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10.9.12

Não me devias dizer coisas que não vais cumprir.

Não devias. É mau em vários sentidos, deixas-me feliz por o dizeres e feliz por o esperar. Mas sei que não tenho de esperar mais quando prometes outra coisa sem realizares a primeira. Talvez porque te fugiu do pensamento. Talvez porque não tiveste tempo. Ou talvez porque o disseste da boca para fora. Se assim o foi, não prometas mais. Não é preciso. Nem digas que sim quando é não. Que queres quando não queres. [É que isso contamina, sabes? Isto de dizer que as coisas são simples e depois complicá-las, cansa-me. Dou por mim a acreditar quando não acredito. A não querer quando quero. Por isso sim, não é preciso, de todo, que o faças. Afinal as coisas são simples. Certo?].

16.5.12

Há sempre coisas que preferimos não saber

Mas será que preferimos mesmo? Não consigo, a curiosidade mata-me, há sempre uma esperança em ouvir o que queremos, as coisas boas. Mas respostas que mais temo em ler teimam em sair, de ti. No fundo quero ser mais do que te sou agora. No meio de tantas fantasias e devaneios, não consigo distinguir o que foi real do que eu própria imaginei. Será que vi mal? Será que te senti como não devia? Mas eu lembro-me de te observar quando não estavas a olhar, lembro-me de negar conscientemente os sinais, as coisas boas que me davas, porque eram boas de mais para mim. Eras perfeito de mais, para uma mulher como eu. Tudo o que me querias transmitir foi transformado. Agora o que eu vejo de nós é o quê? O que vi, vi mesmo ou distorci? E vou acreditar em que imagem afinal? Com tudo isto, duvido que me queiras. Logo a mim. Não sei, não sei se me vês da mesma maneira, essa mesma que eu não consigo provar que seja verdade. Porque para isso teria de te perguntar, e não quero ler mais aquelas tais respostas que mais temo em ler, de ti.

24.3.12

Perfeição, sim ou não?

Não quero ser uma daquelas mulheres amarguradas, que vive sempre com o coração partido. Porque quando o começo a juntar e a fazer planos, quando começo a andar sem ajuda e a acreditar que sou capaz, que consigo e que de burra não tenho nada, ele parte-se. Porque não percebo o que é que falta no meu Eu para que quem eu quero repare em mim. Ou quem eu antes quis, ou quem eu quererei. Acredito que falta qualquer coisa, tem de faltar, e se for esse o caso acho que me vou matar à procura do ingrediente que me torne perfeita, pelo menos aos meus olhos, tenho de ser perfeita. Quero ser perfeita. Quando o conseguir, talvez consiga aceitar melhor todos estes buracos. Quando chegar à perfeição, conseguirei viver sozinha, comigo.

21.12.11

Sobre a mania que as pessoas têm de pensar que compreendem o que vai na cabeça do outro, sem os ouvirem sequer

Muitas vezes devíamos pensar no que vai na nossa, e não na dos outros. Não damos oportunidade de os fazer ouvir, de dizerem o que têm porque o sabemos claramente, somos os detentores da verdade [falsa]. E ouvir a nossa mente dizer "estou triste/feliz" e perceber porquê, em vez de sofrer da típica "surdez interior"? Mas uma deficiência é certa, somos cegos. O que não nos interessa passa ao lado. "Ai estás triste? Mas eu agora estou feliz, desabafa com outro" ou "Ai estou tão mal. Também estás mal? Mas eu estou mais!". Não, isto não é nenhuma indirecta para alguém em específico que conheço, é para todos em geral. Já chega de sermos egocêntricos, sim, o eu está sempre em primeiro lugar, mas esse eu não vive sem os outros. Estas atitudes não nos tornam o coração quente, de todo. Isto bem que podia ser uma mensagem de Feliz Natal, mas a crise não o torna feliz não é? É melhor guardar a parte do discurso que o dinheiro não interessa para outro texto.

