Sonho
Encontro-me sentada naquele parapeito que apenas eu e o meu silêncio conhecemos.
Aquele parapeito situado entre os limites da angústia e do abandono,
o parapeito mágico que me aquece o coração e me lembra do
vazio atrás das minhas costas,
que permanece durante todo o meu tempo de vida.
Estou debruçada sobre ele, a lamentar o tempo perdido,
a vaguear sobre as memórias que tenho de carregar.
Reparo nas luzes brancas da cidade que parecem vir na minha direcção.
Assustam-me, devo confessar.
São como um buraco negro com todas aquelas memórias indesejadas.
Entrei numa viagem pelo tempo,
vejo-te do outro lado da rua.
Seguras-me na mão e levas-me,
Prometes-me que ninguém me irá encontrar.
Trouxeste-me até um sitio frio,
onde não sou ninguém e o meu passado não importa.
Mas quem sou eu para implorar por tal sonho?
Apenas desejo acordar deste pesadelo branco
e dar valor aonde cheguei.
Cheguei aqui por ti, cheguei longe.
Tento descobrir de onde vieram todos estes sentimentos de quando eu tinha apenas 13 anos, isto parece um puzzle onde me faltam as peças, uma sala trancada sem chave.
11.5.08
5.5.08
Estoirada
Psicologicamente esgotada, sem noção do que é correcto fazer e de que forma agir. Sinceramente, estou farta de fornecer sorrisos, que não são merecidos, a pessoas que não fazem pela vida. Porém, é difícil dizer que não ou tentá-lo dizer de uma maneira leve. Foi o que fiz e levei com uma chapada sem mão.
Hoje em dia, as pessoas não se esforçam para nada e os "escravos" são bem vistos para lhes satisfazer a ganância da maneira mais suja. Se toda a gente reflectisse sobre isso chegava à conclusão que a felicidade suja pesa-nos na consciência. Pergunto-me onde guardaram o esforço, o orgulho, o espírito lutador, o simples "obrigado", as boas maneiras, o respeito pelos outros, pelos mais velhos que tanto nos têm para ensinar. Fazer o menos possível passou a ser o objectivo para poderem alcançar um bem maior que é material e sem valor emocional. Agradar os outros não existe no coração destas pessoas, mas sim pisá-las sem medo e misericórdia. Podem crescer em tamanho, mas por dentro são sempre as mesmas crianças que pararam no tempo, sem ânsia de crescer e agir sabiamente. Nem mesmo a força das palavras ou a força física lhes podem trazer um coração.
Às vezes penso que a única maneira de eu pensar assim é por serem diferentes de mim e não viverem no mesmo meio que eu, mas mesmo assim, não faz sentido completamente nenhum julgar pessoas ou humilhá-las ao fazerem-se de importantes.
Tal como a Ana Rita disse (my little dude ^^), "eu acho que por fora sou uma santa mas por dentro sou uma sacana"... este é o novo sentido de vida, a nova maneira de pensar que pretendo adoptar, pelo menos por hoje.
Pergunto-me se tudo o que faço no dia-a-dia é lutar por uma causa perdida, sem sentido e direcção. A última coisa que quero é viver sem um sentido, sobre as regras de gente incompetente. Sim, eu não me importo de seguir regras, sou a favor delas e não sem o que seria da sociedade sem as mesmas, mas o que me custa mesmo é seguir principios estabelecidos por gente, que não fazem sentido nenhum. Podia estar a falar em política, mas a minha mente não está ligada nesses caminhos. Quando me refiro às regras, penso nas pessoas que vêm ter comigo e me dizem para escrever sobre isto ou aquilo, para experimentar outros caminhos literários e parar de escrever sobre os meus pensamentos, pois é um acto de egoísmo. Cada pessoa faz a sua interpretação, ainda bem que o fazem, mas se quiserem impor o que quer que seja então comecem a escrever os vossos próprios textos, puxem pela vossa criatividade, esforcem-se e não usem os tais escravos, que podem não perdoar.
Sinto-me feliz por fazer o que digo, apesar de muitas vezes não dizer o que penso. Se não posso acabar com os zumbidos à minha volta tenho de lidar com eles e não é um "monte" de pessoas sem coração que me vão fazer perder o meu. E como gostei do que a Ana Rita disse num comentário, não tem mal nenhum em publicá-lo também:
"O melhor realmente é respeitar. Mas há que não esquecer a nossa personalidade e não, não vamos deixar que os outros façam-nos de parvos. Mas lá que é injusto é. Principalmente porque na maioria dos casos ninguém é capaz de chegar ao pé de ti e dizer o porquê dessa "crueldade" como tão bem lhe chamaste. Tolerância Sofia muita tolerância com as pessoas."
2.5.08
Onde a Lua toca a Terra
Quando acordei tudo estava escuro,
tu não estavas lá ao pé de mim.
O fogo apoderou-se,
uma sensação estranha pesava na minha garganta.
Não tinha palavras, não tinha sentimentos,
não tinha movimentos, estava paralisada.
A criatividade demora a chegar,
a Lua não é a mesma,
O mundo cinzento que via todos os dias pela minha janela não está lá.
