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1.12.10
O que é que ela respondeu?
Entrei na casa de banho e tranquei a porta. Sabia que te ia acordar ao ouvires o som da água a cair em mim, sabia que ias tentar entrar para falar comigo. Preciso de relaxar, de saber que posso estar aqui e que não vais entrar, em mim. Porque é que haverias de ter feito aquilo? Peço-te um beijo e desvias a cara com um olhar de nojo como se nunca me tivesses visto, como se eu te fosse completamente estranha. O que é que te fiz afinal se estava tudo tão perfeito? Doeu, sei que doeu e não sei em que andar estamos agora. Agora? Agora estou a tomar um duche, sei que sim, e sei que quando desligar a água vou ouvir-te a bater à porta e que não posso ficar aqui fechada para sempre. Já estás a bater, o que é diferente.
- Sofia, abre a porta.
Vou ter de te ouvir... Porém, que verdade é que me podes oferecer que seja realmente a verdade? O que é que pode justificar tal comportamento? Nada, simplesmente nada. Acho que chegámos ao fim e não sei porquê.
Abri a porta e fiquei calada. Não tenho nada para dizer, o mínimo que posso fazer é ouvir e magoar-me mais, sentir o meu coração ficar cada vez mais pesado e frio.
Pôs as mãos na minha cara, senti-o quente, a ganhar coragem, e falou-me olhos nos olhos:
- Eu amo-te, sei que parece que é mentira, mas é verdade, sabes que é. Nunca senti tanto medo de perder alguém, sempre fui livre mas agora não o sou, sou teu, e tu és minha. Mas... e se um dia um de nós se for embora? E se um dia tiver de viver sem ti? Não consigo, pensei que talvez fosse melhor separar-me agora mas isso é simplesmente estúpido, se quero estar contigo, se sou feliz assim, é perto de ti que tenho de ficar. Fala, podes falar, estou aqui.
Abracei-o com toda a força que tinha. Espancá-lo, era o que devia fazer, mas este calor é nosso, sendo-me tóxico ou não.
- Eu...
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22.11.10
Inconscientemente, és. Parte II
A Sofia está, de facto, ansiosa para dormir hoje, sim! Há um final feliz para acabar nos sonhos. Há um novo inconsciente para viver todas as noites e hoje sim, estou curiosa para ver o que acontece porque tenho muitas palavras para te sussurrar em forma de frases. Se acordar vazia de novo não faz mal, é só mais um dia no meio de muitos. É isso, hoje sinto-me assim, que apenas sim.
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21.11.10
Inconscientemente, és. Parte I
Acordo com a mesma mensagem todas as manhãs a deambular na minha mente, com o peito frio, vazio, sem nada. Sei que quando adormecer a história é outra mas as personagens são as mesmas, tu e eu, no mesmo sonho, todas as noites, com o mesmo desprezo, dentro de mim. Acordo sempre antes de acontecer um final feliz, talvez porque ainda não tenha acontecido no mundo real. O meu inconsciente está tão vivo, a falar tão alto que só um surdo não o ouve. Até despir este medo e ficar somente com uma verdade destemida, tudo vai continuar assim. Sei que já me perdi em ti mas temo ir mais longe e não encontrar o caminho de volta até mim.
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17.10.10
Parece que cresci e me esqueci.
Estou cansada, acordo exausta.
Ao meu coração só me resta pedir desculpa, ando a esforçá-lo demais.
Não tenho um Sol para te avivar mas és meu, coração.
Quer eu queira ou não.
16.8.10
My dear heart,
Nunca deixes de sentir o fogo como se fosse quente, deixa de confundir a chama com gelo. Se um sorriso fugir quando ele te toca, não o escondas, deixa-o sair, puro. Se ainda rodopias por entre estrelas quando o vês, está na hora de pensar em tornar verdade todos os pensamentos que foram durante anos reprimidos. Está na hora, meu pequeno coração.
3.8.10
Screaming in the dark, I howl when we're apart.