5.11.11

O que é que o meu Eu anda a fazer, afinal?

A estudar. Ah, e a adiantar trabalhos e perguntas para avaliação e a fazer apontamentos para os exames e a tentar ter tempo para ler aqueles livros ali que estão literalmente a apanhar pó. Mas não é só o meu Eu como também o de todos os que me estão próximos. Isso é bom sim, é algo que gosto, que me dá prazer e ainda bem, já que me ocupa a vida. Que vida? Boa pergunta, mas nem tento entrar nesse caminho, é um tema que me cansa, talvez venha para outro post. Estou desde as 11 da manhã sentada nesta cadeira desconfortável a olhar para o ecrã do computador. Passam duas horas e só tenho três linhas escritas, cinco horas e finalmente tenho um parágrafo. Por esta altura já me dói o pescoço, as costas nem vale a pena comentar. É quase meia noite e nem tenho uma página completa, a frustração já é habitual, trato-a por tu. Porque é que desperdicei um dia assim, contrariada? Tenho a perfeita noção de que enquanto escrevia estava a pensar no porquê de estar a escrever, no porquê de estar a ser tão má e não me permitir fechar os olhos para pensar noutras coisas que precisam de ser resolvidas. Ah, pois, o trabalho vem primeiro. E quando o trabalho acabar, ainda terei aquelas imagens lindas que devia ter explorado na minha mente? Ainda terei tempo para tentar encontrar a lua no meio destes prédios todos? Não, quando acabar já estarei cansada e as melodias que tenho em mim provavelmente irei esquecê-las e nunca serão transformadas em sons, essas coisas terão de ficar para o amanhã. Ou para o depois de amanhã, e por assim adiante. O meu Eu anda à espera de tempo para se sentir quente outra vez, basicamente. E só me resta esperar.

4.8.11

Será que é mesmo possível alguém nos partir o coração?

- Chegamos mesmo a dá-lo? Criar expectativas a mais não será o problema? E quem é que comanda o coração? A mente? Mas a mente [sã?] consegue controlar-se a si própria logo, porque é que não o controla?
- Ver o outro na sua forma irreal é o problema. Talvez o coração não se parta, talvez se torne cada vez mais pequenino à medida que as imagens que fazemos dos outros não correspondam à realidade.

24.6.11

Interessante como ela tem sempre razão

Há um mês, na minha última sessão, ergui a minha bolha novamente mal ela me perguntou sobre a minha vida amorosa. Logo agora que andava tão feliz não me ia pôr a pensar em puros desastres e, por isso, limitei-me a responder com sim's e não's secos... até que ela se fartou, penso eu.

- O que é que a Sofia quer?
- Como assim, o que é que eu quero?
- De uma relação, o que é que a Sofia quer? Quer dar ou receber?
- Quero dar e receber - disse com toda a convicção que tinha na altura, convicção que foi por água abaixo quando a vi torcer o nariz e lançar-me aquele olhar que faz sempre que sabe que estou a mentir.
- De certeza? A Sofia quer dar ou receber?
- Já disse... quero dar e receber.

Enquanto estava a ler o resultado do questionário do Values In Action que tive de realizar para uma cadeira, reparei que a minha força principal inclui generosidade, cuidado, compaixão, amor altruísta e delicadeza. Ai que interessante. E, atenção, das frases típicas que seleccionei destacam-se "os outros são tão importantes quanto eu; todos os seres humanos têm o mesmo valor; dar é mais importante que receber; eu não sou o centro do universo, faço parte de uma humanidade comum."

Perceber que ando a convencer-me do contrário custa. Quinta-feira vou dizer-lhe que já devia ter aprendido que mentir a mim própria é mau e quem cai sou sempre eu, mais ninguém.

