29.12.09

Amanhã?

Amanhã, 07h00. Provavelmente o sol vai estar a nascer por essa altura, provavelmente estarei a fazer o check-in pela terceira vez. 48 horas de nervos, de tédio, de raiva, de pura esperança. Esperança? Há quatro meses que espero por levantar voo. Foram quatro meses a acordar e a riscar menos um dia no calendário. Quatro meses agarrada a algo que me fazia levantar da cama e a dar o que podia na Faculdade. Amanhã? Amanhã, se não conseguir voar, todos os riscos que vivi não serviram para nada. Amanhã, se não entrar no avião, nada valerá a pena no dia depois de amanhã. Tenho tudo preparado para estudar para os exames mas sim, está preparado, não quer dizer que toque em alguma coisa. A cabeça está na ilha, não aqui. Ainda não me mentalizei que poderei não ir. Qual é o sentido de algo que já não tem sentido?
Só quero estar com vocês no primeiro minuto de 2010.
Será que consigo voar, amanhã?

26.12.09

The same heart

Não sei porque lhe sugeri fazermos o trabalho em minha casa, estou a pôr a minha zona de conforto em descoberto. Ele. Podíamos ter ficado numa Biblioteca ou num Café mais calmo. Calmo... isso, acalma-te e finge que não sentes a lareira no peito. Será que ele repara que estou desorientada, que nem consigo pensar em que armário arrumei os copos? Porque é que estou a falar comigo e não com ele?
Não tinha reparado que estava mesmo atrás de mim, sereno, como se fosse capaz de ouvir tudo o que o meu pequeno nervosismo me fazia pensar. Assustei-me e senti o meu coração a disparar, senti um pequeno choque quando me tocou no ombro. Consigo ouvir a sua respiração bem perto do meu ouvido, consigo sentir os seus cabelos a tocar na minha pele, consigo senti-lo, frio.
- Assustaste-te? Só queria saber se precisavas de ajuda.
- Ah os copos, sim, estão aqui.
- Estás tão quente. Sentes-te bem?
- Sim sim... O trabalho, vamos começar?
Não olhei para o relógio durante toda a tarde, talvez tenha sido por isso que me espantei quando já era noite, lá fora. Existia uma ligação naquela sala que eu queria, por força, desligar. Como é que desligo os seus olhos, que me conseguem dizer tudo? Como é que desligo o seu eu que encaixa no meu como um simples puzzle? Como é que me desligo?
- Acho que acabámos, my dear Sophie.
- Sim e já olhaste para o relógio? Passa das 10 e o meu estômago está a pedir comida. Ahm... Jantas comigo?
- Janto, e ajudo-te a fazer o jantar para não te desorientares.
Bolas, ele não é burro e provavelmente cozinha melhor que eu. Passei a tarde a querer desligar tudo, mas e se... se eu agora deixar de pensar? Quero sentir aquele choque outra vez, quero saber o que é, de que é feito. Sim, eu quero senti-lo com todas as partículas do meu corpo. Shh, olha a comida Sofia, bastou ele se afastar para te esqueceres que estavas a cozinhar. Já cheira a queimado, será que ele repara?
Oh não, outra vez. Senti o seu peito nas minhas costas, senti-o debruçar-se sobre mim, provavelmente para ver a porcaria que eu tinha feito. Não calma... está a abraçar-me.
- Como consegues estar tão quente? - Sussurrou.
- Talvez porque... tu pões-me assim.
- Eu? Sempre que te toco encolhes-te, não te posso dar calor.
- Podes sim, põe aqui a tua mão.
Coloquei a sua mão sobre o meu pequeno coração. É o frio que o faz bater tão rápido, que atiça a fogueira.
- Calma, põe a tua mão no meu também. Estás a senti-lo a bater depressa? É igual ao teu.
- Talvez sejam um.

13.12.09

.

Não olhes para mim assim, estás muito frio. Confesso que não quero que te afastes. Quero disfarçar, mas os meus olhos não te conseguem mentir, não.

A minha verdade é quente, porque haverias de fugir dela?
E afinal, quando é que o frio e o calor se encontram?

5.12.09

Take a look in the mirror

Tenho tanto medo de ti, da tua imagem e que me apareças à frente, que estou a tornar-me igual a ti, em todos os aspectos. Talvez sempre fomos iguais, fomos um, o nós. Não sei. Tenho acordado durante os sonhos com uma dor de cabeça horrível. Não cabes aqui, não vale a pena tentar, não há espaço, por mais que eu queira. Tenho medo de ir dormir e de acordar contigo a arrombar a minha porta.

1.12.09

É para ti.

- Está frio hoje, os cobertores não me aquecem. Será que já pus o despertador na hora certa? Sim, fiz isso antes de me deitar. Falta-me qualquer coisa... Talvez sejam coisas da minha cabeça. Vá, dorme.
Devia ter trazido um copo de água, tenho a garganta seca. Hoje não tenho nenhuma melodia que me faça adormecer, não tenho nenhum sítio para viajar e conhecer. Shh... Acho que quando não sei o lado bom de uma situação faço tudo ao contrário. Violo as minhas regras, o que acredito. Não dou oportunidade da flor crescer, não a rego. Mas isso não faz sentido... Já não vale a pena pintar o que é cinzento de branco. É tarde, tenho que dormir.
- Anda, deita-te aqui comigo.
- Eu? Eu não quero.
- Porquê?
- Sei que essa pessoa não és tu, prefiro ficar aqui quieta. Por isso não, não quero.
- Sou eu, sim. Quem achas que sou, quem poderei ser?
- És um pedaço do fantasma, uma linha do seu desenho na minha cabeça, és o que resta dele em mim. Uma das vozes de quem eu quero ouvir, és o meu eu a falar comigo para me acalmar. O vício que me está a fazer dar voltas na cama, que me tira o sono. Sei que quando acordar vou dizer que te odeio e ao fim do dia a única coisa que vou querer é ter-te comigo. Mas não te quero assim, não te conheci assim, quero apagar a linha, destruir o rasto. Dói e estou farta que doa, estou pronta a arrancar-te à força. Não tenho paciência já. Boa noite. E dorme, Sofia.