Tenho todas as melodias comigo quando acordo, mesmo quando não estás comigo. Viver é o sonho, pelo menos é o que dizem. Aqui a lua brilha de dia e o sol à noite. Ao andar por estes caminhos nada é o mesmo, há um frio que me aquece através de todos os seres vivos, de tudo o que respira. Os mais puros diamantes estão no sorriso de cada um, são uma força comum. Mas... Se tudo é assim, porque é que os pássaros morrem à minha porta? Ela não está fechada, nunca esteve, para ti.
Imagem daqui.
5.6.10
Por onde andas, Sofia?

Esgotei todos os sítios possíveis para esconder o meu pequeno coração e agora que o tenho nas mãos não sei o que fazer com ele. Ouvi-lo tornou-se o mesmo que falar com um desconhecido que me sussurra ao ouvido e me conta histórias absurdas com palavras que não conheço. Pensar no que o meu coração era antes é o mesmo que nada, sei que tive uma chama, uma lareira que se tornou puro gelo. Não perdi a minha essência, sempre foi algo que nunca esteve muito claro, que variava consoante a minha disposição, tal como todas as minhas verdades puramente contaminadas com a maneira como me sinto no momento. Se pensar dessa forma, rapidamente chego à conclusão que tudo o que digo é mentira... mas não. Acredito que é nos sonhos que a verdade aparece, sem interferência de um único pensamento, de uma ideia, pessoa ou acontecimento para interromper o decurso de algo que pode ser absurdo. Talvez sejam os sonhos que me dão a minha matéria prima, algo em que pensar, de entre muitos outros assuntos, algo onde possa pôr alguma emoção. Pensar sem rumo e sem destino faz-me caminhar até todas as perguntas que provavelmente vão continuar sempre sem resposta.
20.4.10
The weirdest dreams
Será que vais dormir comigo hoje, também?
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.
Não sei se deva habituar-me a estas novas viagens. Não sei se é errado, eu... Não sei.
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9.4.10
Where am I?,
É a primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo. Claro que sei onde estou, lembro-me de quase tudo o que tenho feito, não consigo esquecer o que aconteceu, mas então... Porque é que tenho acordado desorientada?
Que dia é hoje? A Ana? Quem é a Ana? Eu disse isso? Tenho calor, dá-me aí o casaco que tenho frio.Falei contigo ontem? Pois, já não me lembrava.
Tenho-me concentrado tanto no problema que considero maior que me esqueço das pequenas coisas. Durmo para me calar, para o dia acabar rapidamente, para adormecer os pensamentos e para tentar anestesiar os sonhos. Anestesiar os sonhos? É impossível, claro.
Fartei-me de pensar na mesma coisa, de ler o bloquinho e ver sempre o mesmo tema, de olhar para a minha vida, ver tudo igual e não encontrar motivação minha para mudar. Não estou triste nem contente, estou...não sei, apenas estou e sinto-me bem com isso, mas não quero contaminar ninguém com o que quer que seja que se passa aqui dentro.
12.3.10
What's wrong Sophie?
Senta-te aqui, tenho algo para te contar. Já viveste de olhos fechados, todos os dias? O acordar deixa de ser o despertar para o mundo real, continua a ser um sonho desprovido de qualquer tipo de verdade. Se sim, diz-me como era esse teu sonho. Era cinzento como o meu? Nesse lugar onde estiveste, as coisas têm outro significado? E quando é que realmente, acordo? Já sei o que me vais responder e mesmo assim arrisco em bombardear-te com perguntas.
"Porque é que queres acordar, porque é que não aproveitas enquanto aí estás? Pára de pensar no fim".
Roubaste os meus verdadeiros olhos, lembraste? Foi o sonho mais estranho que já tive, nunca pensei sentir que tinhas contigo algo que me é tão precioso. Por isso é que está tudo cinzento aqui. Quando olho não consigo olhar verdadeiramente, estás a bloquear-me o caminho. Preciso de mim para saber se tu és realmente tu. Preciso de tudo o que tenho em mim para saber onde estás, agora.
