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14.3.13

Não, isto não é um pedido de desculpas

Já fui muita coisa para muita gente. Já fui a melhor amiga da primária. Já fui namorada. Já fui a melhor amiga da Faculdade. Já fui a mulher da vida de um homem (sabe-se lá como sendo nós tão jovens e com tanto pela frente). A questão é que agora não sou nada disso, por várias razões. Sempre fui muito "sim ou não", "branco e preto", "sinto ou não sinto", e isso estragou tudo, poderiam pensar. Eu acho que não estragou nada, as coisas evoluíram. Sinto-me (mais) feliz por ser simplesmente a Sofia que está presente na vida de várias pessoas que também estão, igualmente presentes na minha, sem rótulos ou expectativas. Apenas estou, apenas estão e apenas estamos. E isso é tão bom.

12.4.11

O coração quase que salta do peito com isto

Imagens destas fazem o meu coração bater a mil à hora. Parece um mundo novo, pronto a ser descoberto, cheio de histórias que merecem ser lidas até que as folhas fiquem gastas, cheio de personagens cujas caras não me canso de imaginar, e o cheiro, oh o cheiro de cada um deles é diferente. Conseguem imaginar os meus olhos a brilhar? Não percebo porque é que me arrastam à força de bancas destas na Feira do Relógio ou na Feira da Ladra. Não percebo.

18.3.11

No fim-de-semana passado,

"Fugi" para Penafirme da Mata, a Aldeia da Marisa e... soube-me tão bem. Acordar com os passarinhos, os galos logo pela manhã, ir à janela e ver os montes com aquele verde que me faz lembrar a ilha e que me satisfez, por um bocado, as saudades de casa. Voltar a Lisboa é... o oposto, algo que ainda não me habituei. Sair de Lisboa é, literalmente, fugir. Sim, gosto muito de ir ali até à Baixa, ao Bairro Alto woohoo, ver concertos a dar c'um pau, ir aos centros comerciais que são todos iguais, conhecer gente nova todos os dias e rodopiar no meio da confusão... mas Lisboa não é só isso. Aliás, nem tenho tempo para fazer o que gosto, ver o que e quem eu gosto. Por isso, fugir de vez em quando lembra-me que não me posso esquecer de sentir as coisas, algo que antes fazia tão bem.

4.3.11

Desaparecer, por 4 dias, algures aqui:


Em Navacerrada, Espanha. Por isso, bom Carnaval e essas coisas todas que se costumam dizer que eu vou ali a território vizinho ver se não parto o cóccix a fazer ski. Rebolar na neve é-me muito mais interessante. E passear por Madrid também. Ámen.

20.2.11

Apenas é.

Hoje entalei um dedo ao abrir a janela. Está inchado e vermelho. Dói. Há uns tempos entalei-o enquanto fechava uma gaveta. Sabe-se lá porquê não me lembrei de tirar a mão enquanto a fechava. Nunca fui boa a medir as distâncias. Isso fez com que uma vez partisse uns óculos acabadinhos de comprar porque me virei demasiado cedo na esquina do corredor. Fiquei com a testa dorida. Ter nódoas negras nos joelhos é normal. Tropeçar nas escadas também. Torcer os pés é um ritual. Quando saio sozinha tenho de estar mais atenta que o habitual. No fundo tento mas não consigo. Se sei que quero apanhar o metro no sentido de Santa Apolónia dou por mim e estou a ir em direcção a Amadora Este. No início achava engraçado mas perder tempo a trocar de sentido ou de linha porque não estava com atenção já não tem piada nenhuma. Antes de sair de casa verifico várias vezes se tenho tudo o que preciso. Esqueço-me sempre de alguma coisa. Confiro pelo menos três vezes se coloquei o despertador na hora certa. Tomar medicamentos a horas é um sonho. Mas acho que é isso que faz de mim a Sofia, esquecida, aérea. Perdida algures. Há uns dias disseram-me que estava menos surda. Sei que não é uma questão de estar a ouvir melhor, mas sim de estar mais atenta ao que me dizem, a tudo. E gosto disso.

