29.12.08

Será que...?

Consigo sentir todos os ossos do meu corpo, mas o que é que isso importa?
Apenas sei que estou aqui, mas onde está o resto?
Ontem encontrei o meu interior e estou feliz... Pode ser uma felicidade temporária mas não me importo, sei o que sou e isso ninguém me pode tirar outra vez.
Não vale a pena escavar à procura de memórias de dias passados.

"You may find that there was nothing anyway,
Is it me or did we all get bored insane?"
Antimatter

22.12.08

Obrigado

Eu fiz o que ela me pediu... por mais estranho que pareça. Deixei de me ouvir e de ser teimosa e arrisquei. Se valeu a pena? Sim, sem pensar duas vezes.
Ele, aquele que eu nunca pensei que me pudesse ajudar, que tivesse um pingo de juízo na cabeça, foi o que me ofereceu a razão de volta. Onde está a Sofia? Onde?
E depois de me acalmar, de saber que não é só comigo, encontrei a paz entalada na minha garganta e virei as costas.
Primeiro o amor por mim. E depois? Voltei ao passado, aos bons velhos tempos que me fazem sentir tanta saudade, e partilhei os meus pensamentos. Agora sei e quero: chega de viver sozinha no mundo da Sofia e não, não existem cadeados... apenas portas completamente fechadas para quem não souber o que é ser Humano.
E este é o fim.

15.12.08

Pensamentos positivos?

Não quero,
Não sou,
Não me apetece,
Não me interessa,
Não falo,
Não penso,
Não sinto,
Não.

29.11.08

Amor e Ódio

Parece que fui baptizada em medo.
Como é que encontro uma cara amigável na multidão?
Como é que me encontro por entre multidão?
Não sei para onde a minha bolha protectora foi.
Quando o medicamento humano não está disponível, o que é que eu faço?
Apesar de estar longe da minha zona de conforto,
Uma coisa eu sei:
A verdade vai subir à superfície no dia em que menos esperares,
Todos os buracos que fizeste dentro de mim vão ser preenchidos,
Vou deixar de cambalear entre o Amor e o Ódio
E dizer para mim mesma "tens razão Sofia... sempre tiveste".

10.11.08

Não consigo escrever.

Motivação e ideias não me faltam, mas isso não é o suficiente. Está tudo amontoado na minha cabeça e a querer sair ao mesmo tempo, é difícil conseguir organizar os meus pensamentos, e preciso de tempo para pôr tudo em ordem.
Preciso de algo novo, de uma nova rotina, de um novo eu.

9.11.08

Eu sabia

Há pessoas que são tão previsíveis. Quando as conhecemos demais conseguimos prever as suas falas, os seus gestos, as suas acções.
Quando nos desiludem o que podemos dizer se não "eu sabia que ias optar pelo caminho mais fácil?"
Custa-me entender como conseguem gozar a vitória vergonhosa e sem esforço. Para que é que ela serve afinal? Para quê? Eu sei que bem lá no fundo da sua mente elas sabem que não valem nada, perderam todo o seu valor com mentiras constantes.
São as tais relações tóxicas que finalmente queimei. Para quê desculpar quando não sinto respeito? Não vale a pena.

23.10.08

O sonho mais cinzento que eu já sonhei

Acordei vazia, sem todas as preocupações, sem medos e inseguranças.
Só tinha uma sensação de paz no peito.
Sabia que estavas comigo,
Apenas por um único sonho.
Lá no fundo sabia que era errado,
Mas estar em paz é errado?
Trouxeste-me o silêncio que precisava,
Foste embora e deixaste comigo a canção,
A melodia que me perseguiu por meros segundos.
Encontrei-a hoje,
Consegui salvá-la do meu inconsciente.
O silêncio nunca dura,
E não, não sou só feita de pensamentos negativos.
Consigo sonhar enquanto o meu coração diz que é impossível,
Consigo ver a beleza por detrás de um sonho cinzento.

27.9.08

Conta-me uma história de embalar

Daquelas que pintam a vida com lençóis brancos.
Conta-me a verdade e explica-me o porquê das coisas.
Hoje faz frio. Tenho pensado em ti.
Porque é que cresceste tão depressa?
Porque é que usas palavras que me magoam como pedras?
Porquê?
O som da minha mente não tem sido tão bonito
Como era antes.
Sinto-me burra e inferior sempre que te aproximas,
Mas ensinaste-me que todos somos grandes dentro do nosso mundo.
Estou a ver-te crescer com o coração frio,
Fechaste-o e eu não quis fechar o meu,
pelo menos para ti.
Será que é assim que lá chegamos?
Mas chegar aonde? Para onde vamos?
Conta-me o final da história,
Explica-me o presente,
Abre a tua mente e
Descreve-me o teu coração.

20.9.08

Feliz?

Finalmente a paz chegou à minha mente. Esperei por melhores dias e a verdade é que eles vieram. Não precisei de recorrer ao chamado desespero ou desejo que o tempo passasse. Apenas encontrei o silêncio cá dentro e consegui. Sabe bem respirar e saber que tenho tudo o que sempre quis. Encontrei o meu medicamento humano.

18.9.08

Privado

Irrita-me profundamente que alguém me peça para desabafar. Irrita-me.
A iniciativa não deve partir só dos outros, até porque sentiria que me estavam a arrancar os sentimentos. Mas há coisas que nunca se deve dizer. Sempre houve. Há coisas que são só nossas e que as outras pessoas não têm o direito de saber. Para quê? Será que me iria sentir mais leve? Pelo contrário. Tornar algo público que é privado chega a ser uma falta de respeito para com nós mesmos.
Sinto-me mal por guardar tudo, mas quando não se confia a cem por cento em alguém, que se pode fazer? Posso contar a uma pessoa mas essa pessoa conta a outra e assim sucessivamente. O que era privado perde agora o seu valor e todas as pessoas nos conhecem, o interesse perde a cor.
É tão fácil culparmos os outros por estarmos em baixo, quando a culpa também é nossa. Estamos assim porque queremos. Nestas alturas nada é mais difícil que tentar ser feliz a dois. O meu único desejo é que a minha vida seja um globo de neve: eu e ele fechados lá dentro. Cá fora fica tudo o resto, quem não interessa e que não pode entrar.