"O mundo está em constante mudança".
Eu não me consigo habituar à indiferença,
à minha repetição, às cores, ao sorriso, a ti.
Estás longe e ao mesmo tempo tão perto,
não sais da minha cabeça, de dentro de mim.
Impedes-me de ter uma vida normal, de ser feliz
como todas as outras pessoas. Não consigo.
Com medo de estar a morrer aos poucos,
de perder a essência que me entregas-te de mãos abertas.
Os momentos felizes estão fechados num frasco,
junto com todas as borboletas que vieram até mim,
sem medo, sem aflição, puras e brancas que nem neve.
Apenas sei uma coisa:
Devo caminhar até ao lugar onde a Lua toca a Terra,
e esperar lá por ti, esperar pelas tuas doces palavras
que me acalmam o coração.
tu não estavas lá ao pé de mim.
O fogo apoderou-se,
uma sensação estranha pesava na minha garganta.
Não tinha palavras, não tinha sentimentos,
não tinha movimentos, estava paralisada.
A criatividade demora a chegar,
a Lua não é a mesma,
O mundo cinzento que via todos os dias pela minha janela não está lá.
"O mundo está em constante mudança".
Eu não me consigo habituar à indiferença,
à minha repetição, às cores, ao sorriso, a ti.
Estás longe e ao mesmo tempo tão perto,
não sais da minha cabeça, de dentro de mim.
Impedes-me de ter uma vida normal, de ser feliz
como todas as outras pessoas. Não consigo.
Com medo de estar a morrer aos poucos,
de perder a essência que me entregas-te de mãos abertas.
Os momentos felizes estão fechados num frasco,
junto com todas as borboletas que vieram até mim,
sem medo, sem aflição, puras e brancas que nem neve.
Apenas sei uma coisa:
Devo caminhar até ao lugar onde a Lua toca a Terra,
e esperar lá por ti, esperar pelas tuas doces palavras
que me acalmam o coração.
Desabafos
Estes últimos dias têm sido estranhos e ao mesmo tempo gratificantes. Por exemplo, descobri o quão teimosa sou ao não querer desistir de diversos projectos porque não quero mostrar a minha parte fraca, e ainda não sei se isso é bom ou é mau. Quando olho para trás, ainda me arrependo de muitas coisas que fiz e de muitas atitudes que optei por tomar. Cheguei à conclusão que no "calor do momento" é difícil ouvir a nossa consciência que, ainda não compreendi como, está sempre certa e é das únicas que não mente.
Muitas coisas me têm feito reflectir, muitas coisas ainda deambulam rapidamente pela minha cabeça. Simples respostas, simples conversas ou acções, ou apenas coisas que eu vejo ou imagino fazem-me pensar, e não me sinto esgotada por isso. Ainda me sinto confusa em relação ao porquê de eu agir de determinada forma, de a maioria das pessoas pensar que sou "assim ou assado" e de fazerem generalizações sem cabimento nenhum, e é por essas e muitas outras razões que tenho medo delas: elas distorcem o que digo, distorcem a minha imagem e os meus pensamentos. O exemplo mais simples para explicar essas generalizações é, quando estou a ter uma conversa, bastar dizer que eu não gosto de maçãs para suporem que eu não gosto de fruta. Não tem cabimento nenhum e não é assim que vão conhecer alguém, pelo menos a mim. As suposições também são engraçadas, basta estar menos bem disposta e ficar séria para ser uma besta. Não sei onde vão buscar tais ideias, mas obrigado por me ajudarem a descobrir o meu verdadeiro eu.
No meio de tantas confusões e sentimentos completamente doces e indecisos, ainda tenho tempo para me divertir com quem realmente me interessa e preenche o meu mundo. Sim, finalmente sei que o meu mundo não são só os CDs, as guitarras, os livros, a escola, e todas as outras coisas que ao pé do amor que recebo de quem está à minha volta são supérfluas. Muita gente não compreende mas são as pessoas e as suas boas acções que me ficam na memória, e não o novo penteado da vizinha ou a "gajo" bom que me disse olá e me fez aumentar o ego.
É uma certeza no meio de tantas outras confusões e reviravoltas neste mundo onde tudo leva a acções descabidas e sem sentimento.
3.4.08
Pensamentos
Há uns dias, enquanto subia as escadas, deparei-me subitamente com um reflexo nos vidros manchados, uma rapariga que tomou a minha atenção com o seu cabelo escuro e olhar vago. Dei por mim a perguntar "quem é esta? Eu conheço-a de algum lado..." Segundos depois apercebi-me que era eu e lamentei a burrice da minha pergunta, burrice que preferi esquecer mas nunca me saiu da cabeça. Como é que não me consegui reconhecer? Vejo-me num espelho todos os dias, porque é que não me conheci? Ainda estou à procura da resposta.