26.12.09
The same heart
Não sei porque lhe sugeri fazermos o trabalho em minha casa, estou a pôr a minha zona de conforto em descoberto. Ele. Podíamos ter ficado numa Biblioteca ou num Café mais calmo. Calmo... isso, acalma-te e finge que não sentes a lareira no peito. Será que ele repara que estou desorientada, que nem consigo pensar em que armário arrumei os copos? Porque é que estou a falar comigo e não com ele?
Não tinha reparado que estava mesmo atrás de mim, sereno, como se fosse capaz de ouvir tudo o que o meu pequeno nervosismo me fazia pensar. Assustei-me e senti o meu coração a disparar, senti um pequeno choque quando me tocou no ombro. Consigo ouvir a sua respiração bem perto do meu ouvido, consigo sentir os seus cabelos a tocar na minha pele, consigo senti-lo, frio.
- Assustaste-te? Só queria saber se precisavas de ajuda.
- Ah os copos, sim, estão aqui.
- Estás tão quente. Sentes-te bem?
- Sim sim... O trabalho, vamos começar?
Não olhei para o relógio durante toda a tarde, talvez tenha sido por isso que me espantei quando já era noite, lá fora. Existia uma ligação naquela sala que eu queria, por força, desligar. Como é que desligo os seus olhos, que me conseguem dizer tudo? Como é que desligo o seu eu que encaixa no meu como um simples puzzle? Como é que me desligo?
- Acho que acabámos, my dear Sophie.
- Sim e já olhaste para o relógio? Passa das 10 e o meu estômago está a pedir comida. Ahm... Jantas comigo?
- Janto, e ajudo-te a fazer o jantar para não te desorientares.
Bolas, ele não é burro e provavelmente cozinha melhor que eu. Passei a tarde a querer desligar tudo, mas e se... se eu agora deixar de pensar? Quero sentir aquele choque outra vez, quero saber o que é, de que é feito. Sim, eu quero senti-lo com todas as partículas do meu corpo. Shh, olha a comida Sofia, bastou ele se afastar para te esqueceres que estavas a cozinhar. Já cheira a queimado, será que ele repara?
Oh não, outra vez. Senti o seu peito nas minhas costas, senti-o debruçar-se sobre mim, provavelmente para ver a porcaria que eu tinha feito. Não calma... está a abraçar-me.
- Como consegues estar tão quente? - Sussurrou.
- Talvez porque... tu pões-me assim.
- Eu? Sempre que te toco encolhes-te, não te posso dar calor.
- Podes sim, põe aqui a tua mão.
Coloquei a sua mão sobre o meu pequeno coração. É o frio que o faz bater tão rápido, que atiça a fogueira.
- Calma, põe a tua mão no meu também. Estás a senti-lo a bater depressa? É igual ao teu.
- Talvez sejam um.
5.12.09
Take a look in the mirror
Tenho tanto medo de ti, da tua imagem e que me apareças à frente, que estou a tornar-me igual a ti, em todos os aspectos. Talvez sempre fomos iguais, fomos um, o nós. Não sei. Tenho acordado durante os sonhos com uma dor de cabeça horrível. Não cabes aqui, não vale a pena tentar, não há espaço, por mais que eu queira. Tenho medo de ir dormir e de acordar contigo a arrombar a minha porta.
1.12.09
É para ti.
- Está frio hoje, os cobertores não me aquecem. Será que já pus o despertador na hora certa? Sim, fiz isso antes de me deitar. Falta-me qualquer coisa... Talvez sejam coisas da minha cabeça. Vá, dorme.
Devia ter trazido um copo de água, tenho a garganta seca. Hoje não tenho nenhuma melodia que me faça adormecer, não tenho nenhum sítio para viajar e conhecer. Shh... Acho que quando não sei o lado bom de uma situação faço tudo ao contrário. Violo as minhas regras, o que acredito. Não dou oportunidade da flor crescer, não a rego. Mas isso não faz sentido... Já não vale a pena pintar o que é cinzento de branco. É tarde, tenho que dormir.
- Anda, deita-te aqui comigo.
- Eu? Eu não quero.
- Porquê?