30.11.09

9:30 pm

Hoje quis ficar na faculdade para não vir para casa. Hoje preferia ter mais oito horas de aulas seguidas, preferia ter feito uma frequência. Hoje quis que a viagem de comboio para casa demorasse, quis perder o autocarro. Hoje fiz de tudo para não me sentir sozinha. Hoje não quis ser fraca, mas parece que o fui e sou.

Ah. Viciei-me na poesia de William Blake.

26.11.09

Nada, acho eu.

Há tempo para tudo, há. Se antes olhava para o espelho à noite, agora tento entrar dentro da minha cabeça enquanto vou no comboio, por exemplo. Nunca pensei gostar tanto de andar de comboio, sentada ao pé da janela, especialmente quando é noite, a ver Lisboa iluminada. Tantas pessoas diferentes, cada uma a pensar em coisas opostas, provavelmente. Tal como eu. Nunca pensei que tivesse de dar um bocado de mim involuntariamente todos os dias. Nunca pensei estar sempre a pensar no passado, estar com constantes interrogações na minha cabeça e a querer controlar o futuro.
Onde é que encontro as sementes para plantar a minha motivação? Onde?

12.11.09

Pull yourself together back, Sophie

Todos os dias entro no blog e ponho-me a ler a página inicial. Leio e lamento a falta de coragem para escrever e deitar tudo cá para fora. Às vezes enquanto estou no comboio de manhã tenho uma ideia e penso "talvez seja melhor apontar no meu bloquinho para mais tarde desenvolver no blog". Mas não. O bloquinho não chega a ser aberto e a ideia não chega a sair da minha cabeça. E o engraçado é que acabei de entornar verniz vermelho em cima do meu edredom branco. Acho que isto já não sai. Acho que por mais que queira, não me vais sair da cabeça esta noite.
Hoje perguntaram-me, "Estás igual?". Respondi que sim sem pensar, mas provavelmente não estou, sei que a Sofia está aqui dentro, torta e distorcida com tanta coisa nova para assimilar. Sei que a Sofia tem voado muito alto e que hoje acabou de perder e apagar a lareira, acabou de perder todo o potencial para o que sempre acreditou poder ter com alguém. A Sofia pode agora sentir o Inverno que se aproxima.

Mas não quero apenas sentir as emoções. Quero pensar sobre elas e no que me leva a senti-las, no medicamento que me pode conduzir ao nada, que me pode levar ao apenas pensar.
Quero dar vida a este mundo que criei mesmo estando a viver esta não-vida, quero devolver a chama ao The World of Fia, ao meu mundo.

1.10.09

Lies.

Nunca mais quero pensar que a minha lareira é um ar condicionado em pleno Inverno. Não, não. Tenho que aceitar o que ela é para mim e aceitar que eu sou algo para ela. Está tudo aqui, um sentimento tão forte guardado dentro do meu peito. Não tem palavras, mas sei que, quando o sinto dentro de mim, um sorriso aparece automaticamente.

Aparte da lareira e das paredes da minha casa, descobri a minha almofada, que quero que seja sempre sincera. Será a minha almofada que estará algures, perto e longe.
Mas parece que tenho um "problema". Vou sempre duvidar de tudo o que me dizem, e só vou acreditar naquilo que sinto, depois de talvez analisar de mais o que não pode ser analisado. Um teste? Habituei-me a ser assim. Só quero ver, ouvir, sentir, saborear e respirar a verdade. Sempre, a verdade.

Vai estudar, Sofia. Deixa de pensar na verdade.

image from here.

28.9.09

At the day that I almost died*,

Tu estavas lá. Não foi a minha nova lareira, não. Foste tu. A pessoa com quem tenho a relação mais esquisita de sempre. A pessoa que me disse "às vezes acho que a nossa história ainda vai a meio." Gostando ou não, querendo ou não, acho que a tua presença não é controlada, por mim. Não sei se isso é bom ou mau, tenho essa dúvida bem presente. Mas estás aqui, porque sim.

We all want the same things don't we
To find the one who opens channels to our hearts
A path you never found upon your own.
Forever Can Be, Ashes Divide


*Chuva? Óleo na estrada? Acontece.

19.9.09

Look, it's the goodbye train.


- Vá... o comboio já vem aí.
O reencontro que durou tão pouco tempo. A distância não apagou nada, a verdade continua intacta. Os minutos de espera pelo comboio foram quase silenciosos. Não sei quando te volto a ver, mas sei que vais estar sempre aqui. Sei que quando passar sozinha pelos sítios por onde caminhámos vou ter um grande sorriso estampado na cara. Boas recordações.
- Adeus.

16.9.09

A casa.

Acendo o incenso, apago as luzes. O portátil já está em cima da cama. Afinal, era isto que sempre precisei para relaxar e deixar de pensar. Tento não me esquecer do que quero escrever, tenho ganhar coragem para o escrever. Acho que ainda não encontrei a minha casa, aqui. Lembro-me que uma vez lhe disse "a tua casa é onde estão as pessoas que fazem parte da tua vida."
Parte-me o coração saber que não estou contigo. Parte-me o coração ouvir-te dizer que passas pela minha antiga casa, desejosa de me encontrar lá. Custa-me saber que tenho uma vida completamente nova e não estás right here, with me. Vou perguntar-te se queres ser as paredes da minha casa. E acho que já encontrei uma lareira que parece não se apagar. Gosto dela.