Sinto falta dela. Agora sim percebo tudo o que fez e sinceramente acho que fazia o mesmo sem pensar duas vezes. Arrependo-me dos dias em que dizia que não a percebia, e é pena os seus chamados amigos não a entenderem. Apenas uma... aquela de quem nunca esperei ouvir "quem somos nós para a julgar?".

Depois de tanto tempo a escrever este post acalmei-me. Muita coisa vai mudar... a partir de agora.

She changes every time you look. By summer it was all gone - now she's moved on. She called you every other day so savour it, it's all gone - now she's moved on.
Porcupine Tree, She's Moved On

17.9.08

Segredo



Sabem aqueles segredos bem escondidos que voam à nossa volta e, do nada, começam a surgir quando crescemos? Metem medo. Podem mudar a minha opinião sobre as pessoas que mais gosto. Podem mudar a minha visão sobre o mundo. Por mais vergonhosos que sejam, pergunto-me porque os enterram e constroem um mundo novo, de fadas, à volta deles. Mas esses segredos fazem parte de mim, porque me haveriam de os esconder? Só espero que a curiosidade não mate.

13.9.08

Basta um simples toque para nos perdermos.
Parece que me partiram o coração e os pedaços ficaram entalados na garganta.
Porque é que acabamos sempre por dar a chave do nosso coração, do nosso bem mais precioso?

7.9.08

Se eu fosse assim

Não percebo qual é a necessidade que o ser humano tem em mostrar que é diferente do que o rodeia todos os dias. Acho que todos nós procuramos a nossa identidade porque crescemos de dia para dia. O que é hoje amanhã pode não ser, mas se nos agarrarmos a isso com que ficamos? É como a terra a cair por entre os meus dedos. Com que fico no fim?

31.8.08

P.s.

Encontrei um ipod. Chama-se Silvana e é uma espécie de mp3 modelo humano.

28.8.08

O livro

Ontem enquanto conversava, penso que com a Silvana, apercebi-me de uma coisa que nunca me tinha passado pela cabeça.
Às vezes sinto-me tão perdida num dia, numa nova página que se abre, que não sei a que livro pertenço. E não sou só eu que me sinto assim.
Parece que tenho medo de escrever uma página, que, quer queira quer não, é sempre escrita. E se a folha é escrita com coisas que não quero? As acções de hoje podem parecer certas e amanhã podem ser a maior burrice que alguma vez fiz.
Rasgar as folhas do livro não me parece ser a solução. Se calhar aceitá-las?

23.8.08

Questão.

A minha vida sem mp3 é um tédio. Tenho de me habituar a ouvir os meus pensamentos nos momentos em que não os quero ouvir. Não posso voar quando quero, não posso desligar-me da realidade quando quero. A verdade é que ele não morreu de uma queda ou de um murro. Morreu enquanto dormia.
O melhor da história? Está na garantia e dentro de dias volta para mim.

Porque é que com as pessoas não pode ser assim?

22.8.08

Fiz "merda",

o pior é que gostei.

19.8.08

Ando a perder tempo.

Pergunto-me se preciso de aturar e carregar, nos meus ombros, todos os problemas. Quem sou e para me impor? É o tal "entra por um ouvido e sai pelo outro". É o "vou ajudar-te porque hoje dá-me jeito", ou então o "deixa-me chorar todas as lágrimas de crocodilo".
É tudo tão normal nos olhos de alguns e ao mesmo tempo tudo tão estranho. São atitudes que não se percebem e não trazem manual de instruções.
Não quero que venham ter comigo ou falem comigo porque lhes convém. Não sou cega. Sou humana e tenho olhinhos e cabeça, sim?

9.8.08

Descobertas

As desilusões são como as ondas do mar: vão e vêm. Umas maiores, outras mais pequenas... não passam de simples desilusões que podem ser evitadas. Como? Basta pensar antes de agir, pensar nos outros e no que realmente importa.
Outra coisa que descobri é que as palavras podem ter a força de um furacão e nós somos uma simples flor que pode ser arrasada, uma flor que, se não for regada, não cresce, morre.
Essa flor é o nosso espírito, a nossa mente.

31.7.08

Entre dois mundos

- Alô?
- Sim?
- Sofia? Estás viva!? Porque não atendias o telefone?
- Não sabia onde o tinha deixado.
- Fiquei preocupada. Pensava que te tinha ensinado a nunca o largares, tal como o teu coração.
- Mas sabes que podes sempre falar com o meu coração. Está sempre aberto para ti.
- Eu sei.
- Basta olhares para o céu todas as noites e sentires o vento.
- Regaste a minha rosa?
- Acalma-te.
- Regaste?
- Sim. Fiz tudo o que me pediste e apenas tentei fechar a rotina. Tentei fazer algo por mim.
- Conseguiste?
- Consegui. Comecei a pensar por mim novamente, a chegar a novas conclusões.
- Onde chegaste?
- Ao princípio de tudo, ao princípio do meu mundo.

24.7.08

Descobri o segredo

Viajei sozinha. Posso nunca mais conseguir voltar a fazê-lo, esta pode ser a última vez, mas consegui navegar directamente para dentro do meu coração, iluminando lugares onde nunca estive antes. Bastou-me ter vontade de sentir, e descobri que o meu coração é diferente. É meu.

