10.7.08

Novos factos:

- Sou feita de pedra.
- Ando confusa e a minha cabeça não pára.
- Os meus pensamentos parecem aviões a jacto.
- Do que gosto? Não sei. Não sei nada, não sei quem realmente sou.
- Tudo o que me dizem entra por um ouvido e sai pelo outro.
- Sonhar só me faz mal, pôr mãos à obra ainda pior.

Resumindo: estou num estado espectacular! Sempre disse que se não tiver futuro, não tenho presente, e agora não sei qual é o meu futuro, se sei, está bem longe. Sou tão nova e dão-me decisões que são impossíveis tomar de cabeça leve... decisões que não consigo tomar.
É tudo tão estúpido que culpo-me por me deixar levar nestas marés.

29.6.08

26.6.08

Buraco

Estes dias têm sido tão difíceis para mim. Nunca pensei voltar a ter problemas de saúde como tive o ano passado, sempre pensei que tinha aprendido a minha lição. Pelos vistos não.

Estou farta de ouvir "isso são nervos Sofia", "vai comer Sofia!", "já comeste hoje? O que comeste? Quando comeste?". Não é a comida que me vai pôr um sorriso na cara. Pensar que estou assim só por causa da escola não é suficiente. Os exames deixaram-me fisicamente esgotada, enquanto que a ida dele e muitas outras coisas me deixaram abalada do ponto de vista emocional. Devo andar tão mal que o meu pai até me tentou animar com uma ida a Lisboa durante uma semana. Não animou.

Foi preciso a "Sil" tirar-me de casa ontem para me poder rir a vontade e não me sentir miserável, pelo menos por uma noite.


Só quero ter a realidade colada nas minhas costas, e não ter medo de me sentir desiludida ao esperar muito por parte dos outros, que, inconscientes, conseguem quebrar os meus frágeis sonhos com uma simples palavra. A culpa não é minha.

A minha vida neste momento é tão silenciosa, mas eu gosto dela assim. A negatividade voou pela janela e fiquei com um buraco cá dentro que só ele pode preencher.

11.6.08

"Falas sem te conhecer de cor"

Hoje enquanto esperava o tempo sentada no sofá, tentei concentrar-me na minha visão. Tirei os óculos, pousei-os ao meu lado, quase nada via. Cruzei as pernas, parei para ouvir o que dizia a mim própria, abstraí-me e voei. Apercebi-me que nada restava sem ser os sorrisos diários para encobrir o medo que nem eu nem ninguém sabe explicar.
A minha vontade não é suficiente e o meu inconsciente faz-me recuar. Mas eu quero.
Se calhar não o quero com todas as minhas forças, se calhar existem muitos "ses" que ainda passeiam na minha cabeça. Pela primeira vez não sinto receio em dizer "não sei".
Só quero ver por mim própria, sentir a minha alma, sentir-me viva, tornar-me útil, arriscar, observar, reflectir e abrir a bolha à minha volta, conhecer o que ainda não conheci e que está dentro de mim, quero ter a certeza que não falo sem me conhecer de cor.

24.5.08

Se calhar...

Começar a escrever de novo não foi boa ideia... mas até pode ter sido.
Querer passar a mensagem é uma coisa boa... mas pode não ser.
Querer livrar-me de toda a negatividade é um bom objectivo... mas pode não resultar.

Apercebi-me que há coisas que não devem sair do coração e que observar o mundo à minha volta não é tão bonito e excitante como era antes. O tempo passa tão rápido que não consigo assimilar tudo o que quero. Os momentos de reflexão são escassos e enfadonhos. Consegui colar a realidade à palma da minha mão. Habituei-me aos arrependimentos. Juntei os pedaços e não precisei de os guardar para ser feliz.