- Se te desse um fósforo, acendias a chama?
- Acendia.
- E acendias-me?
- Achas que devia?
- Acender a minha chama? Depende do que entendes por ser o fogo dentro de alguém.
- Então eu sou o teu fogo.
- Se te der a mão somos "o" fogo.

27.8.09

This heart, it beats.

Quando o vento rodopia à minha volta, é porque finalmente, chegaste.
- Acorda, estou aqui. Fica com tudo.
Não precisei de falar, consegues perceber todas as minhas expressões. É por isso que me assustas. "Fecha os olhos outra vez", pensei. "Ele não te escolheu e tu não o escolheste". E vi a verdade nos seus olhos:
- Apaga a luz.
- Não quero ir contigo.

15.8.09

Paz

Ahm... Eu não consigo escrever como antes, esforço-me de mais. Nem no meu bloco de notas as palavras correm com naturalidade. Quero ver se compro outro antes de me ir embora. Nova etapa, nova vida. Continuo na mesma. Encontrei o que quero mas o que quero não me quer a mim. A vida não acaba aí. Não sinto remorsos, não me arrependo de nada. Estou feliz, em paz, mesmo sem aquilo que mais desejo.
Custa. Não quero que me digam que falta menos de uma semana para deixar tudo o que construí. Sim, vou ter metade das pessoas que estão na minha vida comigo, em Lisboa e em menos de um mês, mas não é a mesma coisa. Estou pronta para o desafio.
P.s.: O fantasma voltou. Ele encontra sempre o caminho até casa, o desgraçado.

9.8.09

Fome

Sou uma pessoa horrível. Mesmo. Sou tão transparente que irrita. Ui que drama. Hoje o meu inconsciente vingou-se, mas o vazio continua aqui, bem vivo dentro de mim. Para o preencher deixei de ser a Sofia. Tanto faz. Perdi pessoas, ganhei outras, por mais forte que seja a ligação. Sou egoísta e fria. Por mais acertada que pareça uma decisão, no dia seguinte é a mais errada de todas. Não tenho consciência, apenas fome. Mas com os outros, acerto sempre. Hoje entrei na mente de uma pessoa com um simples olhar. Assusto-me com isso, é como se invadisse a sua privacidade. Dela e de todas as pessoas que conheço minimamente. Gostava de ser cega e de não sentir nada. Sou um monstro, mas apenas dizem que a culpa não é minha. Tornaram-me nisto? Que mundo é este, então?
Dentro do carro, sem pensar, demos as mãos. Agarrei-a com tanta força e todos os medos desapareceram, por meros segundos, até te ires embora. Foi tudo o que precisei. Uma relação interessante e quente, que não precisa de palavras.

3.8.09

O que eu sinto agora, é quente.

- Olha a minha mão cheia de pedrinhas!
- Tens tantas!
- Toma duas para ti, guarda na mão, fecha!
- Para mim?... Está bem, já fechei.
- Shiiu, é segredo!
- Porque é que é segredo?
- Shiiu, tens que falar assim baixinho. É o nosso segredo.
Descobri que gosto de crianças. Ofereceu-me um sorriso. Deu-me a mão sem pensar duas vezes para ir brincar perto do mar, mesmo não me conhecendo. Confiou em mim. O mundo das crianças é bem mais engraçado que este aqui.

Vais mesmo?

Isso era o que eu costumava perguntar aos outros. Continuo a dar algo que não tenho, estou em dívida constante para comigo. Está na hora de sair do meu corpo para conseguir ver o borrão que quero repintar e acalmar a velocidade dos pensamentos. Só não percebo porque é que ele me disse que transmitia tranquilidade. Se transmito isso aos outros, porque é que não a encontro em mim? Preciso de dormir durante dias. Estou cansada.

30.7.09

Qual é o meu nome hoje, mesmo?

Já deitei o coração fora. Não, não estou feliz, isso tanto me faz. Não vai mudar o que penso, o que sei e o que vejo. A verdade é a verdade, e mesmo que não ma digam, consigo lê-la em cada movimento ou em cada olhar. Nova fase, novo momento.

18.7.09

Aquilo aqui dentro chegou outra vez

Mas desta vez era algo bom... algo que queria sair, uma força qualquer, uma inspiração igual à cor de todas as coisas. Quando abri a boca, ela calou-a. Não sou normal, o que eu quero não se enquadra, logo, tenho que me encaixar com as restantes pessoas que não conseguem ver a realidade, nem que pagassem para a observar.
Silêncio, nos próximos dias. Eles não me conhecem e ainda não viram a verdade, a minha realidade, não me viram a mim. Mais uma força perdida, um sentimento estranho dentro de mim que gostava de ter explorado.

15.7.09

It's happening again

- Sai da chuva, Sofia!
- Não. Deixa-me aqui.
- Mas porquê? Entra comigo.
E respondi, sorrindo:
- Estou a conseguir sentir alguma coisa, finalmente.

13.7.09

E tu?

- Vamos fazer aquilo amanhã.
- Dás-me boleia?
- Olha, liga para este número.
- Quando vais lá?
- O que vais fazer naquele dia?
- Estou em tua casa às cinco.

Tantas perguntas. Tantas ordens. Porque é que não perguntam "e tu Sofia, o que queres?" Não o dizem porque não lhes interessa. O mundo é feito de pessoas mesmo bonitas.

