Sonho
Encontro-me sentada naquele parapeito que apenas eu e o meu silêncio conhecemos.
Aquele parapeito situado entre os limites da angústia e do abandono,
o parapeito mágico que me aquece o coração e me lembra do
vazio atrás das minhas costas,
que permanece durante todo o meu tempo de vida.
Estou debruçada sobre ele, a lamentar o tempo perdido,
a vaguear sobre as memórias que tenho de carregar.
Reparo nas luzes brancas da cidade que parecem vir na minha direcção.
Assustam-me, devo confessar.
São como um buraco negro com todas aquelas memórias indesejadas.
Entrei numa viagem pelo tempo,
vejo-te do outro lado da rua.
Seguras-me na mão e levas-me,
Prometes-me que ninguém me irá encontrar.
Trouxeste-me até um sitio frio,
onde não sou ninguém e o meu passado não importa.
Mas quem sou eu para implorar por tal sonho?
Apenas desejo acordar deste pesadelo branco
e dar valor aonde cheguei.
Cheguei aqui por ti, cheguei longe.
Tento descobrir de onde vieram todos estes sentimentos de quando eu tinha apenas 13 anos, isto parece um puzzle onde me faltam as peças, uma sala trancada sem chave.