22.7.08

Aprendi.

Tudo o que escrevo é tão vago, tão simples mas ao mesmo tempo tão completo. Sempre pensei que nunca conseguia escrever tudo o que sentia. Agora sei que não consigo mesmo.
Parece que obrigo os pensamentos a organizarem-se e saírem-me pelas mãos em forma de palavras. Já não consigo olhar para dentro de mim, quanto mais entrar no meu coração. Pensar passou a ser algo confuso sem saída, sem um caminho certo que eu possa tomar e orgulhar-me de o ter feito.
Mas quem é que consegue parar de pensar? Quem é que não pensa? Há pessoas que pensam de mais. Eu sou uma dessas pessoas. Mas porquê?
Se calhar é por causa da minha infância. Desde cedo me habituei a estar sozinha, a brincar sozinha, a ser a Sofia. Lembro-me que me fechava no quarto horas a fio, lembro-me que passava os dias a ler porque estava sozinha. Tinha de me ocupar com alguma coisa. Se calhar foi por estar sozinha que nunca fui muito sociável. Era eu. Mas sou eu? Não. Apesar da minha infância me ter influenciado, aprendi a ser diferente. O meio onde estou inserida modificou-me. Eu estou em constante mudança.