7.7.09

Oh, é o destino Sofia

Vais conseguir entrar dentro da cabeça das pessoas sem estas se aperceberem, vais provar todos os seus medos, preocupações e angústias, pois já não basta teres só as tuas. Vais ouvir tudo o que não queres e vão tornar realidade todos os teus pesadelos. Parece cruel, não é? Pelo menos tentaste e agora sim, podes continuar sentada na tua varanda a aguardar um novo capítulo. Viver é isso, proteger a esperança e esperar pelo paraíso, pelo que queres. Quando chegar, deixas de ser tu. Acabaste de te perder, Sofia.
Acho que não gosto do paraíso.

4.7.09

Quem é essa?

Hoje enchi-me de coragem e comecei a empacotar os meus livros, a minha bíblia de revistas que vale milhões (para mim), os postais de viagens, os bilhetes de concertos, e tralha e mais tralha. Encontrei a aliança que nem sabia onde estava, encontrei o tal postal de aniversário que pensava que tinha perdido. Estão algures numa caixa. Encontrei muitas folhas perdidas com poemas, pensamentos, aparvalhanços com elas e desenhos. Encontrei o bilhete do concerto no dia em que pensei abrir o meu coração, para ti, e guardei-o dentro de um dos meus cadernos em que escrevo, que irá colado a mim no avião, daqui a um mês. Por entre tanta coisa que não quis ler, acabei por ler algo escrito por mim, numa altura que nem sabia que existia, num estado de espírito que invejo:


É uma sensação completamente nova, estou noutro mundo, nada interessa, problemas? Existem, mas vão resolver-se, não preciso de me preocupar. É pena não me sentir sempre assim, segura. Preciso sempre de alguma coisa, de uma espécie de medicamento, de amor. Quem me dera que ele vivesse na minha mão, seguro, confiante.
A resolução? Aproveitar a viagem no seu estado mais puro, sem desvios. Poucas expectativas para que, mais tarde, tudo o que aconteça seja muito, mas muito melhor do que foi inicialmente esperado. É esse o meu medicamento.


Precisava de ouvir isso hoje, preciso de encontrar forças aqui dentro, ainda estou à procura delas... Só espero que tudo se resolva. Pode magoar como pode não magoar. Calma, "poucas expectativas".


Sim

Hoje a ansiedade vai-se embora, vou mudar-me para um sítio chamado certeza e deixar de viver no impasse. Tenho medo, muito. Eu só espero que ele esteja lá quando a chuva começar a cair.

1.7.09

The change

É tão estranho... À minha cabeça chegam imagens de todas as pessoas que conheci, de todas as boas e as más experiências, de todos os sorrisos, os medos, as preocupações, as saídas, as loucuras. Ela estava em tudo, praticamente. É uma relação muito forte. Não sei como vai ser quando estivermos realmente separadas dentro de um mês. E não é fácil, não consigo falar telepaticamente com mais ninguém, não consigo partilhar a minha alegria da mesma maneira que partilho com ela, a única pessoa que sabe como entrar aqui dentro. Não quero conhecer ninguém. Não preciso. Ganhei medo. Como vai ser quando aquilo que tenho cá dentro chegar outra vez, como me vais acalmar? Dou-lhe o valor e a importância que ela merece. Ela tem o outro lado da Sofia, tem a luz. Eu não quero pensar que tudo isto seja o fim, porque não é.
Irrita-me não ver o mesmo que os outros quando saio do meu corpo e olho para mim. Pareço ser uma pessoa completamente diferente. Como é que aceito tudo o que me acontece sem me revoltar? Sem mostrar tristeza ou uma lágrima sequer? Sim, eu dou demasiada importância, tenho muito que aprender, complico demasiado, só vejo o lado negativo, tenho é que aproveitar a vida. Que vida?
Tudo era mais fácil se o fantasma não estivesse aqui.

29.6.09

Vazio










P.S.: Isto foi o que me trouxeste. Nada de bom, o nada. Fechei a porta mas não a tranquei. Burra. O dia em que eu parar de pensar vai chegar. Algures. Eu vou ser feliz, um dia.

24.6.09

A merda.

Lindo lindo é passar o dia fechada em casa a sentir-me uma bosta autêntica e ligar a televisão na esperança de encontrar uma salvação mas a única coisa de jeito que está a dar é um documentário sobre excrementos de animais.

Liguei o computador só para escrever isto.

23.6.09

Vou fugir.

Supostamente eu devia estar feliz. Tê-la comigo é a única coisa que realmente importa. Pensava que o vazio que sinto era causado pela ansiedade, que o silêncio em que vivo era passageiro e que, quando os exames acabassem, iria sentir-me livre. Eu penso muito.
Vou culpar-me até ao fim dos meus dias por tudo o que me acontece, que ultimamente tem sido mau. Tenho tantas máscaras, para quê? Desde que ele me deixou, a Sofia desapareceu, sinceramente não sei quem ela é. Apercebi-me que, aqui, nesta vida que aparentemente é minha, sou apenas uma fase na vida dos outros, que passam rapidamente pela minha, deixando-me sem nada.
Mas eu não estou sozinha. Tenho vivido com um fantasma que se apoderou de todos os meus pensamentos. Bons, mas que já não são meus. Dou por mim a acordar de madrugada e a escrever sobre ele. Consigo sentir o seu cheiro mesmo quando não está por perto e consigo senti-lo dentro de mim. Tenho medo, não deste fantasma, mas de não o ter e de viver presa a algo que não consigo controlar e que veio para ficar. A minha vida está a girar à volta de algo que não percebo.
Eu quero ter a Sofia outra vez comigo. Quero construir a minha confiança e ter a certeza que não fiz nada de errado. Parece que, para ficar, tenho que partir.

