- Saí da escola há 70 anos, tinha eu 10 anos, sabias? Há coisas que não me lembro, mas eu ainda sei muita coisa e aprendo todos os dias. Só ao falar com as pessoas consigo ver o que lhes vai na cabeça, não é assim? É isso que estás a aprender também não é? Vais longe com essa cabecinha, acredita filha... vais longe.
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3.8.11
2.7.11
Uma... Prova?
- Vais voltar a tocar guitarra?
- Parece que sim... Preciso de transformar as palavras em melodias.
- Mas porquê, o que é que te fez mudar?
- Não sei, mas sei que só tu é que me viste tocar até hoje, e foi por pouco tempo. Está na hora de partilhar com mais alguém algo que está aqui dentro e que é tão especial.
- Isso é uma grande prova, Sofia.
18.6.11
I missed you, girl.
Sei que quando deixamos de nos falar durante meses é para o melhor da nossa relação, porque no fundo gosto de ti e isso não muda, não. Sei que quando desapareço do mapa tu sabes sempre o porquê, e também sei que quando foges vais voltar. Voltas sempre.
Entre nós nunca há um fim, mas sim um até já.
18.3.11
She knows it all.
- Quando sei que não tenho nada para fazer entro em paranóia, mãe.
- Mas em casa há sempre qualquer coisa para fazer. Pôr a máquina a lavar, fazer o almoço...
- E se não me apetecer levantar da cama sequer?
- Levantaste, simplesmente.
8.1.11
I love my family
- Olha, estou muito chocada sabes? Um senhor disse-me que o mundo ia acabar em 2012, já viste? 2012! As aves vão morrer todas, coitadinhas. Estou chocada.
16.12.10
Nothing seems to be right.
- Porque é que dizes isso?
- Não estou bem, outra vez. Só isso.
- Mas porquê?
- Pensei de mais.
- Não estou bem, outra vez. Só isso.
- Mas porquê?
- Pensei de mais.
11.12.10
O barquinho
4.12.10
Conversas ao acaso
- Tens a certeza que ele é o tal?
- Não sei. Mas estou a dar um passo no escuro, a saltar sem saber se vou, de certo, cair. O amor é isso não é? Sei que vou dar-lhe o meu coração, a minha atenção, aliás, vou dar-lhe tudo o que tenho sem saber se vou receber o mesmo em troca... Mas por ele sei que vou ao fim do mundo e não tenho medo de não voltar. Sei que por ele, vale a pena tentar.
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1.12.10
O que é que ela respondeu?
Entrei na casa de banho e tranquei a porta. Sabia que te ia acordar ao ouvires o som da água a cair em mim, sabia que ias tentar entrar para falar comigo. Preciso de relaxar, de saber que posso estar aqui e que não vais entrar, em mim. Porque é que haverias de ter feito aquilo? Peço-te um beijo e desvias a cara com um olhar de nojo como se nunca me tivesses visto, como se eu te fosse completamente estranha. O que é que te fiz afinal se estava tudo tão perfeito? Doeu, sei que doeu e não sei em que andar estamos agora. Agora? Agora estou a tomar um duche, sei que sim, e sei que quando desligar a água vou ouvir-te a bater à porta e que não posso ficar aqui fechada para sempre. Já estás a bater, o que é diferente.
- Sofia, abre a porta.
Vou ter de te ouvir... Porém, que verdade é que me podes oferecer que seja realmente a verdade? O que é que pode justificar tal comportamento? Nada, simplesmente nada. Acho que chegámos ao fim e não sei porquê.
Abri a porta e fiquei calada. Não tenho nada para dizer, o mínimo que posso fazer é ouvir e magoar-me mais, sentir o meu coração ficar cada vez mais pesado e frio.