11.5.08

Coisas escritas no passado

Sonho

Encontro-me sentada naquele parapeito que apenas eu e o meu silêncio conhecemos.
Aquele parapeito situado entre os limites da angústia e do abandono,
o parapeito mágico que me aquece o coração e me lembra do
vazio atrás das minhas costas,
que permanece durante todo o meu tempo de vida.
Estou debruçada sobre ele, a lamentar o tempo perdido,
a vaguear sobre as memórias que tenho de carregar.
Reparo nas luzes brancas da cidade que parecem vir na minha direcção.
Assustam-me, devo confessar.
São como um buraco negro com todas aquelas memórias indesejadas.
Entrei numa viagem pelo tempo,
vejo-te do outro lado da rua.
Seguras-me na mão e levas-me,
Prometes-me que ninguém me irá encontrar.
Trouxeste-me até um sitio frio,
onde não sou ninguém e o meu passado não importa.
Mas quem sou eu para implorar por tal sonho?
Apenas desejo acordar deste pesadelo branco
e dar valor aonde cheguei.
Cheguei aqui por ti, cheguei longe.

Tento descobrir de onde vieram todos estes sentimentos de quando eu tinha apenas 13 anos, isto parece um puzzle onde me faltam as peças, uma sala trancada sem chave.

5.5.08

Estoirada

Psicologicamente esgotada, sem noção do que é correcto fazer e de que forma agir. Sinceramente, estou farta de fornecer sorrisos, que não são merecidos, a pessoas que não fazem pela vida. Porém, é difícil dizer que não ou tentá-lo dizer de uma maneira leve. Foi o que fiz e levei com uma chapada sem mão.
Hoje em dia, as pessoas não se esforçam para nada e os "escravos" são bem vistos para lhes satisfazer a ganância da maneira mais suja. Se toda a gente reflectisse sobre isso chegava à conclusão que a felicidade suja pesa-nos na consciência. Pergunto-me onde guardaram o esforço, o orgulho, o espírito lutador, o simples "obrigado", as boas maneiras, o respeito pelos outros, pelos mais velhos que tanto nos têm para ensinar. Fazer o menos possível passou a ser o objectivo para poderem alcançar um bem maior que é material e sem valor emocional. Agradar os outros não existe no coração destas pessoas, mas sim pisá-las sem medo e misericórdia. Podem crescer em tamanho, mas por dentro são sempre as mesmas crianças que pararam no tempo, sem ânsia de crescer e agir sabiamente. Nem mesmo a força das palavras ou a força física lhes podem trazer um coração.
Às vezes penso que a única maneira de eu pensar assim é por serem diferentes de mim e não viverem no mesmo meio que eu, mas mesmo assim, não faz sentido completamente nenhum julgar pessoas ou humilhá-las ao fazerem-se de importantes.
Tal como a Ana Rita disse (my little dude ^^), "eu acho que por fora sou uma santa mas por dentro sou uma sacana"... este é o novo sentido de vida, a nova maneira de pensar que pretendo adoptar, pelo menos por hoje.
Pergunto-me se tudo o que faço no dia-a-dia é lutar por uma causa perdida, sem sentido e direcção. A última coisa que quero é viver sem um sentido, sobre as regras de gente incompetente. Sim, eu não me importo de seguir regras, sou a favor delas e não sem o que seria da sociedade sem as mesmas, mas o que me custa mesmo é seguir principios estabelecidos por gente, que não fazem sentido nenhum. Podia estar a falar em política, mas a minha mente não está ligada nesses caminhos. Quando me refiro às regras, penso nas pessoas que vêm ter comigo e me dizem para escrever sobre isto ou aquilo, para experimentar outros caminhos literários e parar de escrever sobre os meus pensamentos, pois é um acto de egoísmo. Cada pessoa faz a sua interpretação, ainda bem que o fazem, mas se quiserem impor o que quer que seja então comecem a escrever os vossos próprios textos, puxem pela vossa criatividade, esforcem-se e não usem os tais escravos, que podem não perdoar.
Sinto-me feliz por fazer o que digo, apesar de muitas vezes não dizer o que penso. Se não posso acabar com os zumbidos à minha volta tenho de lidar com eles e não é um "monte" de pessoas sem coração que me vão fazer perder o meu. E como gostei do que a Ana Rita disse num comentário, não tem mal nenhum em publicá-lo também:

"O melhor realmente é respeitar. Mas há que não esquecer a nossa personalidade e não, não vamos deixar que os outros façam-nos de parvos. Mas lá que é injusto é. Principalmente porque na maioria dos casos ninguém é capaz de chegar ao pé de ti e dizer o porquê dessa "crueldade" como tão bem lhe chamaste. Tolerância Sofia muita tolerância com as pessoas."

