Perdi longos dias a pensar em mim, no que eu penso sobre quem sou e no que os outros pensam sobre mim. A verdade é que esses caminhos são-me estranhos, metem-me medo só de os mensionar, fazem-me ficar insegura. São tantas as coisas que deambulam dentro da minha cabeça que é extremamente difícil exprimir-me.
A verdade é que tento ser fiel ao que acho que está correcto e tento não ser superior a qualquer outra pessoa, pois quem sou eu?!? Porém, ao não ser superior, tento manter-me em igualdade, o que dificilmente é possível. Não sei se tenho algum problema, mas sim, geralmente me sinto inferior, provavelmente por causa de experiências do passado, onde fui gozada por pessoas que não me conheciam de parte alguma e a minha personalidade foi posta em causa, ou por ter aprendido que as pessoas manipuladoras e "mentirosas" ficam sempre por cima.
Não sou uma pessoa de muitas conversas e, na maior parte do tempo, estou perdida nos meus pensamentos, mas eu gosto de conhecer uma pessoa através das suas acções e não só pelo que ela diz e pensa. Geralmente falam, falam e não fazem nada (provavelmente faço o mesmo ou actuo sem pensar, mas tenho consciência disso e arrependo-me profundamente do que faço).
Tento lembrar-me de uma aula de Filosofia do ano passado, onde fizemos um exercício que, por momentos, aumentou a minha auto-estima. Cada aluno sentava-se numa cadeira, num canto da sala enquanto os outros escreviam o que achavam sobre essa pessoa. Eu levei a sério o que disseram sobre mim, tudo coisas muitíssimo positivas e que me espantaram. Esse exercício, por um lado, fez-me perceber que somos aquilo que queremos ser e ouvi a professora dizer no fim algo que guardarei sempre comigo "Tu és a pessoa mais matura aqui de dentro".
Ela foi a única que, numa aula, olhou para mim e sussurou: "Nota-se nos teus olhos que não queres estar aqui, que não és feliz".
Hoje percebi que estar aqui, em Ponta Delgada, a estudar e a viver não foi de todo uma experiência negativa. Cresci, aprendi, conheci pessoas que guardarei sempre, embora prefira esquecer algumas. Como me vi sempre a dizer que não queria estar aqui, não apreciei tudo o que tenho e tudo o que me apareceu, oportunidades que não aparecem a qualquer um (quem é que tem a oportunidade de ser destacado para a Assembleia da República e, quem sabe, se tudo correr bem, ir a Estrasburgo?). São experiências que não quero, de modo algum deitar fora.
No outro dia, quando me encontrava num local que prefiro não mensionar o nome, tive que pensar em algo que me distraí-se da dor momentânea que estava a sentir. Bastou olhar para os meus óculos para comparar a minha falta de visão à minha vida: Se não vejo bem ao longe e o longe é o meu futuro, então só posso ter uma ideia pouco definida daquilo que está para vir e uma ideia bem definida do perto, do presente.
Quem me dera a mim que a minha vida fosse como a imagino, como gostava que ela fosse mas não me posso prender a isso. Se quero ter o que desejo e conhecer quem idolatro tenho de trabalhar para isso e não sou pessoa de ver as coisas cairem-me à frente, mas às vezes caem e agradeço a quem as faz cair.
Esperança e determinação é o que não me falta, apenas preciso de força e de ultrapassar o medo que tenho das pessoas que se cruzam comigo, das pessoas que me rodeiam. Quando olho para o passado tento não dizer "Oh não! O que é que eu fiz?", mas sim não me arrepender e saber que foram essas acções que me permitiram estar aqui, depressiva ou negativa, estúpida ou alegre, sonhadora ou infantil a escrever para pessoas que nunca pensava que poderiam ligar a isto, pessoas que vieram ter comigo e elogiaram-me.
Obrigado.