18.4.11

Ao homem da minha vida,

Como é que vou deixar de te incomodar? Como é que vou deixar de te assombrar? Como é que te tiro dos sonhos? E dos pensamentos? E, já agora, do coração? Quando é que vou fazer o que digo? Quando é que escrevo o fim? Quando é que não vou estar sempre aqui, para ti? Quando é que ganho amor próprio? E razão? E, já agora, força? Porque é que és o meu maior vício? Porque é que não estás aqui? Porque é que não te percebo? Porque é que não matas a minha curiosidade? Pode ser que, assim, consiga mudar de página, quase um ano depois.

8.4.11

Os olhos que não vêem nada

"Ai que olhos de lindos! Parecem água! Ui, deve ter tantos namorados que eu bem sei como isso é. Usa lentes ou esses olhos são mesmo seus? Tem a certeza que quer levar este eyeliner? Com esses olhos não precisa de nada disso. É polaca?"

Não estou a refilar por fazerem elogios aos meus olhos, aliás, não estou nem vou refilar de todo. O que eu quero dizer é que não gosto assim tanto deles. "Ai, olha-me esta, se tivesse olhos castanhos queria ter azuis, tem azuis e quer ter castanhos". Não se trata disso, gosto do meu azul, dos meus olhos quase sem pigmentação nenhuma, porém... são transparentes de mais. Toda a gente tem uma bolha onde tenta esconder as emoções, os pensamentos, o que seja. Os meus olhos furam essa bolha, mostram tudo o que está aqui dentro e que não quero mostrar, tornam-me expressiva de mais. Sim, talvez isso não seja mau de todo. Mas ver mal, é mau. Sem óculos ou lentes não vejo nada à frente, e isso assusta-me. Como é que, sem a minha visão, vou ter o prazer de passar uma tarde sozinha numa esplanada a observar os comportamentos de quem me rodeia? Como é que, sem ela, consigo olhar nos teus olhos e perceber tudo o que me queres esconder? Como é que vou conseguir ver a verdade que não existe nas palavras? Sim, estou a dramatizar, a preocupar-me sem necessidade porque, afinal, sempre tenho as minhas lentes comigo. Mas... e se?

13.2.11

O problema de aprender a cuidar de mim desde muito cedo?

Quanto mais se preocupam, mais os afasto. Estranho, não é?

10.2.11

Finalmente, acabou.

Ou é ou não é. Acabaram-se os meios-termos e o porque é que não estou onde tu estás, porque é que és tão indeciso, porque é que consigo prever a tua indecisão, porque é que não fazes o que dizes, porque é que estou sempre aqui para ti como uma parva, porquê? Em relação a ti só aprendo à bruta, só percebo quando bato com a cabeça. Ou és tudo ou és nada.

4.12.10

Conversas ao acaso

- Tens a certeza que ele é o tal?
- Não sei. Mas estou a dar um passo no escuro, a saltar sem saber se vou, de certo, cair. O amor é isso não é? Sei que vou dar-lhe o meu coração, a minha atenção, aliás, vou dar-lhe tudo o que tenho sem saber se vou receber o mesmo em troca... Mas por ele sei que vou ao fim do mundo e não tenho medo de não voltar. Sei que por ele, vale a pena tentar.

27.11.10

She

-You´ll always be here, right? Just like me.
-Always.
-And this is our promise from the heart.

13.11.10

Ora sigam lá o meu raciocínio,

Se eu durmo entre 10 a 13 horas por noite logo, sono é o que tenho para dar e vender, e tenho ataques de nervos durante o dia, porque é que o médico me manda tomar calmantes à noite para dormir melhor?

1.11.10

Lazy Mondays (?)

Desligar o telemóvel? Não, podes tentar falar comigo. Que disparate, mandei-te embora, corri com o teu coração, não ias falar comigo. Então... e se eu falar contigo? Não, não, não me ias querer ouvir. Largaste uma bomba e eu larguei outra, parece que gostamos de nos desfazer em pedaços. A diferença é que pediste desculpa e eu não. A diferença é que acordo todos os dias a pensar em como fazer com que oiças essa palavra da minha boca.
Vou desligar o telemóvel.