22.7.08

Aprendi.

Tudo o que escrevo é tão vago, tão simples mas ao mesmo tempo tão completo. Sempre pensei que nunca conseguia escrever tudo o que sentia. Agora sei que não consigo mesmo.
Parece que obrigo os pensamentos a organizarem-se e saírem-me pelas mãos em forma de palavras. Já não consigo olhar para dentro de mim, quanto mais entrar no meu coração. Pensar passou a ser algo confuso sem saída, sem um caminho certo que eu possa tomar e orgulhar-me de o ter feito.
Mas quem é que consegue parar de pensar? Quem é que não pensa? Há pessoas que pensam de mais. Eu sou uma dessas pessoas. Mas porquê?
Se calhar é por causa da minha infância. Desde cedo me habituei a estar sozinha, a brincar sozinha, a ser a Sofia. Lembro-me que me fechava no quarto horas a fio, lembro-me que passava os dias a ler porque estava sozinha. Tinha de me ocupar com alguma coisa. Se calhar foi por estar sozinha que nunca fui muito sociável. Era eu. Mas sou eu? Não. Apesar da minha infância me ter influenciado, aprendi a ser diferente. O meio onde estou inserida modificou-me. Eu estou em constante mudança.

20.7.08

"Tu és a metade do vocês"

Nunca me tinha apercebido disso. O Helder diz coisas acertadas.
Agora faço parte de algo, que apesar de poder não existir, me conforta.

11.7.08

Resposta

Encontrei a flor que tanto procurava.
Encontrei-a no paraíso.
Estou em paz.

10.7.08

Novos factos:

- Sou feita de pedra.
- Ando confusa e a minha cabeça não pára.
- Os meus pensamentos parecem aviões a jacto.
- Do que gosto? Não sei. Não sei nada, não sei quem realmente sou.
- Tudo o que me dizem entra por um ouvido e sai pelo outro.
- Sonhar só me faz mal, pôr mãos à obra ainda pior.

Resumindo: estou num estado espectacular! Sempre disse que se não tiver futuro, não tenho presente, e agora não sei qual é o meu futuro, se sei, está bem longe. Sou tão nova e dão-me decisões que são impossíveis tomar de cabeça leve... decisões que não consigo tomar.
É tudo tão estúpido que culpo-me por me deixar levar nestas marés.

29.6.08

26.6.08

Buraco

Estes dias têm sido tão difíceis para mim. Nunca pensei voltar a ter problemas de saúde como tive o ano passado, sempre pensei que tinha aprendido a minha lição. Pelos vistos não.

Estou farta de ouvir "isso são nervos Sofia", "vai comer Sofia!", "já comeste hoje? O que comeste? Quando comeste?". Não é a comida que me vai pôr um sorriso na cara. Pensar que estou assim só por causa da escola não é suficiente. Os exames deixaram-me fisicamente esgotada, enquanto que a ida dele e muitas outras coisas me deixaram abalada do ponto de vista emocional. Devo andar tão mal que o meu pai até me tentou animar com uma ida a Lisboa durante uma semana. Não animou.

Foi preciso a "Sil" tirar-me de casa ontem para me poder rir a vontade e não me sentir miserável, pelo menos por uma noite.


Só quero ter a realidade colada nas minhas costas, e não ter medo de me sentir desiludida ao esperar muito por parte dos outros, que, inconscientes, conseguem quebrar os meus frágeis sonhos com uma simples palavra. A culpa não é minha.

A minha vida neste momento é tão silenciosa, mas eu gosto dela assim. A negatividade voou pela janela e fiquei com um buraco cá dentro que só ele pode preencher.

11.6.08

"Falas sem te conhecer de cor"

Hoje enquanto esperava o tempo sentada no sofá, tentei concentrar-me na minha visão. Tirei os óculos, pousei-os ao meu lado, quase nada via. Cruzei as pernas, parei para ouvir o que dizia a mim própria, abstraí-me e voei. Apercebi-me que nada restava sem ser os sorrisos diários para encobrir o medo que nem eu nem ninguém sabe explicar.
A minha vontade não é suficiente e o meu inconsciente faz-me recuar. Mas eu quero.
Se calhar não o quero com todas as minhas forças, se calhar existem muitos "ses" que ainda passeiam na minha cabeça. Pela primeira vez não sinto receio em dizer "não sei".
Só quero ver por mim própria, sentir a minha alma, sentir-me viva, tornar-me útil, arriscar, observar, reflectir e abrir a bolha à minha volta, conhecer o que ainda não conheci e que está dentro de mim, quero ter a certeza que não falo sem me conhecer de cor.

24.5.08

Se calhar...

Começar a escrever de novo não foi boa ideia... mas até pode ter sido.
Querer passar a mensagem é uma coisa boa... mas pode não ser.
Querer livrar-me de toda a negatividade é um bom objectivo... mas pode não resultar.

Apercebi-me que há coisas que não devem sair do coração e que observar o mundo à minha volta não é tão bonito e excitante como era antes. O tempo passa tão rápido que não consigo assimilar tudo o que quero. Os momentos de reflexão são escassos e enfadonhos. Consegui colar a realidade à palma da minha mão. Habituei-me aos arrependimentos. Juntei os pedaços e não precisei de os guardar para ser feliz.

