25.3.08

9 da noite

Entro todos os dias com a esperança de ver alguma satisfação,
de sentir algum brilho e excitação dentro de mim,
de ver e ouvir algo novo que valha a pena ocupar no meu tempo precioso.

Gasto-o,
tal como um pobre gasta cuidadosamente os seus últimos tostões.
Assim, sinto-me mais segura e preparada para as reacções egoístas,
que as pessoas mais inesperadas têm tomado. Elas mentem a si próprias,
mas será que as devo fazer ver o que vejo?
Pergunto-me se devo preocupar a minha consciência com isso,
se me devo preparar para um "não tens razão, nunca terás, não sabes nada,
nunca saberás, não és importante, eu não quero saber, sai".

Aprendi a retribuir a simpatia.
Se não disser o que penso,
as minhas preocupações são transmitidas no meu olhar,
nas minhas acções, cada vez mais inexplicáveis e isoladoras.

Estou a apertar o círculo, a testar quem merece ser testado,
a tentar perceber quem merece o meu tempo,
uma das únicas coisas que tenho como certas.
Estou mais rancorosa que ontem,
mas menos que amanhã.