11.12.10

O barquinho

Lembraste do barquinho que me ofereceste numa aula para ver se eu me animava? Foi um dos poucos gestos mais sinceros que alguém teve para comigo. Com Açores escrito no canto e improvisado com uma folha tua dos testes de código, este barquinho pode levar-me a casa. Mas não só a mim, como a ti também. O que fazemos todos os dias requer uma força que poucos conhecem, e requer que sejamos fortes, ou pelo menos é o que aparentamos ser. No fundo, és a Marisa e eu a Sofia e isso basta. Quem não o vê, quem não te vê, não tem o olhar necessário, ainda. Sabe bem saber que, quando as coisas correm mal posso entrar no barco e ir para outro sítio qualquer, posso entrar em mim. Por isso, pus aqui o barquinho para deixar de ser meu e passar a ser nosso... Assim podes ir para onde quiseres e descobrires tudo a que tens direito, sem que ninguém interfira. Com ele, podes encontrar a Marisa :)

4.12.10

Conversas ao acaso

- Tens a certeza que ele é o tal?
- Não sei. Mas estou a dar um passo no escuro, a saltar sem saber se vou, de certo, cair. O amor é isso não é? Sei que vou dar-lhe o meu coração, a minha atenção, aliás, vou dar-lhe tudo o que tenho sem saber se vou receber o mesmo em troca... Mas por ele sei que vou ao fim do mundo e não tenho medo de não voltar. Sei que por ele, vale a pena tentar.

1.12.10

O que é que ela respondeu?

Entrei na casa de banho e tranquei a porta. Sabia que te ia acordar ao ouvires o som da água a cair em mim, sabia que ias tentar entrar para falar comigo. Preciso de relaxar, de saber que posso estar aqui e que não vais entrar, em mim. Porque é que haverias de ter feito aquilo? Peço-te um beijo e desvias a cara com um olhar de nojo como se nunca me tivesses visto, como se eu te fosse completamente estranha. O que é que te fiz afinal se estava tudo tão perfeito? Doeu, sei que doeu e não sei em que andar estamos agora. Agora? Agora estou a tomar um duche, sei que sim, e sei que quando desligar a água vou ouvir-te a bater à porta e que não posso ficar aqui fechada para sempre. Já estás a bater, o que é diferente.
- Sofia, abre a porta.
Vou ter de te ouvir... Porém, que verdade é que me podes oferecer que seja realmente a verdade? O que é que pode justificar tal comportamento? Nada, simplesmente nada. Acho que chegámos ao fim e não sei porquê.
Abri a porta e fiquei calada. Não tenho nada para dizer, o mínimo que posso fazer é ouvir e magoar-me mais, sentir o meu coração ficar cada vez mais pesado e frio.
Pôs as mãos na minha cara, senti-o quente, a ganhar coragem, e falou-me olhos nos olhos:
- Eu amo-te, sei que parece que é mentira, mas é verdade, sabes que é. Nunca senti tanto medo de perder alguém, sempre fui livre mas agora não o sou, sou teu, e tu és minha. Mas... e se um dia um de nós se for embora? E se um dia tiver de viver sem ti? Não consigo, pensei que talvez fosse melhor separar-me agora mas isso é simplesmente estúpido, se quero estar contigo, se sou feliz assim, é perto de ti que tenho de ficar. Fala, podes falar, estou aqui.
Abracei-o com toda a força que tinha. Espancá-lo, era o que devia fazer, mas este calor é nosso, sendo-me tóxico ou não.
- Eu...

5.11.10

Acho que ele está de volta à minha vida,

E eu não podia estar mais feliz com isso.
O peso no coração desapareceu,
A necessidade de pedir desculpa voou e,
Com uma chama renovada, o meu sono voltou.
Sou o teu fantasma agora, não me vou embora.