11.5.08

Coisas escritas no passado

Sonho

Encontro-me sentada naquele parapeito que apenas eu e o meu silêncio conhecemos.
Aquele parapeito situado entre os limites da angústia e do abandono,
o parapeito mágico que me aquece o coração e me lembra do
vazio atrás das minhas costas,
que permanece durante todo o meu tempo de vida.
Estou debruçada sobre ele, a lamentar o tempo perdido,
a vaguear sobre as memórias que tenho de carregar.
Reparo nas luzes brancas da cidade que parecem vir na minha direcção.
Assustam-me, devo confessar.
São como um buraco negro com todas aquelas memórias indesejadas.
Entrei numa viagem pelo tempo,
vejo-te do outro lado da rua.
Seguras-me na mão e levas-me,
Prometes-me que ninguém me irá encontrar.
Trouxeste-me até um sitio frio,
onde não sou ninguém e o meu passado não importa.
Mas quem sou eu para implorar por tal sonho?
Apenas desejo acordar deste pesadelo branco
e dar valor aonde cheguei.
Cheguei aqui por ti, cheguei longe.

Tento descobrir de onde vieram todos estes sentimentos de quando eu tinha apenas 13 anos, isto parece um puzzle onde me faltam as peças, uma sala trancada sem chave.

5.5.08

Estoirada

Psicologicamente esgotada, sem noção do que é correcto fazer e de que forma agir. Sinceramente, estou farta de fornecer sorrisos, que não são merecidos, a pessoas que não fazem pela vida. Porém, é difícil dizer que não ou tentá-lo dizer de uma maneira leve. Foi o que fiz e levei com uma chapada sem mão.
Hoje em dia, as pessoas não se esforçam para nada e os "escravos" são bem vistos para lhes satisfazer a ganância da maneira mais suja. Se toda a gente reflectisse sobre isso chegava à conclusão que a felicidade suja pesa-nos na consciência. Pergunto-me onde guardaram o esforço, o orgulho, o espírito lutador, o simples "obrigado", as boas maneiras, o respeito pelos outros, pelos mais velhos que tanto nos têm para ensinar. Fazer o menos possível passou a ser o objectivo para poderem alcançar um bem maior que é material e sem valor emocional. Agradar os outros não existe no coração destas pessoas, mas sim pisá-las sem medo e misericórdia. Podem crescer em tamanho, mas por dentro são sempre as mesmas crianças que pararam no tempo, sem ânsia de crescer e agir sabiamente. Nem mesmo a força das palavras ou a força física lhes podem trazer um coração.
Às vezes penso que a única maneira de eu pensar assim é por serem diferentes de mim e não viverem no mesmo meio que eu, mas mesmo assim, não faz sentido completamente nenhum julgar pessoas ou humilhá-las ao fazerem-se de importantes.
Tal como a Ana Rita disse (my little dude ^^), "eu acho que por fora sou uma santa mas por dentro sou uma sacana"... este é o novo sentido de vida, a nova maneira de pensar que pretendo adoptar, pelo menos por hoje.
Pergunto-me se tudo o que faço no dia-a-dia é lutar por uma causa perdida, sem sentido e direcção. A última coisa que quero é viver sem um sentido, sobre as regras de gente incompetente. Sim, eu não me importo de seguir regras, sou a favor delas e não sem o que seria da sociedade sem as mesmas, mas o que me custa mesmo é seguir principios estabelecidos por gente, que não fazem sentido nenhum. Podia estar a falar em política, mas a minha mente não está ligada nesses caminhos. Quando me refiro às regras, penso nas pessoas que vêm ter comigo e me dizem para escrever sobre isto ou aquilo, para experimentar outros caminhos literários e parar de escrever sobre os meus pensamentos, pois é um acto de egoísmo. Cada pessoa faz a sua interpretação, ainda bem que o fazem, mas se quiserem impor o que quer que seja então comecem a escrever os vossos próprios textos, puxem pela vossa criatividade, esforcem-se e não usem os tais escravos, que podem não perdoar.
Sinto-me feliz por fazer o que digo, apesar de muitas vezes não dizer o que penso. Se não posso acabar com os zumbidos à minha volta tenho de lidar com eles e não é um "monte" de pessoas sem coração que me vão fazer perder o meu. E como gostei do que a Ana Rita disse num comentário, não tem mal nenhum em publicá-lo também:

"O melhor realmente é respeitar. Mas há que não esquecer a nossa personalidade e não, não vamos deixar que os outros façam-nos de parvos. Mas lá que é injusto é. Principalmente porque na maioria dos casos ninguém é capaz de chegar ao pé de ti e dizer o porquê dessa "crueldade" como tão bem lhe chamaste. Tolerância Sofia muita tolerância com as pessoas."

2.5.08

Onde a Lua toca a Terra

Quando acordei tudo estava escuro,
tu não estavas lá ao pé de mim.
O fogo apoderou-se,
uma sensação estranha pesava na minha garganta.
Não tinha palavras, não tinha sentimentos,
não tinha movimentos, estava paralisada.
A criatividade demora a chegar,
a Lua não é a mesma,
O mundo cinzento que via todos os dias pela minha janela não está lá.
"O mundo está em constante mudança".
Eu não me consigo habituar à indiferença,
à minha repetição, às cores, ao sorriso, a ti.
Estás longe e ao mesmo tempo tão perto,
não sais da minha cabeça, de dentro de mim.
Impedes-me de ter uma vida normal, de ser feliz
como todas as outras pessoas. Não consigo.
Com medo de estar a morrer aos poucos,
de perder a essência que me entregas-te de mãos abertas.
Os momentos felizes estão fechados num frasco,
junto com todas as borboletas que vieram até mim,
sem medo, sem aflição, puras e brancas que nem neve.
Apenas sei uma coisa:
Devo caminhar até ao lugar onde a Lua toca a Terra,
e esperar lá por ti, esperar pelas tuas doces palavras
que me acalmam o coração.