- Sei que essa pessoa não és tu, prefiro ficar aqui quieta. Por isso não, não quero.
- Sou eu, sim. Quem achas que sou, quem poderei ser?
- És um pedaço do fantasma, uma linha do seu desenho na minha cabeça, és o que resta dele em mim. Uma das vozes de quem eu quero ouvir, és o meu eu a falar comigo para me acalmar. O vício que me está a fazer dar voltas na cama, que me tira o sono. Sei que quando acordar vou dizer que te odeio e ao fim do dia a única coisa que vou querer é ter-te comigo. Mas não te quero assim, não te conheci assim, quero apagar a linha, destruir o rasto. Dói e estou farta que doa, estou pronta a arrancar-te à força. Não tenho paciência já. Boa noite. E dorme, Sofia.
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27.8.09
This heart, it beats.
Quando o vento rodopia à minha volta, é porque finalmente, chegaste.
- Acorda, estou aqui. Fica com tudo.
Não precisei de falar, consegues perceber todas as minhas expressões. É por isso que me assustas. "Fecha os olhos outra vez", pensei. "Ele não te escolheu e tu não o escolheste". E vi a verdade nos seus olhos:
- Apaga a luz.
- Não quero ir contigo.
- Acorda, estou aqui. Fica com tudo.
Não precisei de falar, consegues perceber todas as minhas expressões. É por isso que me assustas. "Fecha os olhos outra vez", pensei. "Ele não te escolheu e tu não o escolheste". E vi a verdade nos seus olhos:
- Apaga a luz.
- Não quero ir contigo.
15.7.09
It's happening again
- Sai da chuva, Sofia!
- Não. Deixa-me aqui.
- Mas porquê? Entra comigo.
E respondi, sorrindo:
- Estou a conseguir sentir alguma coisa, finalmente.
- Não. Deixa-me aqui.
- Mas porquê? Entra comigo.
E respondi, sorrindo:
- Estou a conseguir sentir alguma coisa, finalmente.
7.7.09
Oh, é o destino Sofia
Vais conseguir entrar dentro da cabeça das pessoas sem estas se aperceberem, vais provar todos os seus medos, preocupações e angústias, pois já não basta teres só as tuas. Vais ouvir tudo o que não queres e vão tornar realidade todos os teus pesadelos. Parece cruel, não é? Pelo menos tentaste e agora sim, podes continuar sentada na tua varanda a aguardar um novo capítulo. Viver é isso, proteger a esperança e esperar pelo paraíso, pelo que queres. Quando chegar, deixas de ser tu. Acabaste de te perder, Sofia.
Acho que não gosto do paraíso.
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17.6.09
Eu quero ir-me embora.
Já não consigo controlar os meus sentimentos. Não consigo. Continuo sempre à espera. Sempre. Qual é o fim? Eu posso escolher o mais fácil mas já abri o coração, que quer ficar aqui.
21.4.09
Step one
Paiva: Como é que foste capaz?
Eu: Ai... Não sei.
Paiva: Eu não descanso até o encontrares de novo.
Eu: A sério?
Paiva: E não te perdoo se o deixares fugir outra vez.
Eu: Ai... Não sei.
Paiva: Eu não descanso até o encontrares de novo.
Eu: A sério?
Paiva: E não te perdoo se o deixares fugir outra vez.
Eu estava sossegada. Estava. Em paz, assim cá dentro. Sabia tudo o que queria e não queria, estava sozinha e completa. Agora falta-me aquele bocado. Faltas tu.
4.4.09
Eu sempre soube
Tu prometeste, prometeste que voltavas
E que o amor ia encontrar-nos novamente.
Foi o que sempre pensei, acreditei.
Até lá, continuo de olhos fechados,
Adormecida e com a culpa de saber
Que isso nunca vai acontecer.
Conheço-te bem de mais.
- Não compreendo as mulheres bastante bem - respondeu.
- Meu caro Geraldo - disse - as mulheres estão feitas para serem amadas e não para serem compreendidas.
- Não posso amar sem ter confiança absoluta - replicou.
A Esfinge Sem Segredo por Oscar Wilde
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