P.S.: Sinceramente, uma das melhores maneiras de nos sentirmos livres nesta sociedade é não pensar e caminharmos lado a lado com a chuva, não sentindo medo do nosso cabelo ficar monstruoso, dos nossos pés ficarem frios que nem gelo ou de chegarmos ensopados a casa. Não ter medo dos relâmpagos, da trovoada que se fazia ouvir, da chuva ou de apanhar uma gripe. Tirei os óculos, guardei-os na mala e passei a não conhecer ninguém, apenas vi as suas caras enevoadas. Não via nada, ouvia bem alto os meus pensamentos e cada vez que uma gota de água me tocava sentia-me feliz.
25.3.08
9 da noite
Entro todos os dias com a esperança de ver alguma satisfação,
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.
Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".
Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.
Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.
Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".
Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.
Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.
24.3.08
Dias.
"Poderão ocorrer crises profundas; os altos e baixos são cíclicos e esta semana apresenta-se pouco auspiciosa no caminho do bem-estar pessoal"
Desde a última semana que um astrólogo diz a mesma coisa sobre os meus dias. Às vezes pergunto-me se é verdade, pois estes assuntos deixam-me extremamente confusa: "como é que uma descrição destas serve para todas as pessoas do meu signo?". Pergunta frequente, porém, acho que encontrei uma resposta que me satisfez, pelo menos por agora: sempre que leio faço a minha interpretação, e, supostamente é o que toda a gente faz, de modo a que a descrição se ajuste a esse momento. Por mais que não queira acreditar no que uma pessoa, que desconheço, por completo, diz, devo louvar o seu trabalho porque, epá, é verdade.
Enquanto dormia, senti-me feliz e confortável durante o sonho, até que, quando acordei, estava tão irritada que limitei-me a dizer: "não saio de casa para não me chatear". Claro que fiz exactamente o contrário. Sai, ri-me por umas horas até que pequenas conversas inconscientes me deixaram raivosa, sabe-se lá porquê. Mais tarde, quis ir apoiar o meu irmão no treino e senti uma paz dentro de mim que não consigo explicar, senti-me bem onde estava, senti-me ligada à minha família, tal como tenho sentido nestes últimos dias. Agora? Bem, estou sozinha comigo de novo e os pensamentos voltam. A confusão, a impaciência, o ódio, a preguiça, a negatividade. Percebi que estar de férias, para mim, é péssimo e tenho de me manter em actividade, por mais que me custe, de modo a evitar pensamentos e atitudes indesejadas.
Vou limitar-me a estudar nestes últimos dias que me faltam e a apreciar o sorriso de que gosto no rosto da minha família, que por mais me irrite, fazem-me sentir bem, fazem-me sentir normal, fazem-me sentir completa.
P.S.: Foram precisas duas semanas de férias para perceber que a verdade está nelas as duas.
19.3.08
- Chegas-te?
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.
14.3.08
Perdida em Pensamentos
Tenho medo que as palavras sejam escritas, que tudo o que está guardado seja revelado. Tenho sido egoísta, tenho medo de quem diz que me conhece, que prevê as minhas atitudes, que sabe o que vou responder. Depois, penso em tudo o que sei e que ninguém sabe, como podem dizer que me conhecem? Tenho estado aérea de mais, fútil de mais, burra de mais, a esconder o passado que me deixou memórias que tenho de carregar e suportar para o resto da vida. Foi preciso ouvir aquela música para uma memória bem escondida, bem escura e longínqua me lembrar de quem sou, de quem sempre quis ser, daquilo que quero e tenho tentado não querer, dos estranhos olhares no dia-a-dia que me partem por dentro, dos julgamentos, da chama, das borboletas no estômago. A chama está novamente acesa, amor? Sim. Amor pelo que tenho, amor por mim própria, pelas minhas acções, por ser forte, por me manter fiel às minhas promessas, por me sentir mais segura do que estava. É impossível amar um ser humano se não tenho amor para dar, já que ele está reservado para mim, para as minhas necessidades ou crises. A minha força interior espantou-me, pois sou capaz de resistir a qualquer tentação ou imposição feita por quem quer que seja, sou capaz de dizer que não, mesmo que seja julgada por uma convicção minha. Não preciso de provar nada a ninguém para ser aceite ou me dar a conhecer. As coisas não são assim, pelo menos para mim. Não preciso de contar todos os meus problemas, todos os meus gostos, os meus defeitos e qualidades de uma vez só para receber um mero sorriso. E as atitudes? E a beleza do silêncio e do sorriso? A beleza do desconhecido, da curiosidade em conhecer, do interessante? Se despejar tudo o que sei isso acontece? Não.
O saber que não posso interpretar o que vai na mente de uma pessoa fascina-me. Ninguém sabe no que penso enquanto adormeço, ninguém sabe se tenho medo ou não do escuro, ninguém sabe das promessas que faço a mim mesma. Ninguém sabe e sinto-me lisonjeada por ser a única a saber e perceber, já que por mais que fale cada um interpreta o que digo de uma maneira diferente e nunca chegam ao meu ponto de vista.
Tenho evitado estar sozinha para não pensar em coisas sérias, mas é impossível controlar a mente e pôr as emoções de parte.
"Afraid that everything remains unchanged In this fragile dream, Ashamed of the shattered remains Of promises made". HIM, Sweet Pandemonium
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