Desabafos

Estes últimos dias têm sido estranhos e ao mesmo tempo gratificantes. Por exemplo, descobri o quão teimosa sou ao não querer desistir de diversos projectos porque não quero mostrar a minha parte fraca, e ainda não sei se isso é bom ou é mau. Quando olho para trás, ainda me arrependo de muitas coisas que fiz e de muitas atitudes que optei por tomar. Cheguei à conclusão que no "calor do momento" é difícil ouvir a nossa consciência que, ainda não compreendi como, está sempre certa e é das únicas que não mente.
Muitas coisas me têm feito reflectir, muitas coisas ainda deambulam rapidamente pela minha cabeça. Simples respostas, simples conversas ou acções, ou apenas coisas que eu vejo ou imagino fazem-me pensar, e não me sinto esgotada por isso. Ainda me sinto confusa em relação ao porquê de eu agir de determinada forma, de a maioria das pessoas pensar que sou "assim ou assado" e de fazerem generalizações sem cabimento nenhum, e é por essas e muitas outras razões que tenho medo delas: elas distorcem o que digo, distorcem a minha imagem e os meus pensamentos. O exemplo mais simples para explicar essas generalizações é, quando estou a ter uma conversa, bastar dizer que eu não gosto de maçãs para suporem que eu não gosto de fruta. Não tem cabimento nenhum e não é assim que vão conhecer alguém, pelo menos a mim. As suposições também são engraçadas, basta estar menos bem disposta e ficar séria para ser uma besta. Não sei onde vão buscar tais ideias, mas obrigado por me ajudarem a descobrir o meu verdadeiro eu.
No meio de tantas confusões e sentimentos completamente doces e indecisos, ainda tenho tempo para me divertir com quem realmente me interessa e preenche o meu mundo. Sim, finalmente sei que o meu mundo não são só os CDs, as guitarras, os livros, a escola, e todas as outras coisas que ao pé do amor que recebo de quem está à minha volta são supérfluas. Muita gente não compreende mas são as pessoas e as suas boas acções que me ficam na memória, e não o novo penteado da vizinha ou a "gajo" bom que me disse olá e me fez aumentar o ego.
É uma certeza no meio de tantas outras confusões e reviravoltas neste mundo onde tudo leva a acções descabidas e sem sentimento.

3.4.08

Pensamentos

Há uns dias, enquanto subia as escadas, deparei-me subitamente com um reflexo nos vidros manchados, uma rapariga que tomou a minha atenção com o seu cabelo escuro e olhar vago. Dei por mim a perguntar "quem é esta? Eu conheço-a de algum lado..." Segundos depois apercebi-me que era eu e lamentei a burrice da minha pergunta, burrice que preferi esquecer mas nunca me saiu da cabeça. Como é que não me consegui reconhecer? Vejo-me num espelho todos os dias, porque é que não me conheci? Ainda estou à procura da resposta.



P.S.: Sinceramente, uma das melhores maneiras de nos sentirmos livres nesta sociedade é não pensar e caminharmos lado a lado com a chuva, não sentindo medo do nosso cabelo ficar monstruoso, dos nossos pés ficarem frios que nem gelo ou de chegarmos ensopados a casa. Não ter medo dos relâmpagos, da trovoada que se fazia ouvir, da chuva ou de apanhar uma gripe. Tirei os óculos, guardei-os na mala e passei a não conhecer ninguém, apenas vi as suas caras enevoadas. Não via nada, ouvia bem alto os meus pensamentos e cada vez que uma gota de água me tocava sentia-me feliz.

25.3.08

9 da noite

Entro todos os dias com a esperança de ver alguma satisfação,
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.

Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".

Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.

Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.

24.3.08

Dias.

"Poderão ocorrer crises profundas; os altos e baixos são cíclicos e esta semana apresenta-se pouco auspiciosa no caminho do bem-estar pessoal"
Desde a última semana que um astrólogo diz a mesma coisa sobre os meus dias. Às vezes pergunto-me se é verdade, pois estes assuntos deixam-me extremamente confusa: "como é que uma descrição destas serve para todas as pessoas do meu signo?". Pergunta frequente, porém, acho que encontrei uma resposta que me satisfez, pelo menos por agora: sempre que leio faço a minha interpretação, e, supostamente é o que toda a gente faz, de modo a que a descrição se ajuste a esse momento. Por mais que não queira acreditar no que uma pessoa, que desconheço, por completo, diz, devo louvar o seu trabalho porque, epá, é verdade.
Enquanto dormia, senti-me feliz e confortável durante o sonho, até que, quando acordei, estava tão irritada que limitei-me a dizer: "não saio de casa para não me chatear". Claro que fiz exactamente o contrário. Sai, ri-me por umas horas até que pequenas conversas inconscientes me deixaram raivosa, sabe-se lá porquê. Mais tarde, quis ir apoiar o meu irmão no treino e senti uma paz dentro de mim que não consigo explicar, senti-me bem onde estava, senti-me ligada à minha família, tal como tenho sentido nestes últimos dias. Agora? Bem, estou sozinha comigo de novo e os pensamentos voltam. A confusão, a impaciência, o ódio, a preguiça, a negatividade. Percebi que estar de férias, para mim, é péssimo e tenho de me manter em actividade, por mais que me custe, de modo a evitar pensamentos e atitudes indesejadas.
Vou limitar-me a estudar nestes últimos dias que me faltam e a apreciar o sorriso de que gosto no rosto da minha família, que por mais me irrite, fazem-me sentir bem, fazem-me sentir normal, fazem-me sentir completa.
P.S.: Foram precisas duas semanas de férias para perceber que a verdade está nelas as duas.

