2.5.08

Onde a Lua toca a Terra

Quando acordei tudo estava escuro,
tu não estavas lá ao pé de mim.
O fogo apoderou-se,
uma sensação estranha pesava na minha garganta.
Não tinha palavras, não tinha sentimentos,
não tinha movimentos, estava paralisada.
A criatividade demora a chegar,
a Lua não é a mesma,
O mundo cinzento que via todos os dias pela minha janela não está lá.
"O mundo está em constante mudança".
Eu não me consigo habituar à indiferença,
à minha repetição, às cores, ao sorriso, a ti.
Estás longe e ao mesmo tempo tão perto,
não sais da minha cabeça, de dentro de mim.
Impedes-me de ter uma vida normal, de ser feliz
como todas as outras pessoas. Não consigo.
Com medo de estar a morrer aos poucos,
de perder a essência que me entregas-te de mãos abertas.
Os momentos felizes estão fechados num frasco,
junto com todas as borboletas que vieram até mim,
sem medo, sem aflição, puras e brancas que nem neve.
Apenas sei uma coisa:
Devo caminhar até ao lugar onde a Lua toca a Terra,
e esperar lá por ti, esperar pelas tuas doces palavras
que me acalmam o coração.