Pôs as mãos na minha cara, senti-o quente, a ganhar coragem, e falou-me olhos nos olhos:
- Eu amo-te, sei que parece que é mentira, mas é verdade, sabes que é. Nunca senti tanto medo de perder alguém, sempre fui livre mas agora não o sou, sou teu, e tu és minha. Mas... e se um dia um de nós se for embora? E se um dia tiver de viver sem ti? Não consigo, pensei que talvez fosse melhor separar-me agora mas isso é simplesmente estúpido, se quero estar contigo, se sou feliz assim, é perto de ti que tenho de ficar. Fala, podes falar, estou aqui.
Abracei-o com toda a força que tinha. Espancá-lo, era o que devia fazer, mas este calor é nosso, sendo-me tóxico ou não.
- Eu...
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27.11.10
5.11.10
Ciclo.
Fui invisível. Agora não o sou. Porquê? Não posso apagar as pessoas, ou será que posso? Quando não estão presentes fisicamente estas tornam-se simples sombras no pensamento... mas estão presentes de certa forma, no nosso Eu. Não posso ignorar porque não posso deixar de ver, mas existem limites, certo? Apenas mostramos aquilo que queremos. Sempre fui o meu próprio advogado de acusação e ele agora diz-me que fiz o que estava certo. Há limites em todas as relações e, nunca mais, me entrego a ti.
26.10.10
Sei que não sou louca quando não sou a única a ver algo profundamente irreal. Não me sinto sozinha, tenho quem veja o mesmo que eu, tenho quem sinta as mesmas frustrações, os mesmos medos. Assim, partilho uma loucura que aparentemente é normal e sei que não sou, mesmo, burra.
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30.9.10
A Sofia e as crianças
- Toiro, toiro, toirooo!
- Não Martim, é um coelho.
- Êlho?
- Coelho, sim. Chama-se Eddie. Chama-o que ele vem ter contigo.
- Eddie! Eddie! - Dizia ele aos pulos e eu fiquei feliz da vida porque consegui que distinguisse o Eddie de um toiro. Fiquei feliz sim, porque segundos depois:
- Eddie... Toiro, toiro!
É verdade que não tenho muita paciência para as crianças, aliás, nunca tive. Mas nem todas são iguais e de certo modo, dão-me gozo, deixam-me quente. Com o quê? Gosto da espontaneidade e de observar uma criatividade que parece que não tem fim. Têm aquilo que eu gostava de ter agora... Energia para dar e vender, sorrisos puros e, simplesmente, a verdade.
19.8.10
As if by magic...

- Se a magia funcionasse, fazia com que me desses a mão.
- Só isso?
- Só isso?
- Se isso acontecesse significava que estavas ao meu lado, e que ia sentir-te, ia sentir alguma coisa, pelo menos.
- Isso fazia com que ficasses feliz?
- Por agora, sim.
15.7.10
Liars and lovers
- És um amante ou um mentiroso?
- Sabes a resposta, porque é que perguntas?
- Não consigo sentir se és sincero o suficiente.
- Sou um mentiroso porque nunca te disse que te amava e sempre me convenci do contrário. Sou os dois ao mesmo tempo, pelo que parece.
- Sabes a resposta, porque é que perguntas?
- Não consigo sentir se és sincero o suficiente.
- Sou um mentiroso porque nunca te disse que te amava e sempre me convenci do contrário. Sou os dois ao mesmo tempo, pelo que parece.
15.4.10
Perdi o medo.
Rodrigo de Sá Nogueira Saraiva. Nunca tive coragem para lhe perguntar o que quer que fosse, não sei porquê. A verdade é que nunca tive um Professor que, de repente, falasse e respondesse a todas as questões em que há muito tempo penso e há muito me interessam. Hoje não me contive e, depois da aula, com as mãos a tremer, quis resolver o que tanto me tem perturbado e saiu algo, mais ou menos, parecido com isto:
- Professor... Se somos uma chave que consegue trancar-se por fora, que consegue eliminar o exterior quando precisa, então... Conseguimos trancar-nos por dentro? Conseguimos impedir o acesso à nossa mente? E mesmo que sim, se impedir o acesso à minha mente, a mim, o que é que eu sou?