19.3.08

- Chegas-te?
- Acabei de entrar... perdi-me em sonhos e memórias.
- Nunca mais chegavas, estive anos à tua espera, anos demasiado longos.
- Peço desculpa, não tinha essa intenção.
- Sonhar, dizes tu?
- Sim, é estranho, todos os meus medos e preocupações estão lá, mas não são pesadelos. Consigo distorcer as preocupações e conjugá-las com os mais sensíveis desejos. Não sonhas?
- Claro que sim, acordado, antes de adormecer e apoiado na realidade.
- São tantas as preocupações para uma pessoa tão nova que não sabe nada e pensa tudo.
- Só quero que não me deixes esperar.
- Tenho medo de lutar pelo que está errado e enfrentar o arrependimento com olhos frios.
- Tens medo da vida?
- Apenas tenho receio do que está para vir, de ti.

14.3.08

Perdida em Pensamentos

Tenho medo que as palavras sejam escritas, que tudo o que está guardado seja revelado. Tenho sido egoísta, tenho medo de quem diz que me conhece, que prevê as minhas atitudes, que sabe o que vou responder. Depois, penso em tudo o que sei e que ninguém sabe, como podem dizer que me conhecem? Tenho estado aérea de mais, fútil de mais, burra de mais, a esconder o passado que me deixou memórias que tenho de carregar e suportar para o resto da vida. Foi preciso ouvir aquela música para uma memória bem escondida, bem escura e longínqua me lembrar de quem sou, de quem sempre quis ser, daquilo que quero e tenho tentado não querer, dos estranhos olhares no dia-a-dia que me partem por dentro, dos julgamentos, da chama, das borboletas no estômago. A chama está novamente acesa, amor? Sim. Amor pelo que tenho, amor por mim própria, pelas minhas acções, por ser forte, por me manter fiel às minhas promessas, por me sentir mais segura do que estava. É impossível amar um ser humano se não tenho amor para dar, já que ele está reservado para mim, para as minhas necessidades ou crises. A minha força interior espantou-me, pois sou capaz de resistir a qualquer tentação ou imposição feita por quem quer que seja, sou capaz de dizer que não, mesmo que seja julgada por uma convicção minha. Não preciso de provar nada a ninguém para ser aceite ou me dar a conhecer. As coisas não são assim, pelo menos para mim. Não preciso de contar todos os meus problemas, todos os meus gostos, os meus defeitos e qualidades de uma vez só para receber um mero sorriso. E as atitudes? E a beleza do silêncio e do sorriso? A beleza do desconhecido, da curiosidade em conhecer, do interessante? Se despejar tudo o que sei isso acontece? Não.
O saber que não posso interpretar o que vai na mente de uma pessoa fascina-me. Ninguém sabe no que penso enquanto adormeço, ninguém sabe se tenho medo ou não do escuro, ninguém sabe das promessas que faço a mim mesma. Ninguém sabe e sinto-me lisonjeada por ser a única a saber e perceber, já que por mais que fale cada um interpreta o que digo de uma maneira diferente e nunca chegam ao meu ponto de vista.
Tenho evitado estar sozinha para não pensar em coisas sérias, mas é impossível controlar a mente e pôr as emoções de parte.
"Afraid that everything remains unchanged In this fragile dream, Ashamed of the shattered remains Of promises made". HIM, Sweet Pandemonium

24.2.08

Nheca

Estou sem paciência para nada, até a ideia de pensar que não tenho paciência dói. Os dias passam a correr e eu não os aproveito, nem os quero aproveitar. Para quê? Pelo menos tenho tido dias bons que me fizeram rir e distrair-me do vazio que sinto na garganta.
Limito-me a olhar para as atitudes dos outros e, ao fazer isso, conheço muito melhor uma pessoa e sinto-me bem, porque pode parecer estranho, mas as palavras são difíceis de usar em certas ocasiões. Aprendi a não dar importância a tudo o que me irrita e a retribuir com um sorriso nada falso. Aprendi que gosto mais de certas pessoas do que alguma vez imaginei e que até as pessoas menos esperadas se tornam monstros.
Aprendi que, para mim, rir é a solução.
A rotina é tão óbvia que já me chateia e é fácil adivinhar o que vem a seguir: quando passar esta fase mudo alguma coisa em mim ou limito-me a gastar todo o meu dinheiro para mais tarde me arrepender. Melhor estilo de vida é impossível.
São tantas as coisas que passam por esta pequena cabeça que é difícil concentrar-me.

4.2.08

Passado que não se apaga

O meu porco já não me pode ouvir e foi-se embora de Aragão =/
É o que tem acontecido com essa gente: pumba fecho os olhos e já não estão lá, se voaram ou não, isso não reparei mas nunca mais voltaram. O esquisito é que não estou chateada, pelo contrário, se já lhes fiz o mesmo não tenho razões de queixa.
Ontem enquanto esperava pelo sono que sempre se atrasa, lembrei-me de quem deixei para trás, as pessoas de quem me afastei e que vivi óptimos momentos o ano passado.
Estou diferente :'O
A única coisa com que me preocupo é a escola e tenho estado imparável e sem tempo para meras distracções. Se valeu a pena? Não sei, ainda ando à base de calmantes por causa do stress, a minha relação com certas pessoas passou a ser um vergonhoso "olá" de mês em mês e posso entrar no curso que quiser, na universidade que escolher neste pequeno país se manter a média com que me devia orgulhar.
Sortuda? Não me senti realizada. Não estou feliz para o resto do mês. Preocupei-me em encher os outros de orgulho e esqueci-me do que quero. Ter boas notas não é fácil, nunca foi e nunca será, o pior é que quando nos habituamos não queremos outra coisa e sinto-me muito desiludida quando não tenho o que quero e sei que podia ter feito melhor.
Eu não era assim e nada faz sentido.
Quando não estudo ponho-me a fazer as coisas que a maioria dos jovens faz: dormir, comer, internet, sofá, televisão. E sair? E conviver? E errar? Não consigo. Habituei-me a falar com o meu porco, a sermos só nós os dois em Aragão, por entre o silêncio cristalino e o cinzento dos bosques. Não quero lamentar o meu passado mas é o que faço e invejo-o ao mesmo tempo, ao ponto de querer emendar tudo o que fiz para o meu presente ser mais agradável e devagarinho estou a conseguir, mas é difícil chegar ao pé de uma pessoa e perguntar-lhe:
-Então pá, tudo bem? Há ques tempos homem/mulher!
Mas também é difícil pensar nisso e não o fazer, o pior é que não existe um meio-termo, ou faço ou não faço e penso no que vai na cabeça das pessoas, não lhes falo há meses e apareço assim de repente sem dar justificações? Era o que eu pensava se isso me acontecesse. Esquecer e recomeçar? Não ligar e continuar?
Dedico-me a esperar pela verdadeira vida e se calhar ela já começou e não é a mesma que sonho.