20.6.09

Ah pois é,

Estou a perceber mais de História em 5 dias de estudo do que em 3 anos de ensino. Não sei se ainda tenho cérebro e não me lembro de nada, mas estudar e ir comendo batatas fritas faz o meu estômago dizer "olá".

17.6.09

Eu quero ir-me embora.

Já não consigo controlar os meus sentimentos. Não consigo. Continuo sempre à espera. Sempre. Qual é o fim? Eu posso escolher o mais fácil mas já abri o coração, que quer ficar aqui.

Dói.

Entrou no quarto, calado, com o olhar vazio. Sentou-se na cama, com os olhos postos no chão.
- Gostas do que vês? - perguntei, sabendo que não o devia ter dito ou sequer pensado.
- Não vejo nada.
O que poderia ter acontecido? Não vê nada? Nem o meu interior?
- Estou cansado. Chegou o fim e, para ti, não quero olhar. Nunca mais.
Fechou as luzes, deitou-se e adormeceu.

9.6.09

Já não escrevo coisas assim.

Abri um olho. Fechei-o. Abri o outro. Abri os dois. Ainda estás ao meu lado, sereno, agora posso adormecer. Será que te devo acordar? Podíamos conversar a noite toda, podíamos cantar todos os nossos sentimentos, os nossos desejos, os nossos medos, ou apenas ficar em silêncio, os dois. Não, é tarde, é melhor ficar quieta, é melhor parar de pensar e deixar-te dormir… Mas antes quero olhar para ti outra vez, quero sentir o teu coração, quero ouvir-te respirar. Não quero passar mais uma noite sozinha com todos aqueles pensamentos que não param de voar na minha cabeça, que não descansam nem por um simples segundo. Estou tão inquieta numa noite tão calma, quero chegar a conclusões concretas e que façam sentido, mas é impossível.

Respiro fundo, acalmo-me. Depois de tantas reviravoltas dentro da minha cabeça, de tanto tempo perdido a pensar no que fazer, como estará ele? Será que o acordei? Abro os olhos outra vez, acendo a vela. Ainda não se foi embora, ainda dorme. Não me canso de o olhar, de o admirar e não, não preciso de dormir, o meu sonho está aqui, mesmo ao meu lado, e isso já me conforta.

Era para ter publicado isto em Fevereiro, não o fiz porque tinha vergonha. Mal sabia eu que o sonho era um pesadelo.

6.6.09

Eu preciso de encontrar

Outra coisa para além das alternâncias entre o chocolate Milka Noisette e as Ruffles com sabor a Picanha que me ponha um sorriso na cara. Eu sei que eles não te põem ao meu lado, que não apagam tudo o que tenho para te dizer ou me tiram a ansiedade. Tenho saudades tuas. Eu sei.

2.6.09

Silvana: Sofia, experimenta fazer isto, depois diz-me o que vês

Ele estava em frente a mim. O fundo era verde e rosa, girava. De repente, juntou as mãos, abriu-as e eu nasci.

És a estabilidade que preciso para me encontrar, de novo?

Eu tentei parar de escrever,

No meu bloquinho. Disseram-me que, se não escrevesse, tornava-me mais conversadora. Aguentei sete dias, acho que continuei calada e perdi paranóias interessantes dentro da minha cabeça. Frases curtas, nada de especial.

Se soubesses que te quero tanto,
Fugias ainda mais de mim.
Espera...
Não te tenho.

Quando lhe li isto, ela fez-me um sorriso e senti que me percebia. Ei-de continuar frustrada que nem uma linda.

23.5.09

Afinal não gosto de mudanças

Quem é que com uma gripe em cima sai de casa numa sexta-feira à noite para ir a um concerto? A Sofia. Agora que tudo está a correr bem na minha vida, agora que tenho tudo o que sempre quis e me sinto bem (tirando a gripe), faltam menos de 3 meses para me ir embora.
Não é o nariz entupido, as dores de cabeça e a tosse que me vão impedir de aproveitar tudo o que nunca aproveitei.

18.5.09

Que complicada.

O que é que uma pessoa faz quando não quer fazer nada? Ver televisão? Dói-me os olhos. Comer? Perdi o estômago. Estudar? É feriado. Dormir? Olá sono, porque fugiste tu? Ler? Preciso de comprar livros novos e engraçados. Tomar café? Estão a dormir. "Vai sozinha!" Não gosto da minha companhia.

12.5.09

Palavras que se perdem no pensamento, ansiedade que quebra o sossego. Mas porquê? Não sei se aguento. Não sei. Onde está o pedaço que une tudo?

9.5.09

A little hope for a smile

Sinto-me como uma esponja, consigo absorver tudo à minha volta. Os cheiros, os sons, as imagens, os pensamentos, os sentimentos, consigo senti-los e quero vivê-los. É uma nova chama que cresce a cada dia que passa à procura de um medo, de uma lágrima, de uma desilusão, de um carinho, de um novo começo, de um sorriso por que valha a pena viver.

6.5.09

- Sofia, morrias por mim?
- Já morri.

21.4.09

Step one

Paiva: Como é que foste capaz?
Eu: Ai... Não sei.
Paiva: Eu não descanso até o encontrares de novo.
Eu: A sério?
Paiva: E não te perdoo se o deixares fugir outra vez.

Eu estava sossegada. Estava. Em paz, assim cá dentro. Sabia tudo o que queria e não queria, estava sozinha e completa. Agora falta-me aquele bocado. Faltas tu.