2.5.08

Onde a Lua toca a Terra

Quando acordei tudo estava escuro,
tu não estavas lá ao pé de mim.
O fogo apoderou-se,
uma sensação estranha pesava na minha garganta.
Não tinha palavras, não tinha sentimentos,
não tinha movimentos, estava paralisada.
A criatividade demora a chegar,
a Lua não é a mesma,
O mundo cinzento que via todos os dias pela minha janela não está lá.
"O mundo está em constante mudança".
Eu não me consigo habituar à indiferença,
à minha repetição, às cores, ao sorriso, a ti.
Estás longe e ao mesmo tempo tão perto,
não sais da minha cabeça, de dentro de mim.
Impedes-me de ter uma vida normal, de ser feliz
como todas as outras pessoas. Não consigo.
Com medo de estar a morrer aos poucos,
de perder a essência que me entregas-te de mãos abertas.
Os momentos felizes estão fechados num frasco,
junto com todas as borboletas que vieram até mim,
sem medo, sem aflição, puras e brancas que nem neve.
Apenas sei uma coisa:
Devo caminhar até ao lugar onde a Lua toca a Terra,
e esperar lá por ti, esperar pelas tuas doces palavras
que me acalmam o coração.

Desabafos

Estes últimos dias têm sido estranhos e ao mesmo tempo gratificantes. Por exemplo, descobri o quão teimosa sou ao não querer desistir de diversos projectos porque não quero mostrar a minha parte fraca, e ainda não sei se isso é bom ou é mau. Quando olho para trás, ainda me arrependo de muitas coisas que fiz e de muitas atitudes que optei por tomar. Cheguei à conclusão que no "calor do momento" é difícil ouvir a nossa consciência que, ainda não compreendi como, está sempre certa e é das únicas que não mente.
Muitas coisas me têm feito reflectir, muitas coisas ainda deambulam rapidamente pela minha cabeça. Simples respostas, simples conversas ou acções, ou apenas coisas que eu vejo ou imagino fazem-me pensar, e não me sinto esgotada por isso. Ainda me sinto confusa em relação ao porquê de eu agir de determinada forma, de a maioria das pessoas pensar que sou "assim ou assado" e de fazerem generalizações sem cabimento nenhum, e é por essas e muitas outras razões que tenho medo delas: elas distorcem o que digo, distorcem a minha imagem e os meus pensamentos. O exemplo mais simples para explicar essas generalizações é, quando estou a ter uma conversa, bastar dizer que eu não gosto de maçãs para suporem que eu não gosto de fruta. Não tem cabimento nenhum e não é assim que vão conhecer alguém, pelo menos a mim. As suposições também são engraçadas, basta estar menos bem disposta e ficar séria para ser uma besta. Não sei onde vão buscar tais ideias, mas obrigado por me ajudarem a descobrir o meu verdadeiro eu.
No meio de tantas confusões e sentimentos completamente doces e indecisos, ainda tenho tempo para me divertir com quem realmente me interessa e preenche o meu mundo. Sim, finalmente sei que o meu mundo não são só os CDs, as guitarras, os livros, a escola, e todas as outras coisas que ao pé do amor que recebo de quem está à minha volta são supérfluas. Muita gente não compreende mas são as pessoas e as suas boas acções que me ficam na memória, e não o novo penteado da vizinha ou a "gajo" bom que me disse olá e me fez aumentar o ego.
É uma certeza no meio de tantas outras confusões e reviravoltas neste mundo onde tudo leva a acções descabidas e sem sentimento.