23.1.08

"I wish you were here... no reino de Aragão"

Uma brincadeira, era Aragão no início, apenas um apelido para "embelezar" o meu nome, até que passou a ser o meu reino. Sim, um reino onde vivo com o meu porco sem nome, que é o meu fiel escudeiro. Só eu e ele, os outros são meras sombras com um sorriso pintado na cara, sem olhos nem ouvidos. Pelo menos têm nariz.

Quando acordei de madrugada tudo estava cinzento, até as minhas mãos, até os meus olhos. Tinha uma missão a cumprir e se voltasse atrás, eu e todos os meus apoiantes ficavam desapontados com a minha acção. Uma batalha? Um resgate? Apenas um teste que me tirou horas de sono e, quando acabou, não acalmou a minha ansiedade, não retirou as pedras da minha garganta. A única coisa que sabia era que estava mole, queria ir para o meu castelo, queria o meu porco e queria descanso, até que me veio à cabeça o horóscopo da semana, dito por aquela velhinha a quem dei abrigo:

"As emoções estarão um pouco confusas.

O abandono ou a ausência temporária são coisas

que lhe podem acontecer durante esta semana

e podem tanto partir de si como do outro".

"Emoções confusas? Hmm, não sei". Pensando bem, a única coisa com que me sinto confusa é em relação aos outros, como sempre, ou seja, praticamente não sei se os devo odiar ou não. Isto porquê? Porque eu pareço ser a única que vê. Esperem, eu e a Camila dos Chouriços, filha do Americano Traidor. Esquisito não? Ao ser praticamente a única que se irrita e que morre por dentro algo deve estar muito mal.

"Abondono? Ausência?" A Filomena dos Galos abandonou-me em Setembro e nunca mais me deu notícias, mas não, tem de ser esta semana. Bem, ainda faltam quatro dias para o seu fim. Porém, consigo interpretar isso de uma maneira diferente: sinto falta do apoio dos meus companheiros, apoio emocional. Às vezes penso que falo a língua dos Mouros. Necessito de atenção de mais? Eu tenho a solução mas vocês queixam-se no fim. A verdade é que me fazem sentir mesmo burra e insignificante quando simplesmente, puf, se vão embora e não me deixam acabar uma frase. Fazem-me mentir a mim mesma quando digo que isto não volta a acontecer... O meu porco que o diga porque ele é que me ouve. Fazem-me querer sentir o frio que devia ser expelido pelos meus olhos, pelas minhas palavras e pelo meu coração. Fazem e não conseguem porque o meu coração é mole, é fraco, tal como os nossos escravos. Sou um deles.

Com todos estes assuntos a voarem pela minha cabeça, voei eu também quando me encontrava na aula da Dona Águia. Aquele cinzento que se encontrava do outro lado da janela fascinou-me e tentei encontrar uma solução para o meu reino.

A solução foi entrar no cinzento e sentir o frio da chuva

que me batia com força, e mesmo assim, um sorriso fugiu do meu rosto,
mas a verdade é que os sentimentos continuam todos aqui, acrescentando-lhes a traição e o abandono, e conclui que tudo o que está para além dos portões de Aragão deve lá permanecer, bem longe de mim e do meu porco.

11.1.08

Qual é o caminho para sair daqui?