19.4.09

Nunca acreditar no para sempre

Noites mal dormidas dão para pensar em muita coisa. Sinto-me sozinha, nada é o que era antes. Tenho medo de falar porque não existe a confiança que existia, nem a certeza que está tudo bem. Será que pensar de mais é um problema? Numa madrugada cheguei à resposta e não, não tem nada de mal. No fim sei que faço o que é o mais correcto. E é o que quero fazer, agora. Preciso de me afastar para poder salvar o que resta. Porquê? Vejo algo que muita gente não vê. Observar de mais dá nisso. E dói. Muito.

15.4.09

Coisas que nunca te direi

Estou a dar muito nas vistas? Espero que não... mas não consigo parar de olhar para ti. Estou lá, dia sim dia não, à tua espera e eu sei que é infantil, eu sei. Sei que é uma perda de tempo. Passo horas à espera que olhes na minha direcção e fico vermelha quando o fazes enquanto finjo que leio um livro. Nunca consegui olhar um estranho nos olhos, mas tu és diferente. Não sei porquê. És diferente de todas as pessoas que vejo, tens algo mais, algo que eu não consigo ver em ninguém. Quando tento aproximar-me de ti escondes-te atrás da primeira pessoa que vês ou desvias o olhar, tímido. E nunca falei contigo. Por mais que queira, prefiro observar-te de longe, descobrir quem és, sem palavras.

13.4.09

Tenho a mania das mudanças e...

Mudei de quarto. Foi como mudar de casa. Graças a Deus o meu irmão não se importou e trocámos de quarto, no meu caso, construí um novo refúgio. Desde as 9 da manhã até agora, valeu a pena o trabalho e esforço. Tenho uma varanda só para mim, de onde tenho vista para a cidade e onde me posso sentar a escrever, pensar ou apenas admirar tudo. Tenho pouca arrumação, metade dos meus livros estão no meio do chão, mas não me importo. Gosto deste meu quarto que serve para tudo. Quero começar a construir novas memórias dentro desta minha nova bolha. As primeiras começaram quando ainda estava a fazer as mudanças.
Tive um mal entendido com ela. Sim, fiquei chateada, ela também. Ficámos sem falar um bocado. Esse bocado foi o tempo suficiente para eu começar a pensar a mil à hora. E se um desses mal entendidos for o último, for o fim de tudo? Eu sei que ainda vamos ter muitas discussões e desilusões, mas e se tudo acabar? Ela é como uma irmã. E nesse bocado sem ela, percebi que não tenho mais ninguém com quem partilhar o meu eu, o meu tudo.
Mas já passou. Acho eu.

9.4.09

"Deus" protege, versão número dois

- Levanta maluca! Já! 'Tamos na tropa e eu sou o cadete anti pain, so get the fuck out of your bed! Não tenho nenhuma autoridade sobre ti mas tenho um poder autoritário superior: friendship! E nisso sou como Deus!

Ela mistura o Inglês e o Português quando dá ordens. E depois do que ela disse levantei-me e preparei-me psicologicamente para sair de casa e ver pessoas.
A preguiça fugiu. Remédio santo.

7.4.09

Noites

Quanto mais me conheço mais gosto de cães. Ou outro animal qualquer.
Não tenho conseguido dormir. Os sonhos são muitos e não fazem sentido, os pensamentos voam, ontem a televisão explodiu às 5 da manhã, o sono foge e eu espero e espero. Hoje vou tentar fazer algo produtivo enquanto ele não chega. Se for como o outro nunca virá.
Deus queira que chegue. Cedo.

6.4.09

Miss Simpatia

Foi o que o meu director de turma disse. Porque ah e tal os professores acham-me uma rapariga muito simpática, exemplar. E eu a pensar que era arrogante. É uma perspectiva completamente diferente. Gosto de ouvir os dois lados já que me inclino sempre para o mais escuro. Por um lado é bom, mesmo que tudo esteja bem eu tento que fique perfeito. E isso faz-me bem. Digo sim a tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo. Quando voltei de Estrasburgo disse "nunca mais me meto em nada, acabou". Entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
- Quem é que quer participar numa palestra na Universidade sobre as Aprendizagens em Filosofia e Áreas de Integração?
- Eu quero!
- Eu também!
- Eu também.
Fui uma das três.
O próximo desafio é participar na peça de teatro de comemoração do 25 de Abril. Onde é que me fui meter? É nestas alturas que me apetecia ter dito não.
Para quem gosta de estar sempre atrás, escondida, ando diferente. Falo sem pensar. Ainda no outro dia ofereci um supositório na aula de História a uma colega, e o Professor, que devia ter ficado chateado, ainda me perguntou o nome do dito cujo. Sou a desastrada que, durante a apresentação oral de uma colega a Português, deixou cair a garrafa de água no chão três vezes e levou com um livro na cabeça da Professora.
Quando me dizem "Olá" sei responder com um sorriso. Há dias e dias.

4.4.09

Eu sempre soube

Tu prometeste, prometeste que voltavas
E que o amor ia encontrar-nos novamente.
Foi o que sempre pensei, acreditei.
Até lá, continuo de olhos fechados,
Adormecida e com a culpa de saber
Que isso nunca vai acontecer.
Conheço-te bem de mais.


- Não compreendo as mulheres bastante bem - respondeu.
- Meu caro Geraldo - disse - as mulheres estão feitas para serem amadas e não para serem compreendidas.
- Não posso amar sem ter confiança absoluta - replicou.
A Esfinge Sem Segredo por Oscar Wilde

1.4.09

O círculo perfeito

Apercebi-me da sorte que tenho, hoje. As típicas tardes passadas numa esplanada, com as pessoas do círculo, trazem ao de cima tudo aquilo que, no fundo, sabemos mas tentamos esconder:
- Olha para as pessoas à tua volta. São as mesmas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Vivem das aparências, do querer mostrar, vivem sem respeito ou um pingo de honestidade. E o que fazem? Falam, falam, falam ou antes, fingem, fingem, fingem.