23.9.10

Estás triste?

Duas semanas sem contacto, de desintoxicação de alguém que, até hoje, foi o meu maior vício. Triste? Não.

14.7.10

Mountains II,

Parece que a resposta é sim.
Estou cansada de ver e de comprar ilusões.

5.6.10

Por onde andas, Sofia?


Esgotei todos os sítios possíveis para esconder o meu pequeno coração e agora que o tenho nas mãos não sei o que fazer com ele. Ouvi-lo tornou-se o mesmo que falar com um desconhecido que me sussurra ao ouvido e me conta histórias absurdas com palavras que não conheço. Pensar no que o meu coração era antes é o mesmo que nada, sei que tive uma chama, uma lareira que se tornou puro gelo. Não perdi a minha essência, sempre foi algo que nunca esteve muito claro, que variava consoante a minha disposição, tal como todas as minhas verdades puramente contaminadas com a maneira como me sinto no momento. Se pensar dessa forma, rapidamente chego à conclusão que tudo o que digo é mentira... mas não. Acredito que é nos sonhos que a verdade aparece, sem interferência de um único pensamento, de uma ideia, pessoa ou acontecimento para interromper o decurso de algo que pode ser absurdo. Talvez sejam os sonhos que me dão a minha matéria prima, algo em que pensar, de entre muitos outros assuntos, algo onde possa pôr alguma emoção. Pensar sem rumo e sem destino faz-me caminhar até todas as perguntas que provavelmente vão continuar sempre sem resposta.

15.4.10

Perdi o medo.

Rodrigo de Sá Nogueira Saraiva. Nunca tive coragem para lhe perguntar o que quer que fosse, não sei porquê. A verdade é que nunca tive um Professor que, de repente, falasse e respondesse a todas as questões em que há muito tempo penso e há muito me interessam. Hoje não me contive e, depois da aula, com as mãos a tremer, quis resolver o que tanto me tem perturbado e saiu algo, mais ou menos, parecido com isto:
- Professor... Se somos uma chave que consegue trancar-se por fora, que consegue eliminar o exterior quando precisa, então... Conseguimos trancar-nos por dentro? Conseguimos impedir o acesso à nossa mente? E mesmo que sim, se impedir o acesso à minha mente, a mim, o que é que eu sou?
A resposta? Guardei-a e vim a pensar nela no caminho para casa. É algo tão simples e talvez nunca lá cheguei porque tinha medo desses caminhos. Mas uma coisa é certa e óbvia, se eu não tiver um fio que me traga de volta à realidade, se desprender o meu corpo, se me desligar da mente sou... Silêncio, sou o nada.

28.3.10

Little C.

Quis a verdade, apanhei um avião que já não podia desmarcar, procurei e não me calei, perguntei, fui chata, fui curiosa. Quis acabar com as esperanças, não me contentei com nenhuma resposta, voltei a pesquisar e voilá, estava mesmo à minha frente. Água fria, direita à minha cabeça e que soube bem. Lareira? Não.
Na madrugada de ontem disseste-me:
- Tu és forte, já reparaste? Estás lá fora, longe de todos, acordas todos os dias de manhã bem cedo para ir para as aulas apesar de tudo o que se passa. És forte porque o fazes.
Nunca tinha pensado nisso assim, habituei-me a uma vida que escolhi, que gosto e que em nada se parece à que tinha no ano passado. Sei que estou no sítio certo, sei que se dói é porque é bom, sei que quando me magoo não esqueço.
Quando estou sentada no sofá, com o Eddie a dormir perto de mim, sabe bem ligar-te e saber que vais atender, sei que preocupo-me porque te preocupas e duvidar disso é simplesmente irreal. Há coisas que não mudam, já não há a preocupação de estar sozinha. Silêncio de um mês, dois meses, três, chegou a um ano e estás aqui.