqueles "pecados", mas definitivamente, hoje, estou esquisita. E isto porquê? Sinceramente não consigo explicar: ora sinto uma alegria contagiante que quero partilhar ora a raiva aparece para mudar as direcções do meu humor.
Porque é que estou feliz? São mais as perguntas que as respostas. O dia até não foi dos melhores mas apetece-me rir até me doer a barriga. Rir com alguém. O problema é que a maioria desses alguéns está tão ocupado que me manda dar uma voltinha. Quem é que não tem tempo para rir? Eu própria tenho-me visto tão concentrada e preocupada demais com as minhas obrigações que já enjoa. Preocupo-me com os outros e a única coisa que eles sabem fazer é ignorar-me e fazer-me insignificante (não pá, não estou a fazer birra só porque ninguém se quer rir comigo).
Usa e deita fora. Esquecem-se que os amigos estão aqui para tudo, dispostos a ajudar, a compreender, e não só, e o que fazem é agir como se não os conhecessem, como se fossem simples pessoas que passeiam pelas ruas, como muitas outras. Esta gente aqui parece ser assim, mas há sempre quem foge às regras.
Elas as duas, por exemplo, sabem que não é assim e a única coisa que digo é "só espero que tudo corra bem e pensamento positivo =)!"
Outra coisa muito gira é fugir das discussões só porque a opinião do outro não o agrada ou porque, bem lá no fundo, sabe que o outro tem razão. Mania de pensar que a vossa opinião é a melhor e quando não o é, fazem birra! E que tal justificar essa opinião sagrada e superior? Pois, se calhar não é preciso porque a maioria desta gente aceita tudo o que lhes é dito! Basta que seja dito por alguém, como é que se diz.. hmm.. por um gajo bom ou gaja boa para causar boa impressão, pelas pessoas mais populares ou apenas para se fazer de superior a quem é burrinho.
Outra coisa que acho muita piada é a cegueira! Imaginemos que tudo o que é mau acontece à nossa volta e, sabe-se lá porquê, transformamos essa realidade num "mar de rosas", naquilo que queremos que ela seja, vivendo numa mentira. Será porque não queremos ver? Não, porque nós somos estúpidos ao ponto de sermos infelizes só para termos o que, supostamente, queremos.
Estou errada sobre tudo o que disse? Dêem-me boas justificações em que possa acreditar.
Arrependo-me de hoje ter julgado uma pessoa que não devia ela surpreendeu-me pela positiva. Pelo menos aprendi alguma coisa.
Quem me dera a mim voltar a ser aquela miudita tímida e branca com olhos azuis cristais que explodiam alegria. Sem preocupações, sem tristeza, sem a amargura que nos é transmitida, sem a pobreza de espírito que predomina nas pessoas e que somos obrigados a aturar.
Com tudo isto, já não me apetece rir e 4 coca colas médias do Mcdonald's já se foram.
O caminho para fugir? Apenas abro as portas da minha imaginação e do meu coração e apago tudo o que é mau. Uso a cegueira, pelo menos por hoje, para me sentir melhor e não, miserável.