A Carolina voltou. Com ela perto de nós sinto que tudo está como devia ser ou estar. O tempo também ajudou, muita reflexão, muitas coisas entaladas na garganta que tive que aprender a engolir. Reconstruí as bases, plantei de novo a chama. Hoje senti-me completa. A casa da Silvana, o refúgio perfeito das três, tão apaixonadas pelo "pouco" que têm e sem vergonha de expor os tão diferentes pensamentos.

Vou vivendo aos bocadinhos, dia após dia, sem criar grandes expectativas. Para quê? E não, não sou assim tão negativa, não estou sempre deprimida, eu não o sou. Vejo apenas o lado negativo, consigo exprimi-lo e deitá-lo fora por uns segundos enquanto escrevo. Este mundo é outra vida que crio, uma vida que vou tentar viver, de novo. O engraçado? Acabei de o anunciar no dia das mentiras.

Vamos ver no que dá.

19.3.09

Fim do mundo, fim do blog.

E isto acabou. Fechou. Nada sai, nunca mais.

13.3.09

Porque a negatividade também me farta,

Vou parar com isto até ter algo mais interessante para contar, algo que me motive, até voltar ao meu eu "normal", se é que isso existe. Vou manter a minha cabeça ocupada, fugir do meu mundo por uns tempos e dar o meu tudo a algo que, provavelmente, não o merece mas me faz feliz.

"Deus" protege.

- Queres ser o meu guarda-chuva?
- Já tento sê-lo, mas às vezes passam grandes gotas. Eu sou pequenina, não consigo abafar tudo.

11.3.09

Hã?

Eu sou a maluca que perante um ataque de choro repentino e, possivelmente, ansiedade, se sentou no meio do passeio à espera que a calma chegasse e ela atendesse o telemóvel. Todos olhavam para mim e eu só pensava "não quero saber, não me importo, estou aqui bem". E esperei. Esperei até me acalmar e ficar "normal". Foi a meia hora mais longa da minha vida. E depois? Depois ele chegou e ofereceu-me um sorriso. Agora, enquanto o dia chega ao fim, pergunto-me "porque é que fiquei assim, o que é que me deu?" Não sei. Fui-me abaixo e voltei.

5.3.09

Do you ever dream of escaping?

Frustração passou a ser a minha palavra de eleição. Tenho tanta gente dentro do círculo e não confio na mais importante. Eu.
Não quero que o meu coração continue a crescer frio. Porquê? Para quê?
Levantaram a crosta outra vez e dói, estão tão vidrados nos seus mundos que apenas ouvem o que querem ouvir.
É muita coisa ao mesmo tempo, muita mesmo. Não quero viver assim.

3.3.09

Na Catedral de Estrasburgo, eu fiz uma promessa

E não sou dessas coisas, foi algo do momento. Se pedir algo a alguém superior resulta, pelo menos tentei.
Se estás aí, aparece. Perdi o medo. Há muita coisa que não percebo mas aprendi a esperar. Posso esperar a vida toda, posso viver com a esperança que vais chegar e encontrar-me, um dia. Não me importo de passar por isto tudo sozinha, por todas estas mudanças, pelo menos a chama continua acesa.
E enquanto o dia não chega, eu continuo feliz a tentar fazer o que parece ser o mais correcto para mim, para a minha vida. As pessoas vão entrar e sair e eu vou encontrar-te.

24.2.09

I'm leaving

Lisboa, Paris, Estrasburgo. Vou com duas das pessoas mais importantes do meu mundo. Vou-me embora, não sei se me vai fazer bem ou mal e não deixo nada atrás, tenho o meu coração comigo.

Ontem caiu uma bomba dentro da minha cabeça, mas estou calma, aprendi a controlar-me, tentei abstrair-me, fiquei aérea e silenciosa. Mas não estou sempre assim? Foi apenas uma bomba de verdade, que no fundo eu conhecia. Porquê? Porque apercebi-me que não acredito nas palavras das pessoas, não consigo. Quando só tenho as suas palavras e não as consigo observar, perco-me. Um simples desvio de olhar aliado a uma palavra solta pode dizer-me o tudo. É o constante problema do respeito, sinceridade e sensibilidade que dizem ter, mas não conseguem agir de acordo com os seus princípios. A Sofia perdeu a confiança em quem definitivamente não importa e não a conhece.
O dia de ontem foi apenas mais um dia, estava com os pés em terra mas não estava, não queria ir para casa, não queria estar onde estava, tinha fome mas não tinha, queria rir mas não tinha paciência para o fazer. Mas será que estava triste? Não. Desapontada e entre dois mundos.
E no meio de tanta verdade deixei a Silvana preocupada, e isso mata-me por dentro. Ela é-me tão importante que não a quero, nunca, magoar. A primeira coisa que vou fazer quando a vir no aeroporto é dar-lhe o abraço que ela merece.

Voltarei no Domingo. Ou não.

17.2.09

Nova página

- Toma, é para ti, não os quero mais, faz o que quiseres com tudo isto.
- O que é?
- A minha vergonha, a minha insegurança, a minha tristeza, o meu medo.
- Mas… isto és tu.
- Não. Eu sou muito mais.

13.2.09

Sim, tu

Podes entrar. Entra e tira-me daqui, leva-me para onde quiseres, para um espaço vazio. Tens 365 dias para me mostrar tudo aquilo que nunca vi, para me ensinares tudo o que nunca aprendi, para atirares todos os meus pensamentos para o chão ou para cantá-los comigo.

2.2.09

Tu és... o quê?