Não sei se foi da dose exagerada de coca-cola durante todo o dia, ou do facto de ter passado metade deste a levar com aquele cheirinho do Mcdonald's e de me ter enfardado daqueles "pecados", mas definitivamente, hoje, estou esquisita. E isto porquê? Sinceramente não consigo explicar: ora sinto uma alegria contagiante que quero partilhar ora a raiva aparece para mudar as direcções do meu humor.
Porque é que estou feliz? São mais as perguntas que as respostas. O dia até não foi dos melhores mas apetece-me rir até me doer a barriga. Rir com alguém. O problema é que a maioria desses alguéns está tão ocupado que me manda dar uma voltinha. Quem é que não tem tempo para rir? Eu própria tenho-me visto tão concentrada e preocupada demais com as minhas obrigações que já enjoa. Preocupo-me com os outros e a única coisa que eles sabem fazer é ignorar-me e fazer-me insignificante (não pá, não estou a fazer birra só porque ninguém se quer rir comigo).
Usa e deita fora. Esquecem-se que os amigos estão aqui para tudo, dispostos a ajudar, a compreender, e não só, e o que fazem é agir como se não os conhecessem, como se fossem simples pessoas que passeiam pelas ruas, como muitas outras. Esta gente aqui parece ser assim, mas há sempre quem foge às regras.
Elas as duas, por exemplo, sabem que não é assim e a única coisa que digo é "só espero que tudo corra bem e pensamento positivo =)!"
Outra coisa muito gira é fugir das discussões só porque a opinião do outro não o agrada ou porque, bem lá no fundo, sabe que o outro tem razão. Mania de pensar que a vossa opinião é a melhor e quando não o é, fazem birra! E que tal justificar essa opinião sagrada e superior? Pois, se calhar não é preciso porque a maioria desta gente aceita tudo o que lhes é dito! Basta que seja dito por alguém, como é que se diz.. hmm.. por um gajo bom ou gaja boa para causar boa impressão, pelas pessoas mais populares ou apenas para se fazer de superior a quem é burrinho.
Outra coisa que acho muita piada é a cegueira! Imaginemos que tudo o que é mau acontece à nossa volta e, sabe-se lá porquê, transformamos essa realidade num "mar de rosas", naquilo que queremos que ela seja, vivendo numa mentira. Será porque não queremos ver? Não, porque nós somos estúpidos ao ponto de sermos infelizes só para termos o que, supostamente, queremos.
Estou errada sobre tudo o que disse? Dêem-me boas justificações em que possa acreditar.
Arrependo-me de hoje ter julgado uma pessoa que não devia ela surpreendeu-me pela positiva. Pelo menos aprendi alguma coisa.
Quem me dera a mim voltar a ser aquela miudita tímida e branca com olhos azuis cristais que explodiam alegria. Sem preocupações, sem tristeza, sem a amargura que nos é transmitida, sem a pobreza de espírito que predomina nas pessoas e que somos obrigados a aturar.
Com tudo isto, já não me apetece rir e 4 coca colas médias do Mcdonald's já se foram.
O caminho para fugir? Apenas abro as portas da minha imaginação e do meu coração e apago tudo o que é mau. Uso a cegueira, pelo menos por hoje, para me sentir melhor e não, miserável.

3.1.08

Dead End?

Perdi longos dias a pensar em mim, no que eu penso sobre quem sou e no que os outros pensam sobre mim. A verdade é que esses caminhos são-me estranhos, metem-me medo só de os mensionar, fazem-me ficar insegura. São tantas as coisas que deambulam dentro da minha cabeça que é extremamente difícil exprimir-me.
A verdade é que tento ser fiel ao que acho que está correcto e tento não ser superior a qualquer outra pessoa, pois quem sou eu?!? Porém, ao não ser superior, tento manter-me em igualdade, o que dificilmente é possível. Não sei se tenho algum problema, mas sim, geralmente me sinto inferior, provavelmente por causa de experiências do passado, onde fui gozada por pessoas que não me conheciam de parte alguma e a minha personalidade foi posta em causa, ou por ter aprendido que as pessoas manipuladoras e "mentirosas" ficam sempre por cima.
Não sou uma pessoa de muitas conversas e, na maior parte do tempo, estou perdida nos meus pensamentos, mas eu gosto de conhecer uma pessoa através das suas acções e não só pelo que ela diz e pensa. Geralmente falam, falam e não fazem nada (provavelmente faço o mesmo ou actuo sem pensar, mas tenho consciência disso e arrependo-me profundamente do que faço).

Tento lembrar-me de uma aula de Filosofia do ano passado, onde fizemos um exercício que, por momentos, aumentou a minha auto-estima. Cada aluno sentava-se numa cadeira, num canto da sala enquanto os outros escreviam o que achavam sobre essa pessoa. Eu levei a sério o que disseram sobre mim, tudo coisas muitíssimo positivas e que me espantaram. Esse exercício, por um lado, fez-me perceber que somos aquilo que queremos ser e ouvi a professora dizer no fim algo que guardarei sempre comigo "Tu és a pessoa mais matura aqui de dentro".
Ela foi a única que, numa aula, olhou para mim e sussurou: "Nota-se nos teus olhos que não queres estar aqui, que não és feliz".

Hoje percebi que estar aqui, em Ponta Delgada, a estudar e a viver não foi de todo uma experiência negativa. Cresci, aprendi, conheci pessoas que guardarei sempre, embora prefira esquecer algumas. Como me vi sempre a dizer que não queria estar aqui, não apreciei tudo o que tenho e tudo o que me apareceu, oportunidades que não aparecem a qualquer um (quem é que tem a oportunidade de ser destacado para a Assembleia da República e, quem sabe, se tudo correr bem, ir a Estrasburgo?). São experiências que não quero, de modo algum deitar fora.
No outro dia, quando me encontrava num local que prefiro não mensionar o nome, tive que pensar em algo que me distraí-se da dor momentânea que estava a sentir. Bastou olhar para os meus óculos para comparar a minha falta de visão à minha vida: Se não vejo bem ao longe e o longe é o meu futuro, então só posso ter uma ideia pouco definida daquilo que está para vir e uma ideia bem definida do perto, do presente.

Quem me dera a mim que a minha vida fosse como a imagino, como gostava que ela fosse mas não me posso prender a isso. Se quero ter o que desejo e conhecer quem idolatro tenho de trabalhar para isso e não sou pessoa de ver as coisas cairem-me à frente, mas às vezes caem e agradeço a quem as faz cair.

Esperança e determinação é o que não me falta, apenas preciso de força e de ultrapassar o medo que tenho das pessoas que se cruzam comigo, das pessoas que me rodeiam. Quando olho para o passado tento não dizer "Oh não! O que é que eu fiz?", mas sim não me arrepender e saber que foram essas acções que me permitiram estar aqui, depressiva ou negativa, estúpida ou alegre, sonhadora ou infantil a escrever para pessoas que nunca pensava que poderiam ligar a isto, pessoas que vieram ter comigo e elogiaram-me.

Obrigado.