A resposta? Guardei-a e vim a pensar nela no caminho para casa. É algo tão simples e talvez nunca lá cheguei porque tinha medo desses caminhos. Mas uma coisa é certa e óbvia, se eu não tiver um fio que me traga de volta à realidade, se desprender o meu corpo, se me desligar da mente sou... Silêncio, sou o nada.
28.3.10
Little C.
Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.
1.12.09
É para ti.
- Está frio hoje, os cobertores não me aquecem. Será que já pus o despertador na hora certa? Sim, fiz isso antes de me deitar. Falta-me qualquer coisa... Talvez sejam coisas da minha cabeça. Vá, dorme.
Devia ter trazido um copo de água, tenho a garganta seca. Hoje não tenho nenhuma melodia que me faça adormecer, não tenho nenhum sítio para viajar e conhecer. Shh... Acho que quando não sei o lado bom de uma situação faço tudo ao contrário. Violo as minhas regras, o que acredito. Não dou oportunidade da flor crescer, não a rego. Mas isso não faz sentido... Já não vale a pena pintar o que é cinzento de branco. É tarde, tenho que dormir.
- Anda, deita-te aqui comigo.
- Eu? Eu não quero.
- Porquê?
- Sei que essa pessoa não és tu, prefiro ficar aqui quieta. Por isso não, não quero.
- Sou eu, sim. Quem achas que sou, quem poderei ser?
- És um pedaço do fantasma, uma linha do seu desenho na minha cabeça, és o que resta dele em mim. Uma das vozes de quem eu quero ouvir, és o meu eu a falar comigo para me acalmar. O vício que me está a fazer dar voltas na cama, que me tira o sono. Sei que quando acordar vou dizer que te odeio e ao fim do dia a única coisa que vou querer é ter-te comigo. Mas não te quero assim, não te conheci assim, quero apagar a linha, destruir o rasto. Dói e estou farta que doa, estou pronta a arrancar-te à força. Não tenho paciência já. Boa noite. E dorme, Sofia.
Pensado pela
Fia.
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sonhos
28.9.09
At the day that I almost died*,
Tu estavas lá. Não foi a minha nova lareira, não. Foste tu. A pessoa com quem tenho a relação mais esquisita de sempre. A pessoa que me disse "às vezes acho que a nossa história ainda vai a meio." Gostando ou não, querendo ou não, acho que a tua presença não é controlada, por mim. Não sei se isso é bom ou mau, tenho essa dúvida bem presente. Mas estás aqui, porque sim.
We all want the same things don't we
To find the one who opens channels to our hearts
A path you never found upon your own.
Forever Can Be, Ashes Divide
*Chuva? Óleo na estrada? Acontece.
16.9.09
A casa.
Acendo o incenso, apago as luzes. O portátil já está em cima da cama. Afinal, era isto que sempre precisei para relaxar e deixar de pensar. Tento não me esquecer do que quero escrever, tenho ganhar coragem para o escrever. Acho que ainda não encontrei a minha casa, aqui. Lembro-me que uma vez lhe disse "a tua casa é onde estão as pessoas que fazem parte da tua vida."
Parte-me o coração saber que não estou contigo. Parte-me o coração ouvir-te dizer que passas pela minha antiga casa, desejosa de me encontrar lá. Custa-me saber que tenho uma vida completamente nova e não estás right here, with me. Vou perguntar-te se queres ser as paredes da minha casa. E acho que já encontrei uma lareira que parece não se apagar. Gosto dela.
- Se te desse um fósforo, acendias a chama?
- Acendia.
- E acendias-me?
- Achas que devia?
- Acender a minha chama? Depende do que entendes por ser o fogo dentro de alguém.
- Então eu sou o teu fogo.
- Se te der a mão somos "o" fogo.
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