Não digo coisas com sentido, tenho medo de me deixar ir. Para onde vou? Nem sei a direcção que tomar com os meus pensamentos, quanto mais com as acções.
"Sofia estás a dar em maluca, pareces uma doente mental".
Eu estou a fazer remodelações, só isso. Estou a transformar a minha mente num lar outra vez, mas não me sinto confortável em lugar nenhum. Já não gosto de estar sozinha. É um pesadelo, e por isso preciso da mosca cinzenta e amarela. Posso dizer-lhe a maior barbárie que ela percebe de uma maneira bela, e isso nunca me tinha acontecido com ninguém.
Mas continuo a ser uma mosca preta que tem medo de ficar colorida.

29.1.09

Não te vás embora.

Eu não quero. Sim, não posso decidir, mas posso controlar quem entra e quem sai.
Vou enfiar-me no meu quarto, vou esperar que a chuva pare e vou lamentar-me por ter medo de falar, de agir.
Esta sou eu.

26.1.09

Ele.

Estava escuro, estendeste-me a tua mão cerrada em punho.
- Abre. É para ti.
E abri... os meus olhos quase que devoravam o seu conteúdo.
- Está vazia.
- Não. Está cheia com tudo o que tenho para te dar. Olha bem, com olhos de ver! Quando o fizeres vês todo o meu amor que é teu.

15.1.09

Podes trazer-me até casa?

Tenho medo de morrer no teu coração e não no meu.

13.1.09

Eu preciso disto...

Quero deixar de me lembrar e de me culpar, de me perguntar como é que pode ser tão fácil para ti. Mas eu não consigo. Lembraste? Lembraste de tudo o que me disseste? Olha para mim. O que vês?
Sim, tenho que escrever uma nova história sem ti.

Sil.
Quero que prometas que me proteges, que vais estar sempre aqui.
Quero que me faças sorrir, que converses comigo sobre os assuntos mais inesperados, quero deixar de viver num trampolim. Quero que me animes mal acordo, quero viver os momentos de alegria, de solidão, de desespero, contigo. Eu quero, quero e quero parar de dizer eu quero. Somos esquisitas, somos estranhas, somos fortes, tu própria me disseste isso. Eu quero estar aqui para ti, devolveste a minha esperança e colei-a na palma da minha mão. Só por isso quero dar-te um abraço daqueles que nunca te dei. Tudo o que tens feito por mim não tem preço.
E quando leres isto vais dizer "Sofia, estás armada em lésbica?", e eu vou dizer "Estúpida." E depois vamos rir as duas e ser sentimentais para caraças. Quero que sejas a personagem principal da minha nova história e nunca mais, nunca mais, vou fazer o que fiz no passado.

Só por esta entrada devias pagar-me um chá amanhã, estou muito lamechas e isto não acontece todos os dias.

10.1.09

Olha desculpa lá,

- Quem é que te deu autorização para entrares na minha vida assim?
- Porque é que não haveria de entrar? Faço-te sentir assim tão mal?
- Fazes. Não me sais da cabeça. E dás-me atenção. Eu não quero.
- Cala-te.
- Não disse nenhuma mentira.
- Pelo menos ainda não sonhaste comigo.
- Eu não tinha assim tanta certeza...

8.1.09

Little Fia is happy

Ele esteve sempre aqui e eu nunca o vi...
Só o tempo dirá!

Parece que acordei para a vida, para o mundo, e sabe tão bem... muito bem mesmo.
Estou confiante do que sou e do que quero para mim.
É uma nova história que estou a escrever e a querer viver.

5.1.09

Porque é que tenho vergonha?

- Sofia, vem jantar.
- Não quero.
- Porquê?
- Não tenho fome, não me apetece.
- Tens vergonha do quê? Somos a tua família, não tens que ter vergonha.

Os momentos felizes e positivos são tão escassos que nunca tinha pensado em escrevê-los antes. Às vezes passam a correr e nem reparo, mas prefiro guardá-los. Mas guardar o quê?
O gozo que me dá encher o meu irmão de cócegas e a alegria de o ver rir. Tentar cozinhar algo comestível e esperar por um bom elogio da minha mãe. Sair com o meu tio e admirá-lo, sabendo que ele vai estar sempre aqui para me fazer sorrir. Ver o meu pai bem disposto. Ir beber um chá de palhinha com a Carolina e a Silvana e rir-me quando a Carolina se engasga sem saber porquê. Ah e as nossas paranóias , os nossos sonhos de adolescentes e as histórias que temos para contar quando nos juntamos. Ter conversas que me inspiram com o André. Passear com as Gémeas e falar sobre tudo e mais alguma coisa. Chatear o João e chamá-lo de Cagalhão (desculpa). Ouvir as teorias da Matias e estar feliz porque ela está feliz. As tardes de Verão que passava a falar com o Helder que me consegue animar sempre.
Só? O resto está bem guardado dentro de mim.

3.1.09

"Two little words and a question: why?"

Eu quero parar de me esforçar e de fazer o que os outros acham ser o mais correcto.
Fiz o mesmo que a outra, sei que é errado e não tenho nada na mesma. Nada.
Fiquei reduzida a um rio de emoções, um rio que só traz medos e perigo.
Sim... Já chega.
É altura de parar de pensar e agir, de descobrir a resposta para poder esquecer.
Eu amo-te. Porquê?

1.1.09

Frágil mas pouco

Não, não me estou a enganar. Não, não é mentira.
E tal como [eu] disse ao meu ipod que é uma espécie de mp3 modelo humano, "quero agarrar-me ao meu fraco que sei que não dá em nada porque eu não quero que dê mas que me faz sentir bem".
E é assim que vai ser.