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1.1.10

...

Eu tive o amanhã. Tive tudo o que queria. Fiquei feliz? Não. O problema é de quem? Meu. Não estou feliz aqui, não estou feliz em Lisboa, não o estou em lado nenhum. Não estou feliz comigo, talvez.

P.S. Nunca mais vou ser uma Cinderela abandonada. Nunca mais.

26.12.09

The same heart

Não sei porque lhe sugeri fazermos o trabalho em minha casa, estou a pôr a minha zona de conforto em descoberto. Ele. Podíamos ter ficado numa Biblioteca ou num Café mais calmo. Calmo... isso, acalma-te e finge que não sentes a lareira no peito. Será que ele repara que estou desorientada, que nem consigo pensar em que armário arrumei os copos? Porque é que estou a falar comigo e não com ele?
Não tinha reparado que estava mesmo atrás de mim, sereno, como se fosse capaz de ouvir tudo o que o meu pequeno nervosismo me fazia pensar. Assustei-me e senti o meu coração a disparar, senti um pequeno choque quando me tocou no ombro. Consigo ouvir a sua respiração bem perto do meu ouvido, consigo sentir os seus cabelos a tocar na minha pele, consigo senti-lo, frio.
- Assustaste-te? Só queria saber se precisavas de ajuda.
- Ah os copos, sim, estão aqui.
- Estás tão quente. Sentes-te bem?
- Sim sim... O trabalho, vamos começar?
Não olhei para o relógio durante toda a tarde, talvez tenha sido por isso que me espantei quando já era noite, lá fora. Existia uma ligação naquela sala que eu queria, por força, desligar. Como é que desligo os seus olhos, que me conseguem dizer tudo? Como é que desligo o seu eu que encaixa no meu como um simples puzzle? Como é que me desligo?
- Acho que acabámos, my dear Sophie.
- Sim e já olhaste para o relógio? Passa das 10 e o meu estômago está a pedir comida. Ahm... Jantas comigo?
- Janto, e ajudo-te a fazer o jantar para não te desorientares.
Bolas, ele não é burro e provavelmente cozinha melhor que eu. Passei a tarde a querer desligar tudo, mas e se... se eu agora deixar de pensar? Quero sentir aquele choque outra vez, quero saber o que é, de que é feito. Sim, eu quero senti-lo com todas as partículas do meu corpo. Shh, olha a comida Sofia, bastou ele se afastar para te esqueceres que estavas a cozinhar. Já cheira a queimado, será que ele repara?
Oh não, outra vez. Senti o seu peito nas minhas costas, senti-o debruçar-se sobre mim, provavelmente para ver a porcaria que eu tinha feito. Não calma... está a abraçar-me.
- Como consegues estar tão quente? - Sussurrou.
- Talvez porque... tu pões-me assim.
- Eu? Sempre que te toco encolhes-te, não te posso dar calor.
- Podes sim, põe aqui a tua mão.
Coloquei a sua mão sobre o meu pequeno coração. É o frio que o faz bater tão rápido, que atiça a fogueira.
- Calma, põe a tua mão no meu também. Estás a senti-lo a bater depressa? É igual ao teu.
- Talvez sejam um.

13.12.09

.

Não olhes para mim assim, estás muito frio. Confesso que não quero que te afastes. Quero disfarçar, mas os meus olhos não te conseguem mentir, não.

A minha verdade é quente, porque haverias de fugir dela?
E afinal, quando é que o frio e o calor se encontram?

5.12.09

Take a look in the mirror

Tenho tanto medo de ti, da tua imagem e que me apareças à frente, que estou a tornar-me igual a ti, em todos os aspectos. Talvez sempre fomos iguais, fomos um, o nós. Não sei. Tenho acordado durante os sonhos com uma dor de cabeça horrível. Não cabes aqui, não vale a pena tentar, não há espaço, por mais que eu queira. Tenho medo de ir dormir e de acordar contigo a arrombar a minha porta.

17.6.09

Dói.

Entrou no quarto, calado, com o olhar vazio. Sentou-se na cama, com os olhos postos no chão.
- Gostas do que vês? - perguntei, sabendo que não o devia ter dito ou sequer pensado.
- Não vejo nada.
O que poderia ter acontecido? Não vê nada? Nem o meu interior?
- Estou cansado. Chegou o fim e, para ti, não quero olhar. Nunca mais.
Fechou as luzes, deitou-se e adormeceu.

6.6.09

Eu preciso de encontrar

Outra coisa para além das alternâncias entre o chocolate Milka Noisette e as Ruffles com sabor a Picanha que me ponha um sorriso na cara. Eu sei que eles não te põem ao meu lado, que não apagam tudo o que tenho para te dizer ou me tiram a ansiedade. Tenho saudades tuas. Eu sei.

6.5.09

- Sofia, morrias por mim?
- Já morri.

21.4.09

Step one

Paiva: Como é que foste capaz?
Eu: Ai... Não sei.
Paiva: Eu não descanso até o encontrares de novo.
Eu: A sério?
Paiva: E não te perdoo se o deixares fugir outra vez.

Eu estava sossegada. Estava. Em paz, assim cá dentro. Sabia tudo o que queria e não queria, estava sozinha e completa. Agora falta-me aquele bocado. Faltas tu.

15.4.09

Coisas que nunca te direi

Estou a dar muito nas vistas? Espero que não... mas não consigo parar de olhar para ti. Estou lá, dia sim dia não, à tua espera e eu sei que é infantil, eu sei. Sei que é uma perda de tempo. Passo horas à espera que olhes na minha direcção e fico vermelha quando o fazes enquanto finjo que leio um livro. Nunca consegui olhar um estranho nos olhos, mas tu és diferente. Não sei porquê. És diferente de todas as pessoas que vejo, tens algo mais, algo que eu não consigo ver em ninguém. Quando tento aproximar-me de ti escondes-te atrás da primeira pessoa que vês ou desvias o olhar, tímido. E nunca falei contigo. Por mais que queira, prefiro observar-te de longe, descobrir quem és, sem palavras.